segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sala de Aula: Que Espaço é Esse ? (Resenha)

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domingo, 15 de abril de 2012

Sala de Aula: Que Espaço é Esse ? (Resenha)

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Carlos Baqueiro

Está claro para mim que a sala de aula é, realmente, um pequeno local da sociedade. Mas é ali aonde podem se iniciar grandes processos de mudança. Sinto que seja isto que estejam pretendendo nos dizer os autores dos textos do livro “Sala de Aula: Que Espaço é Esse ?”[1].

Mas vejo nessa visão algumas questões práticas e teóricas, ao mesmo tempo.

Até, talvez, meados da década de 80 os projetos de mudança social perpassavam pelas grandes instituições: teríamos que mudar os Partidos, as Igrejas, os Modos de Produção, o Estado, etc, se quiséssemos ter uma verdadeira transformação social. Alguns poucos, somente, iam de encontro a estas perspectivas.

Na área social estas perspectivas vêm mudando desde lá. Sociólogos, filósofos, historiadores, vêm mudando seus paradigmas, desconstruindo visões de mundo seculares, tentando entender o mundo de uma forma menos ambiciosa do que todos os positivistas e filhos dos positivistas que conhecemos tão bem. Ver um mundo mais próximo ao que realmente é o ser-humano. Um ser relativo, ao tempo e ao espaço em que vive. Um ser em construção e não um filho de Demiurgo, pronto e absoluto.

Michel Foucault, Paul Feyerabend, Wilhelm Reich, Pierre Clastres, e tantos outros, participaram desta busca. E hoje, conhecendo-os somos impelidos a entender o mundo como eles.

Mas um paradoxo ainda está vivendo em nosso redor. Enquanto tantas áreas do conhecimento humano se reciclam, a área de educação não consegue retirar os velhos obstáculos a sua frente. Há até uma piada se referindo a homens que fariam uma viagem do passado para o futuro, e o único profissional que não teria problemas de adaptação seria o professor.

É claro que houve aqueles que tentaram as mudanças. Ivan Illich[2], acreditando em um mundo sem escolas; Paulo Freire[3], desejando uma escola que não fosse legitimadora do poder constituído; A.S.Neill[4], construindo a Escola de Summerhill na Inglaterra, e acreditando que melhor seria educar um futuro carpinteiro feliz, do que um engenheiro neurótico.

Mas a maioria dos educadores, inclusive mestres e doutores, parecem se prender a amarras, a correntes, como escravos que não desejam fugir do engenho.

O livro “Sala de Aula...” tem um sabor de reaver grande parte da discussão que envolve academicismo versus simplicidade, com o intuito de rebuscar os problemas e questões observados acima. Através de uma “tribuna livre”, nos próprios termos da apresentação de Regis de Morais, se discute as transformações possíveis dentro daquele pequeno espaço público, onde se encontram diariamente professores e alunos.

Debate-se ali sobre os possíveis rituais dentro da sala de aula. O que eles têm de benéfico e maléfico para a aprendizagem. O que eles podem produzir ao serem compartilhados por alunos e professores. Mas o debate não se dá de forma intransigente. O próprio Regis de Morais nos conduz a acreditar que não podemos traduzir a vida em “isto ou aquilo”, mas “isto e aquilo”[5]. Não podemos sufocar a criatividade dentro da sala de aula, mesmo a pretexto do amor, da felicidade, ou da compaixão, e muito menos da competição, ou de uma verdade construída artificialmente, como o são todas as verdades[6].

Não podemos reduzir um espaço humano a um espaço simplificado tornando-o insustentável[7]. Não devemos nos esquecer, como observa um dos autores, que todas as vicissitudes humanas tem que ter lugar dentro da sala de aula. E, é ali, onde devem ser privilegiadas a autonomia e autodisciplina.

