sábado, 30 de julho de 2011

ESTAMIRA GOMES DE SOUSA (1941-2011)

Protagonista do filme "Estamira"

JULIANA VAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 

Estamira Gomes de Sousa, ex-funcionária de um lixão que teve a vida retratada no documentário "Estamira", premiado no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2004, morreu anteontem, aos 70, no Rio de Janeiro.
A causa da morte foi uma infecção generalizada.
Natural de Jaraguá (GO), trabalhava havia mais de 20 anos no aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, quando o diretor do filme, Marcos Prado, a conheceu.
Em 1996, Prado já ganhara um prêmio de fotografia pelos registros realizados por três anos no lixão. Continuou indo ao local e, em 2000, pediu para tirar fotos de uma mulher que viu no caminho.
Era Estamira. Ela, que sofria de distúrbios mentais, lhe contou que tinha uma missão: "Revelar e cobrar a verdade". Questionou o fotógrafo se ele sabia qual era a dele. Antes que respondesse, disse: "A sua missão é revelar a minha missão". Assim, ele decidiu rodar o filme.
Segundo o filho Ernane, a mãe continuou recebendo atenção do diretor mesmo após o lançamento do filme. Ganhava uma mesada. À Folha Prado afirmou que cuidou dela diversas vezes.
Sobre sua morte, contou: "Ela foi totalmente negligenciada, ficou horas sem ser atendida no [hospital] Miguel Couto". Ernane diz que a mãe esperou mais de cinco horas. O hospital informou que ela deu entrada na terça com quadro infeccioso grave e que recebeu todo o acompanhamento necessário.
Segundo o filho, o enterro será hoje, às 11h, no cemitério do Caju, no Rio. 
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franciscoripo

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

"Bicicloteca" empresta livros para moradores de rua em SP

Alessandro Shinoda/Folhapress
Robson Mendonça e sua bicicloteca na pça. da Sé; acervo de sua biblioteca sobre rodas inclui Truman Capote e Lima Barreto 

DE SÃO PAULO 

A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1903-1950), é o livro que mais impressionou o ex-morador de rua Robson Mendonça, 60, gaúcho de Alegrete.
Por gostar de ler, e não poder pegar nada emprestado de bibliotecas públicas por não ter comprovante de endereço, ele tinha um sonho.
Quando melhorasse de vida, criaria uma biblioteca só para pessoas da rua.
Ontem, em pleno Marco Zero da capital paulista, na praça da Sé, lá estava ela.
A bicicloteca -uma bicicleta equipada com um baú atrás com centenas de livro dentro- fez a sua estreia.
"Até agora [por volta das 15h] 80 livros foram retirados", diz Mendonça, exibindo a lista de nomes escritos à mão em um caderno.
Quem pega um livro tem duas opções: ou passa adiante para quem quiser ler, ou devolve para a bicicleta.
Todo acervo do projeto, bancado exclusivamente por parceiros privados, é fruto de doações. No baú, títulos de Truman Capote, Lima Barreto e Graciliano Ramos.
Mendonça conta que perdeu a mulher e dois filhos em um acidente. Essa foi uma das causas que o levou para a rua, onde permaneceu por seis anos, até 2003.
"Perdi tudo após um golpe. Com documentos falsos, levaram o que tinha na conta do PIS/PASESP", diz.
Hoje, ele dirige uma ONG para pessoas das ruas. "Atendemos 380 desde janeiro".
(EDUARDO GERAQUE)
São Paulo, quarta-feira, 27 de julho de 2011 

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas (GEPAn)

Gepan-logo2

http://gepanufpb.wordpress.com/apresentacao/

Apresentação

Português:

O Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas (GEPAn) é um espaço de confluência entre estudantes, pesquisadores, professores e interessados nos Estudos Anarquistas e temáticas afins. Promove sessões abertas de estudos; organiza atividades regulares tais como seminários temáticos, cursos livres, encontros, mesas e palestras; reúne professores e pesquisadores provenientes de diversos âmbitos para o estabelecimento de cooperação e intercâmbio acadêmico e científico; realiza a formação e a capacitação de equipe de pesquisadores.

