aprovação do aumento do salário dos vereadores. "Não sou indecente,
indecente é o que está acontecendo aqui", gritava, enquanto era
imobilizado por guardas-civis. Outras pessoas estavam com cartazes e
nariz de palhaço.
LAURA CAPRIGLIONE
DE SÃO PAULO

“A primeira condição de
nossa educacão
é a discórdia”
Pierre-Joseph Proudhon
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ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
A remuneração anual (incluindo o décimo terceiro salário) dos congressistas chegará a US$ 204 mil.
Esse valor é mais alto que o recebido pelos parlamentares da União Europeia e de 16 países pesquisados pela Folha, incluindo os do G8 (EUA, Japão, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Rússia).
Congressistas custarão R$ 128 mil por mês
Em votação relâmpago, Senado aprova aumento de salários no Legislativo e Executivo
Câmara aprova aumento de salário do Executivo e Legislativo para R$ 26,7 mil
Aumento aprovado pelo Congresso poderá custar R$ 1,8 bilhão para cidades
A desigualdade entre a renda de deputados e senadores e a da média da população brasileira também será uma das maiores do mundo a partir de fevereiro, quando o novo salário, de R$ 26,7 mil por mês, passa a valer.
Deputados e senadores receberão valor quase 20 vezes maior que o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Brasil --de US$ 10,5 mil neste ano, segundo o FMI.
Essa desigualdade significativa entre a remuneração dos congressistas e a da média da população é bem maior do que a registrada em outros países onde os salários de parlamentares também são elevados.
Itália e Japão são conhecidos pela alta remuneração de seus Legislativos. Os salários anuais dos parlamentares desses países são de cerca de US$ 185 mil.
Esse valor é próximo dos US$ 204 mil que receberão os congressistas brasileiros. Mas na Itália os congressistas ganham 5,5 vezes mais que a renda per capita. No Japão a diferença é de 4,4.
Tanto no caso do Brasil como no dos outros países pesquisados pela Folha, essas remunerações representam apenas o salário dos congressistas e não incluem verbas extras e benefícios.
CUSTO EXTRA
Segundo matéria publicada ontem pela Folha, cada congressista brasileiro representará um custo médio de R$ 128 mil por mês, se computados outros benefícios além do salário, como passagens aéreas. O valor equivale a US$ 896 mil por ano.
De acordo com reportagem da publicação online "Money Zine" do Japão, cada parlamentar japonês recebe (incluindo bônus e verbas extras) US$ 497,4 mil anuais.
A comparação entre remuneração total de parlamentares de diferentes países é complicada porque há benefícios de difícil mensuração.
Para o cientista político Bruno Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o salário (sem incluir benefícios) dos legisladores brasileiros "parecia baixo se comparado ao recebido por profissionais da classe média alta".
Mas ele ressalta que o hiato entre a nova remuneração de congressistas e o PIB per capita do Brasil é muito alto, reflexo da desigualdade de renda ainda elevada no país.
CORRUPÇÃO
Tanto Reis como Fabiano Santos, pesquisador e professor de ciência política da UERJ, afirmam que, pelo menos no campo teórico, a vantagem de ter legisladores bem remunerados é que o incentivo à corrupção diminui.
Diferentemente do que ocorrerá com os congressistas, a remuneração do presidente continuará mais baixa que a dos chefes de governo de países ricos.
Dilma Rousseff receberá o mesmo que os legisladores brasileiros, o que equivale à metade do salário anual de US$ 400 mil do presidente dos EUA, Barack Obama.
Os primeiros-ministros da Nova Zelândia e do Reino Unido ganham, respectivamente, US$ 290 mil e US$ 235 mil por ano.
Ato de desrespeito, preconceito e censura equiparável à truculência burra das ações de ditaduras de qualquer ordem, em qualquer período.
Abaixo segue link para cartas do Zé Celso.
Beijo a todos.
Neide
Agora existe esse isolamento…
Eu me lembro, por exemplo, de conversar longamente com o filho que a Elizabeth Taylor teve com o Michael Wilding. Era um hippie bem remendado. Na Inglaterra dos anos 60 a gente se internava nos “ashrams” (retiro hinduísta) e ficava do lado da princesa não sei de onde e de gente riquíssima, mas ninguém ligava muito para isso.
Quem também gostava de ler as coisas dela era o Jorge Amado. Outro que gostava era o autor do livro “Como Era Verde o Meu Vale”, o galês Richard Llewellyn, que morou no sul do Brasil e foi publicado pela editora Globo. Esse livro foi comprado pela Metro, que filmou com direção de John Ford, em 1941. Na infância eu adorava o filme, que citei num título de um livro: “Verdes Vales do Fim do Mundo”.