E assim, se também compreendemos que a sala de aula é um dos palcos privilegiados das intenções das classes dominantes quanto ao mascaramento das relações de exploração e dominação[8], podemos elaborar uma prática que além de desmascarar, se interponha contra aquelas relações. Ação esta que além de pedagógica se torna também política. E nesta ação se irá lançar toda teorização alternativa para a prática, e sabemos que isto é possível porque as relações em qualquer meio social não são homogêneas, e portanto a ideologia hegemônica sofre antagonismos, e é através destes, que as brechas da inovação podem ser abertas.

A mudança, a inovação, as alternativas, desejadas e praticadas por poucos, há séculos, são possíveis. As mentes deste final/início de século, como vemos em diversas publicações atuais, parecem estar mais abertas às transformações. E, crendo nelas, podemos lutar, afastando as soluções grandiosas e generalizadoras que não se estão em condições de orientar no sentido libertário, preferindo as soluções viáveis, que o local em que vivemos e atuamos exige.

E mesmo que todas as batalhas não sejam vencidas, nunca é demais relembrar Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua a Utopia não merece nem ser olhado, pois deixa de fora o país no qual a Humanidade está sempre a desembarcar”[9].

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[1] MORAIS, Regis de (Org.). Sala de Aula: Que Espaço é Esse ?. Papirus. São Paulo. 2001.
[2] ILLICH, Ivan. Um Mundo Sin Escuelas. Editorial Nueva Imagen. Mexico. 1979.
[3] GADOTTI, Moacir. Convite a Leitura de Paulo Freire. Scipione. São Paulo. 1991.
[4] NEILL, A.S. Liberdade sem Medo. IBRASA. São Paulo. 1990.
[5] MORAIS, Pg 28.
[6] NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Nietzsche - Coleção Os Pensadores - Volume 1. Nova
Cultural. SP. 1987.
[7] NOVASKI, Augusto J.C. In MORAIS. Pg 11.
[8] SANFELICE, José Luis. In MORAIS. Pg 90.
[9] WILDE, Oscar. A Alma do Homem sob o Socialismo. Iniciativas Editoriais. Portugal.1975. Pg  35.

eu me revolto,logo existo 
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Estudantes da USP debaterão drogas em 'semana do baseado'

Evento discutirá legalização e terá noite de fumo coletivo com orégano, "para efeitos jurídicos"

DE SÃO PAULO

Alunos da USP (Universidade de São Paulo) promovem, de hoje a sexta-feira, a "Semana de Barba, Bigode e Baseado". A organização é de alunos da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

O objetivo é discutir a proibição do uso de drogas ilícitas com debates, palestras e exibição de vídeos.

"Porque droga não é demônio. Porque o que está em pauta é a autonomia sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha", diz trecho da descrição do convite do evento, feito via Facebook.

Amanhã ocorrerá uma noite do fumo coletivo, que, "para efeitos jurídicos", será feita com "apenas orégano, substância lícita", segundo o texto do convite.

Alguns professores da USP participarão da semana como palestrantes.

Uma festa de arrecadação de fundos para a Marcha da Maconha -movimento que defende a legalização da droga no Brasil-, na sexta-feira, encerra a semana.

As atividades (incluindo a festa) acontecerão, sempre à noite, no espaço verde, uma sala da FFLCH.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da USP afirmou que a reitoria não vai se manifestar sobre o assunto.

ASSUNTO POLÊMICO

O tema é polêmico na universidade. Em novembro, alunos invadiram a reitoria após um confronto entre estudantes e policiais militares.

A briga ocorreu após a PM deter três alunos com maconha dentro de um carro, no campus.

Eles foram levados à delegacia e liberados em seguida. Os estudantes, no entanto, passaram a protestar pela saída da PM do campus.

Logo após os eventos, alunos da universidade fundaram o Fuma (Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista), movimento que participa da organização da "semana do baseado".