O GEPAn é uma iniciativa autogestionária de pessoas interessadas nos saberes e valores do Anarquismo clássico e contemporâneo, engajadas em aplicá-los como éthos de pesquisa: Anarquismo não como simples objeto de conhecimento, mas como maneira de conhecer e modalidade de saber.

Español:

El Grupo de Estudios e Investigación Anarquistas (GEPAn) es un punto de encuentro entre estudiantes, investigadores, profesores y cualquier persona interesada en los Estudios Anarquistas y temas afines. Promueve sesiones abiertas de estudios, organiza actividades regulares, tales como seminarios temáticos, cursos gratuitos, talleres, conferencias y mesas; reúne profesores e investigadores de varias áreas para establecimiento de intercambio académico y científico, promueve la formación y lleva a cabo la capacitación del equipo de investigadores.

El GEPAn es una iniciativa autogestionada de personas interesadas en los valores y conocimientos del Anarquismo clásico y contemporáneo,  comprometidas con el Anarquismo entendido como éthos: el Anarquismo no como un mero objeto de conocimiento, sino como una forma de conocer y una modalidad del saber.

Italiano:

Il Gruppo degli Studi e Ricerchi Anarchiche (GEPAn) è un spazzo de confluenza tra studenti, ricercatori, professori e interessati negli Studi Anarchici e teme affini. Promuove sezioni pubbliche di studio; organizza attività regolari come seminari, corsi liberi, incontri, tavole e conferenze; raggruppa professori e ricercatori provenienti da diversi ambiti per stabilire la cooperazione e l’intercambio academico e scientifico; realizza la formazione e la qualificazione d’équipe di ricercatori.

Il GEPAn è un’iniziativa autogerita di persone interessate nel sapere e valori dell’Anarchismo classico e contemporaneo, ingaggiate a impiegarli come ethos di ricerca: Anarchismo non semplicemente come oggetto di conoscenza, ma come maniera de conoscere e modalità di sapere.

Français:

Le Groupe d’Études e Recherches Anarchistes (GEPAn) c’est un espace de confluence entre étudiants, chercheurs, professeurs et intéressés aux Études Anarchistes et affins. Soutien sessions ouvertes d’études ; organise activités régulières comme séminaires, cours livres, rencontres, tables e conférences ; réunit professeurs e chercheurs provenant de divers champs pour établir la coopération et l’échange académique e scientifique ; réalise la formation e la capacitation de équipe de chercheurs.

Le GEPAn c’est une initiative autogéré de personnes intéressés aux savoirs et valoirs de l’Anarchisme classique et contemporaine, engagés en les appliquer comme ethos de recherche : pas l’Anarchisme comme simples objet de recherche, mais comme manière de connaître et modalité de savoir.

Deutsch:

Die Studien- und Forschungsgruppe Anarchismus (GEPAn) ist ein Treffpunkt für Studenten, Forscher, Professoren und an Anarchismus und ähnlichen Themen interessierte. Sie fördert offene Lernveranstaltungen; Organisiert regelmäßige Aktivitäten, wie thematische Seminare, freie Kurse, Treffen, Diskussionen und Vorträge; Vereint Professoren und Forscher aus verschiedenen Bereichen zur Einrichtung von akademischem und wissenschaftlichem Zusammenarbeiten und Austausch; Realisiert die Schulung und Fortbildung eines Forschungsteams.

Die GEPAn ist eine selbstorganisierte Initiative von Menschen, die sich für das Wissen und die Werte des klassischen und zeitgenössischen Anarchismus interessieren und ihn als Wissenschaftsethos anwenden: Anarchismus nicht nur als Studienobjekt, sondern als Art zu denken und Modalität des Wissens.