Mas, voltando à Cassandra, eu dirigi o show “Drama” da Maria Bethânia, em 73. A Bethânia adorava a Cassandra, que estava na lista de convidados da estréia do espetáculo em São Paulo. A escritora chegou com um pacote de suas novas edições, todas best sellers, e a Bethânia, que quando era adolescente lia escondido os seus livros na Bahia, ficou felicíssima.
Nós também líamos a Cassandra escondido…
Bivar: Não! Em adolescente eu lia “A Carne”, do Júlio Ribeiro, da biblioteca de um tio, enquanto me masturbava trepado em uma jabuticabeira da fazenda.
Nenhum poder existe por si! Nenhum poder, qualquer que seja, é evidente ou inevitável! Qualquer poder, consequentemente, não merece ser aceito no jogo! Não existe legitimidade intrínseca do poder! E a partir dessa posição, a démarche consiste em perguntar-se o que, a partir disso, é feito do sujeito e das relações de conhecimento no momento em que nenhum poder é fundado no direito nem na necessidade; no momento em que qualquer poder jamais repousa a não ser sobre a contingência e a fragilidade de uma história; no momento em que o contrato social é um blefe e a sociedade civil um conto para crianças; no momento em que não existe nenhum direito universal.
Antônio Bivar: Foi o fecho da trilogia “Fim do Mundo”. O primeiro festival, de 82, no Sesc Pompéia, chamou-se o “O Começo do Fim do Mundo”, e no ano passado teve “A Um Passo do Fim do Mundo”, já no Tendal da Lapa. Comparecem umas 8.000 pessoas, e isso sem divulgação nos jornais, só pela internet.
Acho que os punks são o primeiro movimento pós-moderno no mundo. É uma cultura anarquista internacional que influenciou tudo, um divisor de águas. No Brasil deu uma grande arrancada. É a cara de São Paulo, apesar do nome importado. É um movimento de grande paixão e celebração, de irmandade, que remete ao anarquismo de 1917 em São Paulo. Neste ano tivemos 64 bandas, desde as mais antigas, como Cólera, Fogo Cruzado e Lixomania, até as novíssimas, como a Holly Tree -que agora vai excursionar pela Europa-, Flicts, Lambrusco Kids, General Bacon e outras.
Musicalmente, o movimento está muito melhor agora, mais criativo. Apesar de nas bandas existir hoje em dia até gente que estudou na Faap, como os integrantes do Holly Tree, todos vêm da classe média baixa. Para mim, os fatores mais positivos do punk são a insubordinação e a criatividade do “faça você mesmo”, porque eles conseguem fazer de tudo com os elementos mais básicos.
Como você começou a se interessar pelo punk?
Bivar: Na década de 80 passei um outro ano na Inglaterra e acompanhei o movimento musical. Então, em 82, escrevi o pequeno volume “O Que é Punk”, para a editora Brasiliense, e tive a idéia de fazer um festival de música e cultura punk no Sesc Pompéia. Foi um sucesso louco, com repercussão em jornais de Washington, do Japão… São Paulo ficou parecendo a Meca punk, foi um impacto.
Lembro-me de Lina Bo Bardi (arquiteta do Sesc Pompéia) com aquele penteado tapa-olho, parada ali com cara de brava… A meu pedido, ela colocou uma rotunda preta no palco, para esconder uma faixa do Zizinho Papa, político malufista que estava na direção do Sesc e que os punks odiavam. Ela me perguntou: “Bivar, mas esses punks não são uns fascistas?”. E eu respondi, bem calmo: “Não, dona Lina, eles são anarquistas”. Então ela deu um jeito de colocar o pano preto sobre a faixa do político.
Esse primeiro encontro é um mito entre os punks, e para mim foi um grande e maravilhoso teatro. Ninguém ganhou um centavo. Já em 98 fui chamado pela Secretaria da Cultura de Santo André e pelo Motim Punk da cidade para escrever uma ópera punk sobre a briga entre as facções do ABC e de São Paulo. Trabalhei oito meses. Pegava o trem para Santo André na Estação da Luz, foi ótimo.
RESUMO
Este artigo aborda as noções foucaultianas de governamentalidade e anarqueologia, enfatizando os impactos que provocaram nas reflexões do "último Foucault". Em um primeiro momento, aborda-se o deslocamento da analítica do poder de Foucault, situando sua importância nos estudos em governamentalidade e sugerindo implicações possíveis que a anarqueologia estabelece com o pensamento de Proudhon. Em seguida, discute-se a maneira pela qual a anarqueologia descreve uma genealogia das formas modernas da obediência ao problematizar a experiência da sexualidade.
Palavras-chave: Poder; Governamentalidade; Anarqueologia; Subjetividade; Verdade.