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domingo, 15 de abril de 2012

Festival em SP exibe filmes com temática sexual

Divulgação
Cena de "Salomé", curta que será exibido neste domingo na Mostra do Filme Livre
Cena de "Salomé", curta que será exibido neste domingo na 11ª Mostra do Filme Livre, no CCBB, dentro da sessão Sexuada

A 11ª edição da Mostra do Filme Livre, que exibe produções nacionais de cinema alternativo no CCBB (centro de São Paulo) até 22 de abril, irá exibir, neste domingo (15), uma programação voltada basicamente a curtas, como a sessão Sexuada, que ocorre às 15h e conta com filmes sexuais.

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Na próxima quarta (18), a mostra promove o debate "Cinema de Bordas ou Trash Mesmo?", sobre o cinema trash, que terá seis sessões de curtas e longas.

A sessão do documentário "Sangue Marginal - Relatos de Cinema e Vídeo Underground", de Marco Antonio Vaz de Oliveira Filho, que acontece também na quarta (18), às 19h, será seguida de debate com Felipe M. Laura Cánepa e Gelson Santana com mediação de Christian Caselli.

Confira a programação completa no site do festival. A entrada é gratuita, mas o ingresso precisa ser retirado no local com uma hora de antecedência.

Acesse o site Catraca Livre para saber informações sobre eventos gratuitos ou populares.

CCBB - r. Álvares Penteado, 112, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3113-3651 ou 0/xx/11/3113-3652. Grátis.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

centro de cultura social

centro de cultura social: "04/04/12, quarta-feira 20h
 
Abertura do Liga Juvenil Anti-Sexo, atividade do Coletivo Cultive Resistência."

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Google Art Project

Art Project libera visita virtual à Pinacoteca e ao MAM


Google Art Project:

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Veja como participar de nossos concursos e eventos « Casa de Criadores

Concurso Homofobia Fora de Moda 2012


Veja como participar de nossos concursos e eventos « Casa de Criadores:

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Centro de Cultura Social

04/04/12, quarta-feira 20h 
Abertura do Liga Juvenil Anti-Sexo
evento do Coletivo Cultive Resistência.
Confira as demais atividades em 
http://ligajuvenilantisexo.wordpress.com

Local: Centro de Cultura Social
rua General Jardim, 253 sala 22
próximo ao mêtro República

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Liga Juvenil Anti-Sexo

04/04/12, quarta-feira 20h 
Abertura do Liga Juvenil Anti-Sexo,
evento do Coletivo Cultive Resistência.
Confira as demais atividades em 
http://ligajuvenilantisexo.wordpress.com
Local: Centro de Cultura Social
rua General Jardim, 253 sala 22
próximo ao mêtro República

Liga Juvenil Anti-Sexo:

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Cineclube Terra Livre – 25/03 – Louise Michel

No próximo domingo, dia 25, ocorrerá a primeira sessão do Cineclube Terra Livre. Neste semestre o Cineclube retoma suas atividades com a mostra de filmes “Anarquistas”, com filmes biográficos sobre anarquistas históricos. As exibições ocorrerão no Centro de Cultura Social de São Paulo, espaço anarquista histórico de memória e difusão do anarquismo no Brasil. Para a primeira sessão da mostra exibiremos o filme Louise Michel, a rebelde, por ocasião da celebração do dia internacional das mulheres (08/03) e do início da Comuna de Paris (18/03), a 141 atrás.


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segunda-feira, 26 de março de 2012

