sexta-feira, 18 de março de 2011

Protesto acaba em confronto no metrô

250 manifestantes contrários ao aumento da passagem de ônibus trocaram agressões com PMs e seguranças

Estação Anhangabaú foi fechada por 10 minutos durante a pancadaria, que incluiu até bombas de gás lacrimogêneo 

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO 

Pela terceira vez neste ano, terminou em confronto uma manifestação contra o reajuste da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo.
A troca de agressões entre manifestantes, policiais e seguranças do Metrô acabou fechando por cerca de dez minutos a estação Anhangabaú, da linha 3-vermelha.
Por duas horas e meia, o 13º protesto organizado por estudantes e sindicalistas foi pacífico. O problema foi quando os cerca de 250 manifestantes, que já tinham bloqueado o tráfego no terminal Bandeira e na avenida Nove de Julho (no centro) por meia hora, decidiram pular as catracas da estação.
Seguranças do Metrô tentaram impedir e bateram com cassetetes nos invasores. A Folha acompanhou toda a movimentação na parte de dentro da estação.
Os manifestantes reagiram atirando pedras e bexigas com tinta, que acertaram seguranças, policiais e usuários. A reportagem presenciou sete manifestantes sendo agredidos.
Quando os policiais militares que estavam do lado de fora perceberam o quebra-quebra, decidiram intervir e jogaram ao menos duas bombas de gás lacrimogêneo dentro da estação.
Jovens, idosos e crianças que estavam no local ficaram com os olhos lacrimejando e dificuldade para respirar.
Usuários que tentavam passar pelas catracas com o Bilhete Único foram barrados pelos seguranças até que a situação se tranquilizasse, o que levou cinco minutos.
Lâmpadas e partes de catracas foram quebradas. Quando os manifestantes foram retirados do local, seguranças e policiais expulsaram fotógrafos e cinegrafistas. Um PM com câmera fotográfica registrou a ação.
Questionada, a PM disse que agiu para estabelecer a ordem. Só hoje a corporação informará quantas pessoas foram detidas e por qual razão disparou bombas de gás lacrimogêneo na estação. O artefato geralmente é utilizado em locais abertos, para dispersar multidões.

SILÊNCIO
A prefeitura não respondeu ao pleito dos manifestantes. Ontem, eles queriam que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) se pronunciasse sobre ofícios enviados ao Executivo pedindo que a decisão de aumentar a passagem de ônibus de R$ 2,70 para R$ 3 fosse revista.
O reajuste ocorreu em 5 de janeiro. Desde então, estudantes e militantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e de partidos como PV, PSOL, PSTU, PCO, PC do B e PT fazem os protestos.
Na semana passada, eles queimaram um boneco do prefeito Kassab próximo à casa dele, na zona oeste. Novos protestos estão marcados para a próxima semana.

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