quinta-feira, 5 de maio de 2011
Fetichista pop, Kenneth Anger mostra seu cinema
Artista americano de 84 anos explora até hoje temas tidos como subversivos, usando imagens fugidias
Divulgação![]() |
SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO
No dia em que os jornais amanheceram falando do corpo mumificado de Yvette Vickers, atriz de filmes B dos anos 1950 que apodreceu em casa, na Califórnia, Kenneth Anger veio a São Paulo para um festival de seus filmes.
A morte parece acompanhar esse cineasta. Ele não sabia de Vickers, que encarnou a gigante de 15 metros que apavorava o trânsito, mas conta que Elliott Smith, cantor sobre quem fez um documentário, se matou logo depois de concluído o filme.
Donald Cammell, que fez o deus Osíris num filme de Anger sobre o demônio, também se suicidou pouco depois com um tiro na cabeça. Um lenço de seda à guisa de curativo improvisado por Anger evitou que a amiga Marianne Faithful morresse num surto suicida, ao cortar os pulsos durante um jantar na casa de Mick Jagger.
Não foi à toa que o cineasta foi convidado para escrever o prefácio de um livro sobre suicídios de celebridades.
"Isso não acontece o tempo todo", diz Anger, 84, à Folha. "Mas me consideram um especialista nisso." Esse submundo, lado negro da Hollywood onde mora, serve de motor para a obra do artista. Seus curtas, agora reunidos num festival no Centro Cultural Banco do Brasil, refletem impressões fugazes de contornos escorregadios.
E isso ele aprendeu longe de seu maior objeto de estudo. Anger trocou uma Hollywood paranoica com o comunismo nos anos 1950 para trabalhar na Cinemateca Francesa, em Paris.
Começou fazendo curtas em preto e branco sobre fantasias sexuais obscuras, com efeitos de luz barrocos e muito sangue cenográfico, vendo na morte pulsão criativa. Já nos anos 1970, mergulhou no universo de motoqueiros e mitos do rock em filmes de cor estridente e forte carga de subversão sexual.
São temas que ele não abandona mesmo agora. Em dois filmes mais recentes, restaura imagens de arquivo da juventude nazista e de velhos dirigíveis, dando novas cores às imagens esmaecidas e operando um resgate visual da erosão dos mitos.
Seu próximo projeto é voltar ao Egito, onde esteve cinco vezes, para fazer um filme sobre as cinzas da revolução. Mas vai desviar o foco dos humanos para os camelos, que morrem de fome em épocas sem turistas. "Quero examinar esse fenômeno."
KENNETH ANGER
QUANDO programação completa em www.bb.com.br; até 15/5 ONDE CCBB (r. Álvares Penteado, 112; tel. 0/xx/11/3113-3651)
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Que Brasil é esse?
DO RIO - Uma adolescente de 15 anos que era estuprada pelo padrasto de 70 anos filmou os abusos e levou as imagens à polícia acompanhada da irmã, de 28 anos. Ela disse que sofria abusos desde os seis anos.
O aposentado admitiu o crime ao assistir às cenas e foi preso na noite de ontem. Ele chegou a passar mal e foi medicado.
A mãe da garota também passou mal e ainda não prestou depoimento sobre o caso.
Na casa do aposentado, a polícia encontrou uma espingarda sem registro e munição, que ele alegou guardar para um filho. Se condenado, ele pode cumprir pena de até 15 anos por estupro de vulnerável e de até dois anos por porte ilegal de armas.
USP testa empréstimo de bicicletas com 4 unidades
Eduardo Knapp/Folhapress![]() |
DE SÃO PAULO
Às 14h de ontem, os eletricistas Wagner Oliveira, 43, e Denilson Azarias, 29, usavam pela primeira vez o sistema automático de compartilhamento de bicicletas da USP, ainda em fase de testes.
Sem a ajuda de ninguém, pegaram as bicicletas no terminal, liberadas com senhas individuais, e saíram com duas bikes amarelas personalizadas para percorrer os 600 metros entre o prédio do Biênio e o da mecânica, na Poli, onde estão instaladas as únicas duas estações do campus, por enquanto.
"Fazemos esse percurso no mínimo cinco vezes por dia", diz Denilson.
A ideia é que as bicicletas sejam mesmo usadas, gratuitamente, como meio de transporte. Tanto que quem ultrapassa o limite de 20 minutos com a magrela é suspenso temporariamente do sistema.
Ontem, primeiro dia do PedalUSP, foram 43 empréstimos -87 pessoas se cadastraram. Apenas uma atrasou a entrega e, como punição, ficará dois dias sem poder pegar outra bicicleta.
Diferentemente dos bicicletários do metrô, este é automatizado, e os alunos e funcionários fazem tudo com o cartão de acesso ao campus.
Em seis meses, a fase de testes, com apenas quatro bicicletas e essas duas estações, será ampliada para o projeto de cem bicicletas em dez estações. (PATRÍCIA BRITTO e CRISTINA MORENO DE CASTRO)
SAIBA MAIS
FUNCIONAMENTO das 7h às 20h, de segunda a sexta-feira
SITE www.usp.br/pedalusp