BAIXOCENTRO

PASSOS PARA A DANÇA
É importante lembrar que qualquer tipo de manifestação pública não é contra nenhuma lei. Pelo contrário. As autoridades apenas pedem que sejam notificadas para evitar problemas. Problemas. Por isso é muito importante que você colabore, justamente para mostrar que nós, cidadãos, estamos aptos a reocupar os espaços públicos e organizar os eventos culturais que gostaríamos de ver.
Indicações:
- As ruas são para dançar. Isso significa que devemos sempre estar em movimento enquanto nas ruas. Qualquer bloqueio que fizermos poderá ser considerado como infração. Dance sempre na calçada. E sempre dance. Nós só podemos ficar parados em locais públicos, como praças, e não em frente a estabelecimentos comerciais, por exemplo – e por enquanto.
- Nós temos liberdade prevista em constituição: de reunião e de associação (Constituição Federal (CF), art. 5º, XVI); de manifestação do pensamento (CF, art. 5º, IV); de consciência e de crença (CF, art. 5º, VI); de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação (CF, art. 5º, IX); e de locomoção no território nacional (CF, art. 5º, XV). E essa liberdade de ir e vir contempla o direito de permanecer em praças e outros locais públicos.
- Documente. Qualquer ação policial que vá contra os itens da Constituição é ilegal. Nós, como cidadãos organizados e conscientes, devemos documentar os desrespeitos e denunciá-los. Compartilhe os registros com a hashtag #baixocentro para entrar em nosso muro colaborativo:http://muro.baixocentro.org/ .
- Identificação. Não somos obrigados por nenhuma lei a portar um documento de identidade. Se algum policial te abordar e te pedir a identidade, fique calmo! Você não precisa entregar e, se o fizer, ele não pode reter o documento. E lembre-se: ele não pode te prender por não estar identificado! Mas pode pedir o nome do seu pai, sua mãe e sua data de nascimento e te encaminhar à delegacia para assinar um “termo de comparecimento”. E sempre, mas sempre, peça a identificação do policial que te abordar.
- Seja pacífico. Embora os ânimos possam estar um tanto quanto exaltados, mantenha a calma. Resistência a algumas ordens policiais pode ser considerada “crime de resistência”. Responder bravo ou xingar um policial é cana na certa. Conversar com um policial é uma oportunidade de entender tudo isso que está escrito aqui. Converse. E dance!
- Abuso de autoridade. O policial não pode infringir os direitos e garantias individuais, como a “liberdade de locomoção”, o “direito de reunião” e o de “livre manifestação do pensamento”. Ele te abordar e falar um pouco mais ríspido, em vários casos, NÃO se enquadram como isso. Mas ele proibir qualquer atividade por apenas querer, isso sim. Peça sempre (e gentilmente) que ele justifique toda e qualquer ordem. E, lembre-se, documente!

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Minhocão recebe cerca de mil pessoas em balada 'moderna'

VANESSA CORREA

DE SÃO PAULO

Cerca de mil pessoas dançaram e pularam ontem em cima do Minhocão, em uma das festas do festival BaixoCentro, que começou neste final de semana em São Paulo.

O evento agradou quem vive na região e teve até quem veio de outras cidades só para a festa. "O centro fica muito vazio. Quem vive aqui precisa disso", disse o produtor Leonardo Moreira, 37.

Alguns paulistanos não acostumados com o "baixo centro", nas proximidades do Minhocão e da cracolândia, estavam preocupados com a hora de ir embora.

"Acho que vamos sair antes do final. À noite fica mais perigoso", disse a estudante Patrícia Ogando, 23.

O festival foi organizado por um grupo de produtores interessados, segundo eles próprios, em dar novo significado à degradada região do Minhocão.

"É um movimento de ocupação civil que pretende disputar as ruas", afirmam eles, no site do evento.

O festival vai até domingo com uma programação variada que incluiu festas e sessões de cinema. Mais informações nobaixocentro.org.

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sexta-feira, 23 de março de 2012

Curtas sob o Minhocão abrem programação do 1º BaixoCentro

Evento terá 110 atrações artísticas grátis na região, de hoje a 1º/4

IURI DE CASTRO TÔRRES
DE SÃO PAULO

As ruas são para dançar. E para assistir a filmes, praticar ioga, fazer arte. É esse o mote do BaixoCentro, festival que começa hoje, às 20h30, com o evento de curtas Cinoia e ocupa por dez dias avenidas e praças da região central de São Paulo.

Idealizado por "moradores" da Casa da Cultura Digital, imóvel na Barra Funda que reúne empresas ligadas à internet, o festival conta com 110 atividades gratuitas.

Às 21h30, sobre o Minhocão, depois de fechado ao trânsito, será gravado um documentário colaborativo.