English:

The Group for Research and Studies of Anarchism (GEPAn) is a meeting ground between students, researchers, teachers and anyone interested in anarchist studies and related subjects. Promotes open sessions of studies, organizes regular activities such as thematic seminars, free tutorials, workshops, lectures and discussion; brings together professors and researchers from various areas for the establishment of academic and scientific cooperation and exchange; realizing the formation and the training of a staff of researchers.

The GEPAn is a self-managed initiative of people interested in the knowledge and the values ​​of classic and contemporary anarchism, engaged in applying them as research ethos:  Anarchism not as a mere object of knowledge, but as a manner of research and thinking.

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domingo, 24 de julho de 2011

Terrorist attack in Oslo - Anarchist point of view

IJ@

International Journal of Anarchism

ifa-Solidaritet - folkebladet - © ISSN 0800-0220 no 4 (31) editor H. Fagerhus - Contact IJA

Bulletin of the Anarchist International


Terrorist attack in Oslo - Anarchist point of view

The global fight against jihad-terrorism, terrorism at large and ochlarchy (mob rule broadly defined) in general is central to anarchism, anarchy, i.e. Libertarian Human Rights and Real Democracy, and anarchists. Anarchists, the real ones, have always been opposed to ochlarchy, including all forms of terrorism, as well a other x-archy, where x can be anything but not 'an'. To get rid of ochlarchy including terrorism, via direct actions and other actions within the framework of and/or compatible with real democracy including libertarian human rights, is central to the fight for anarchy and more of it; the main aim, strategy and tactics of anarchists. The International Anarchist Tribunal, IAT-APT, also has important reports about anarchy and anarchism vs terrorism and ochlarchy in general.

22.07.2011. Ad terrorist attack in Oslo, the capital of the Anarchy of Norway. "Probably done by international terrorists, Al-Qaeda, Gaddafi or similar. Not anarchists behind," the Anarchist International Security Council, AISC, and the International Anarchist Tribunal, IAT-APT, say to AIIS in a preliminary report. In the evening at least seven people were reported dead, there may be more. The Anarchist Federation of Norway, AFIN, and the Anarchist International, AI/IFA, condemned this violent, ultra-authoritarian and extremist attack on a peaceful anarchy and anarchism. In connection to the bomb attack in Oslo a man dressed as a police officer gunned down youths at a summer camp at Utøya, killing at least 10. The man who opened fire at the youth camp was Norwegian and later arrested by the police.

23.07.2011. Early Saturday the Norwegian police report that at least 80 were killed at Utøya. Suspect in Oslo and Utøya [øya means island] terrorist attacks is Anders Behring Breivik, 32-year-old, about 6ft tall and blond. He has tweeted: "One person with a belief is equal to the force of 100 000 who have only interests," quoting the liberalist John Stuart Mill. He promotes christian and arch-conservative opinions, which he also called nationalist. He expresses himself strongly opposed to multiculturalism – that cultural differences can live together in a community. In one of the posts he states that politics today no longer revolves around socialism against capitalism, but that the fight is between nationalism and internationalism, a basic anarchist principle. Anders Behring Breivik is most likely a brown & blue conservative and christian fundamentalist and rightwing extremist, i.e. an ultra-authoritarian liberalist (totalitarian, not liberal liberalism), and not a nazi, see the economic-political map. This is an international political current that also includes terrorists, say, in Sweden the "olympian bomber", and in USA the "Oklahoma bomber", but the Norwegian police suggest Anders Behring Breivik was alone in the attacks.

Anders Behring Breivik has earlier been a member of the populist Fremskrittspartiet, Frp, and its youth organization. Although the main tendency of Frp is right-populism, small fractions of extreme liberalists and even nazis are connected to the party. Media reports in Norway paint a portrait of Breivik as a "loner", who lived with his mother in a wealthy suburb of west Oslo, was well educated and enjoyed hunting. An Oslo police spokeswoman said Breivik has been charged with two counts of terrorism. She said he would have to appear in court within three days. Breivik may be sentenced to the Norwegian maximum time in prison, 21 years. The Norwegian Anarchist Council, NACO, declares to the Norwegian people: "Stay calm and continue with the Anarchy!"