"São Paulo está se tornando cada vez mais fechada, com clubes caros e poucas opções nas ruas", diz Lucas Pretti, um dos 500 idealizadores do projeto. "As ruas são para usar e para compartilhar. Sentimos que havia uma demanda por cultura livre."

O festival foi posto de pé por meio de um financiamento coletivo pela internet. Custou R$ 16 mil.

"Mas ainda precisamos contar com a colaboração de vizinhos, porque está bem apertado. Vamos tomar emprestado luz elétrica e banheiro", diz Pretti, aos risos.

Para ele, o projeto opõe duas visões sobre a cidade. Uma seria a da Prefeitura, que "limpa" o centro expulsando moradores de rua e desapropriando favelas.

A outra reivindica o "direito à cidade", ou seja, quer tomar as ruas e "dar um sentido a São Paulo".

A maior parte dos projetos inscritos -só ficaram de fora propostas com alto custo técnico- reflete a relação dos paulistanos com o centro.

Para coroar a "retomada" do centro, no próximo domingo, será montado um parque em cima do Minhocão, com grama artificial e piscina.

"Somos promotores culturais", diz Pretti. "Imagine se advogados e arquitetos decidissem fazer a mesma coisa pelo centro de São Paulo..."

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quinta-feira, 22 de março de 2012

Sexo e vergonha

Os que consideramos maníacos sexuais são apenas os que praticam mais sexo do que a gente

IMAGINE ALGUÉM que acaba sua noite com um sexo rápido e intenso, em pé, embaixo de uma ponte, e eis que, uma vez em casa, ele entra na internet e transa virtualmente com uma stripper de site on-line.

Não há gozo que lhe baste: sempre sobra a vontade de mais uma vez, mesmo que seja se masturbando com esforço. Outra noite, depois de ter brincado pesado com uma moça num bar, ele se pega com um cara no labirinto de uma boate gay: na procura por mais sexo, vale tudo.

Mas cada rosa tem seus espinhos. O disco rígido do nosso jovem está repleto de pornografia, até no computador do escritório -o que é arriscado. E, sobretudo, ele está aflito: a vergonha o leva a jogar fora (periodicamente) os apetrechos de sua sexualidade fantasiosa, e ele sente culpa de não conseguir ser o irmão, o amigo -e, quem sabe, o namorado- que ele talvez gostasse de ser.

Se esse alguém pedir ajuda a um terapeuta, alguns colegas tirarão da manga o "diagnóstico" de sexo-dependência ("sexual addiction") e proporão o programa em 12 passos (ensinado nas especializações em sexo-dependência), para que o indivíduo aprenda a se controlar e a renunciar, ao menos em parte, ao sexo, que teria se tornado, para ele, uma espécie de droga.

Mesmo sem acreditar nos 12 passos, outros colegas concordarão com o diagnóstico e simpatizarão com o "óbvio" sofrimento do "sexo-dependente" -afinal, eles imaginarão, essa prática endemoniada do sexo "deve", no mínimo, aviltar o indivíduo aos seus próprios olhos.

Outros colegas ainda (e eu com eles), ao receber o pedido de ajuda de um suposto sexo-dependente, reagiriam de maneira diferente: não se preocupariam nem com as fantasias, nem com as práticas sexuais do paciente, mas com a culpa e a vergonha que as acompanham.

Eu também anunciaria ao paciente que não sei (ninguém sabe) disciplinar o desejo sexual; só posso, se ele quiser, tentar disciplinar a culpa e a vergonha que azucrinam sua vida e estragam seus prazeres.

Quem viu "Shame" (vergonha), de Steve McQueen, percebeu que nosso paciente hipotético se parece com o protagonista do filme.

Em cartaz desde sexta passada, "Shame" é, ao mesmo tempo, ousado e careta. Ousado, pelo retrato da procura sexual do protagonista (muitos, sem dúvida, se reconhecerão), e careta, porque essa procura parece ser necessariamente doentia, culpada e vergonhosa.

Concordo com Cássio Starling ("Ilustrada" de 16/3): o filme é ótimo, mas discordo do destaque do artigo, segundo o qual "McQueen foge do moralismo ao abordar a compulsão por sexo". Quem enxerga o desejo sexual do outro como uma patologia é sempre moralista. Em matéria de sexo, patologizar é o jeito moderno de estigmatizar e policiar (conselho: fuja de parceiros que acham você "doente").

McQueen (na mesma "Ilustrada") declarou que o negócio dele é desafiar as pessoas. Ora, apresentar um obcecado por sexo como um doente que sofre de vergonha e culpa, isso não é desafio algum -ao contrário, é a confirmação de um lugar-comum.

Um lugar-comum confirmado por psiquiatria e psicologia? Nem isso.

Certo, desde o século retrasado, a psiquiatria e a psicologia são regularmente chamadas a substituir a religião, que (digamos assim) cansou de ser a grande ordenadora e controladora do comportamento humano. No caso, a ideia da "sexo-dependência" surgiu nos anos 1970 -provavelmente, como reação contra o interesse "excessivo" pelo sexo durante a dita liberação sexual dos anos 1960.

Mas, sentindo talvez o bafo do moralismo, muitos psiquiatras e a psicólogos receberam essa categoria diagnóstica com desconfiança. Quem a adotou e promoveu foram a imprensa e o grande público (e isso bastou para que surgisse uma pequena indústria de clínicas, programas universitários etc.). Mas por quê, então, esse sucesso popular da "sexo-dependência", na qual McQueen parece acreditar?

Apenas uma constatação: a associação de sexo com vergonha e culpa é um bordão cultural muito antigo, no qual somos convidados a acreditar por todo tipo de poder. A exigência de domesticar o desejo sexual parece ser, aos olhos de todos, um pré-requisito básico de qualquer ordem social.

Além disso, há a eterna inveja dos reprimidos: como dizia Alfred Kinsey, em regra, os que consideramos doentes e maníacos sexuais são apenas os que praticam mais sexo do que a gente.

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"Cine Camaleão - A Boca do Lixo" homenagea cineastas paulistanos dos anos 1960

LUIZ FERNANDO RAMOS
CRÍTICO DA FOLHA
É teatro ou cinema? A pergunta é o bordão irônico de "Cine Camaleão - A Boca do Lixo", do grupo Pessoal do Faroeste, que combina cenas ao vivo e filmadas para homenagear cineastas paulistanos dos anos 1960. O espetáculo contagia pelo bom humor.

Com a montagem, o diretor da Faroeste e dramaturgo Paulo Faria prossegue no projeto de resgatar histórias de São Paulo a partir de marcas do passado. Ocupa espaço na rua do Triunfo, em Santa Ifigênia, onde conviveram produtores do cinema marginal e de pornochanchadas.

Na trama rocambolesca de Faria, um diretor que ficara famoso com o estilo "faroeste feijoada", mas sobrevivia com a pornografia branda, aceita o convite de uma cantora pop para fazer um filme de sexo explícito.

Em subtrama, uma delegada do vizinho Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que é atriz nas horas vagas, investiga o envolvimento da mulher do cineasta com um terrorista procurado.

As narrativas vão se cruzando com idas e vindas, em meio a uma cenografia repleta de ícones do brega.

Nas cenas ao vivo, o registro é de chanchada, mas com toque de distanciamento épico e cadência de musical, ainda que se cante pouco.

Esse tom cômico contrasta com o realismo do filme em paralelo, em que se desenvolve o roteiro de um faroeste urbano, baseado em crime de fato ocorrido na cidade. Aos poucos, os dois planos, mesmo em registros contrastados, se mesclam e cativam.

A surpresa é o desempenho de Mel Lisboa como Vanda Scarlatti, a cantora pop que quer explicitar suas partes íntimas nas telas. Segura e convincente, enfrenta com garra uma personagem quase alegórica e lhe dá contornos poéticos.

Roberto Leite (o cineasta Tony Reis) também se destaca em um elenco homogêneo, que se mantém entre a fé cênica e o deboche.