Oddny Estenstad, a spokeswoman for a Norwegian farm co-operative, said the suspect had been a customer. She told the AFP news agency: "We sold him six tonnes of fertilizer, which is a relatively standard order." The police later confirmed that fertilizer was used to make a bomb at Breivik's farm. Jane Owen, the British ambassador to Norway, tells the BBC there is a sense of shock and devastation in Oslo, where quite a large a proportion of the country live. She says it brings home the threat of terrorism, from whatever quarter. She is also mentioning the "libertarian tradition" in Norway on BBC TV. She says she has been struck by the fortitude and solidarity of the Norwegian people which will help them get through the coming days.

In the afternoon the Norwegian police confirmed a carbomb was used in the blast in Oslo. The police said: "It was a very powerful bomb, and it was in a car. The car didn't stand there for very long. We have taken possession of the car that he used from Oslo to Utøya." In a 1,500-page manifesto, posted on the Web hours before the attacks, Mr. Breivik recorded a day-by-day diary of long time of planning for the attacks, and claimed to be part of a small group that intended to "seize political and military control of Western European countries and implement a cultural conservative political agenda." He predicted a conflagration that would kill or injure more than a million people, adding, "The time for dialogue is over. We gave peace a chance. The time for armed resistance has come." The manifesto was signed Andrew Berwick, an Anglicized version of his name.

The document also describes a secret meeting in London in April 2002 to reconstitute the Knights Templar, a Crusader military order. It says the meeting was attended by nine representatives of eight European countries, evidently including Mr. Breivik, with an additional three members unable to attend, including a "European-American." Mr. Breivik was also believed to have posted a video on Friday summarizing his arguments. In its closing moments, the video depicts Mr. Breivik in military uniform, holding assault weapons. Rarely has a mass murder suspect left so detailed an account of his activities.

24.07.2011. Norway, included the anarchists, mourned on Sunday close to 100 people killed in a shooting spree and car bombing by a Norwegian who saw his attacks as "atrocious, but necessary". In his first comment via a lawyer since his arrest, Anders Behring Breivik, said he wanted to explain himself at a court hearing Monday about extending his custody. "He has said that he believed the actions were atrocious, but that in his head they were necessary," his lawyer Geir Lippestad said. Oslo's acting police chief Sveinung Sponheim confirmed to reporters that Breivik would be able to speak to the court. It was not clear whether the hearing would be closed or in public. "He has admitted to the facts of both the bombing and the shooting, although he's not admitting criminal guilt," Sponheim said, adding that Breivik had said he acted alone. Police were checking this because some witness statements from the island spoke of more than one gunman, Sponheim said. More news soon!


THE INTERNATIONAL CONFERENCE ON TERRORISM 2001-11

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I. Introduction
II. The al-Qaeda polyarchical terrorist network
III. Authoritarian errors of USA criticized proportional to realities
IV. The al-Qaeda terrorist attacks
V. Anarchists vs ochlarchy against muslims, Jews, pacifists, free speech etc.
VI. The anti-terrorist coalition and the counterforces
VII. Armed struggle against Taleban/al-Qaeda and aid to the people
VIII. Allies launch attack, bioterror, updated news and comments etc.
A.
News updates
B. An overview - NB! Latest news above this anchor

IX. The roots of terrorism
X. Condolences
XI.
Terrorism defined
XII. Resolutions from the International Anarchist Tribunal IAT
A.
Resolutions from APT International Branch
B.
Resolutions from APT Northern Branch
C. The Oslo Convention and the media


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FERNANDA TORRES

Pornochanchada


Obedecendo à lei do eterno retorno, era de esperar que um gênero proscrito tão poderoso quanto esse voltasse a se fazer presente