Em seu 15º ano de vida, a companhia Pessoal do Faroeste acerta a mão, concilia pesquisa séria e boa diversão e dá luz às trevas dos viciados em crack que perambulam em seu entorno.

CINE CAMALEÃO - A BOCA DO LIXO
QUANDO dom. e seg., às 19h, e sáb., às 21h; até 1º/4
ONDE Luz do Faroeste (r. do Triunfo, 301, tel. 0/xx/11/3362-883)
QUANTO contribuição voluntária
CLASSIFICAÇÃO 16 anos
AVALIAÇÃO bom

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quarta-feira, 21 de março de 2012

centro de cultura social

Biblioteca Terra Livre e CCS convidam:

domingo, 25 de março as 18:00h
cinema & anarquia:
"Louise Michel, a rebelde"
de Sólveig Anspach (França, 2009)
Exibição do filme que narra o desterro na ilha de Nova Caledônia, da ativista e anarquista Louise Michel, logo após a sua participação da comuna de paris. Um retrato de um período relativamente curto de sua vida, mas que denota as suas tendências políticas, sua posição feminista e sua percepção para o anarquismo. o filme participou da 33ª mostra de cinema de São Paulo.

centro de cultura social:

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Domingo, 25/03/12 - Cinema & Anarquia:"Louise Michel, a Rebelde" no CCS


                                                                                             

Biblioteca Terra Livre e CCS convidam:

 

domingo, 25 de março as 18:00h

cinema & anarquia:

"Louise Michel, a rebelde"

de Sólveig Anspach (França, 2009)

Exibição do filme que narra o desterro na ilha de Nova Caledônia, da ativista e anarquista Louise Michel, logo após a sua participação da comuna de paris. Um retrato de um período relativamente curto de sua vida, mas que denota as suas tendências políticas, sua posição feminista e sua percepção para o anarquismo. o filme participou da 33ª mostra de cinema de São Paulo.

Lm1

 

Centro de Cultura Social

rua General Jardim, 253 sala 22

próximo ao mêtro República

entrada franca

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terça-feira, 13 de março de 2012

sexualidade feminina".

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

A comissão criada no Senado está na direção certa ao propor a flexibilização da legislação sobre aborto. Suas propostas são sensíveis e respeitam os direitos das mulheres.

A visão é da socióloga Eva Blay, professora da USP e histórica militante feminista.
Eleita suplente de FHC para o Senado nos anos 1990, ela se tornou senadora pelo PSDB e apresentou projeto descriminalizando o aborto, enfrentando a ira de religiosos.

Para ela, igrejas resistem ao tema por razões políticas. E acrescenta: "Essas igrejas preferem a morte das mulheres, uma forma de punir a sexualidade feminina".

Blay, 74, avalia que a reação conservadora à nomeação de Eleonora Menicucci revela que a nova ministra significa um passo à frente. Mas ainda é preciso acabar com os "valores patriarcais ainda em vigor no país", diz.

Folha - Qual sua opinião sobre a comissão do Senado que sugeriu flexibilizar a legislação sobre o aborto?
Eva Blay - Achei muito importante a iniciativa do Senado de criar uma comissão de juristas para tratar de várias questões, inclusive da interrupção da gravidez. As propostas são sensíveis e respeitam os direitos das mulheres.

Países como Portugal e Itália, onde a religião é forte, legalizaram o aborto. Por que esse tema é tão difícil no Brasil?
A resistência da parte de algumas igrejas tem no fundo um teor político. Isto é, intervém sobre o voto eleitoral que elas procuram conduzir. Essas igrejas preferem a morte das mulheres, uma forma de punir a sexualidade feminina.
Curioso que nada é dito sobre os homens, que, aliás, são tão responsáveis quanto as mulheres pela gravidez.

Como avalia o governo Dilma?
Eleger uma mulher no Brasil para a Presidência foi um grande passo. Mas não bastaria apenas ser mulher. Dilma está fazendo um excelente governo no campo dos direitos sexuais e reprodutivos.
Nomeou mulheres competentes para cargos ministeriais importantes, com isso traçou um novo paradigma no processo de igualdade de oportunidades para homens e mulheres.

A nomeação da ministra Eleonora Menicucci gerou reações entre os evangélicos.
Nomeá-la para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres foi excelente. Eleonora reúne competência profissional, visão feminista, atestada em suas obras na universidade e nos movimentos sociais. A reação conservadora a Eleonora revela que ela significa um passo à frente.

Onde houve mais avanços nos direitos das mulheres?
Avançamos muito, com ou sem a ajuda dos partidos políticos. Nosso maior problema ainda é a violência contra a mulher de todas as idades.
Só vamos superar esse problema quando, juntamente com os homens, mudarmos os valores patriarcais ainda em vigor no país. Vale repetir que ninguém é dono de ninguém e quem ama não mata.

Deveria vigorar uma lei punindo o empregador que paga menos à mulher que exerce a mesma função que homem?
Punir é importante. Não se trata de lei, mas de acordar um princípio.

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ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO
A comissão criada no Senado está na direção certa ao propor a flexibilização da legislação sobre aborto. Suas propostas são sensíveis e respeitam os direitos das mulheres.
A visão é da socióloga Eva Blay, professora da USP e histórica militante feminista.
Eleita suplente de FHC para o Senado nos anos 1990, ela se tornou senadora pelo PSDB e apresentou projeto descriminalizando o aborto, enfrentando a ira de religiosos.
Para ela, igrejas resistem ao tema por razões políticas. E acrescenta: "Essas igrejas preferem a morte das mulheres, uma forma de punir a sexualidade feminina".
Blay, 74, avalia que a reação conservadora à nomeação de Eleonora Menicucci revela que a nova ministra significa um passo à frente. Mas ainda é preciso acabar com os "valores patriarcais ainda em vigor no país", diz.
Folha - Qual sua opinião sobre a comissão do Senado que sugeriu flexibilizar a legislação sobre o aborto?
Eva Blay - Achei muito importante a iniciativa do Senado de criar uma comissão de juristas para tratar de várias questões, inclusive da interrupção da gravidez. As propostas são sensíveis e respeitam os direitos das mulheres.
Países como Portugal e Itália, onde a religião é forte, legalizaram o aborto. Por que esse tema é tão difícil no Brasil?
A resistência da parte de algumas igrejas tem no fundo um teor político. Isto é, intervém sobre o voto eleitoral que elas procuram conduzir. Essas igrejas preferem a morte das mulheres, uma forma de punir a sexualidade feminina.
Curioso que nada é dito sobre os homens, que, aliás, são tão responsáveis quanto as mulheres pela gravidez.
Como avalia o governo Dilma?
Eleger uma mulher no Brasil para a Presidência foi um grande passo. Mas não bastaria apenas ser mulher. Dilma está fazendo um excelente governo no campo dos direitos sexuais e reprodutivos.
Nomeou mulheres competentes para cargos ministeriais importantes, com isso traçou um novo paradigma no processo de igualdade de oportunidades para homens e mulheres.
A nomeação da ministra Eleonora Menicucci gerou reações entre os evangélicos.
Nomeá-la para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres foi excelente. Eleonora reúne competência profissional, visão feminista, atestada em suas obras na universidade e nos movimentos sociais. A reação conservadora a Eleonora revela que ela significa um passo à frente.
Onde houve mais avanços nos direitos das mulheres?
Avançamos muito, com ou sem a ajuda dos partidos políticos. Nosso maior problema ainda é a violência contra a mulher de todas as idades.
Só vamos superar esse problema quando, juntamente com os homens, mudarmos os valores patriarcais ainda em vigor no país. Vale repetir que ninguém é dono de ninguém e quem ama não mata.
Deveria vigorar uma lei punindo o empregador que paga menos à mulher que exerce a mesma função que homem?
Punir é importante. Não se trata de lei, mas de acordar um princípio.

segunda-feira, 12 de março de 2012

AMIGOS...