Acabo de assistir a um concerto da Orquestra Filarmônica da Radio France no Albert Hall de Londres. Eu jamais havia pisado no imenso Maracanãzinho vitoriano. Eu me surpreendi não só com a qualidade de dois extraordinários compositores contemporâneos que não conhecia, Pascal Dusapin e Olivier Messiaen, como com a popularidade da casa.
Pessoas de jeans e camiseta lotavam os milhares de lugares. Muitos assistiam de pé, como num concerto de rock, provando que a música erudita na Europa é uma tradição tão mundana quanto o futebol. 
No avião para cá, lendo uma pilha de revistas e jornais, li a opinião uníssona das resenhas a respeito de "Cilada.com", de Bruno Mazzeo e José Alvarenga Jr., afirmando que marca o retorno definitivo das pornochanchadas às telas brasileiras.
Cada país tem a tradição cultural que merece e, como dizia um psicanalista que me atendeu por longos anos, é preciso "bem dizê-la".
A pornochanchada foi um fenômeno arrebatador que influenciou o cinema feito no Brasil por quase 20 anos. 
Acalento a vontade de resgatar essa filha bastarda e não me espanta vê-la ressurgir repaginada. 
Na ditadura, os intelectuais fugidos da perseguição e da censura se infiltraram na Boca do Lixo e produziram o mais bizarro gênero de que se tem notícia, uma mistura de heróis niilistas com mulheres de calcinha: a pornochanchada cabeça. 
Essa bem-sucedida fusão foi a saída para os que buscavam atingir o grande público e para os que pregavam a revolução para as massas.
"Giselle" é um exemplo fascinante do gênero. Fruto da devassidão sem limite da elite abastada, a grã-fina Giselle seduz o pai, a madrasta e o irmão até conhecer uma guerrilheira sapata, com quem descobre a aliança entre o sexo e o amor. 
Após presenciar o assassinato da amante, metralhada pela repressão, retorna à perdição da aristocracia decadente. E dá-lhe polca!
O filme de 1980 é modelo de uma estética que comandou as telas brasileiras até a retomada. Nela, o cinema novo, a Boca do Lixo e as chanchadas da Atlântida se mesclavam com a predominância de uma ou outra corrente. 
De "Dona Flor" a "Rio Babilônia", passando por "Eu te Amo", "Chica da Silva" e "Engraçadinha", muitos títulos de nossa filmografia traziam traços dessa mistura de escolas. 
Depois do deserto criado com o fim da Embrafilme, a tragédia social tomou o lugar do nheco-nheco nas salas de exibição do país.
A partir de filmes como "Cidade de Deus" e "Central do Brasil", os meninos de rua e a violência social substituíram as mulheres nuas a correr pela praia e as fornicações nas cachoeiras da Tijuca. 
Obedecendo à lei do eterno retorno, era de esperar que um gênero proscrito tão poderoso quanto a pornochanchada voltasse a se fazer presente. As comédias burguesas substituíram a onda dos filmes sobre a miséria no gosto da audiência e, assim como nos anos 70, sua sexualização não tardou a acontecer. 
O Brasil, ao contrário da Argentina, tem dificuldade de filmar dramas burgueses. Parece que não há tragédia digna de ser contada sobre brasileiros que comem mais de uma vez por dia. A classe média é motivo de riso e perversão por aqui. 
Quando eu terminei as filmagens de "Os Normais 2", também dirigido por José Alvarenga Jr., descobri que, sem perceber, havíamos feito uma versão atualizada de uma pornochanchada. Afirmo isso sem nenhum desmerecimento ao filme. 
Fala-se de "Se Beber, Não Case", "O Virgem de 40 Anos" e "Porky's" como influência, mas ninguém cita "A Super Fêmea" ou "Histórias que Nossas Babás Não Contavam".
O diretor Karim Aïnouz me apresentou um roteiro interessantíssimo sobre a época de ouro das pornochanchadas que espero rodar. 
É preciso lapidar nossas origens de escracho carnal. Os europeus fizeram isso quando transformaram canções medievais em sinfonias. O problema é que pode levar séculos.


FERNANDA TORRES escreve mensalmente neste espaço.
São Paulo, domingo, 24 de julho de 2011 

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sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse é encontrada morta em sua casa aos 27 anos

A cantora Amy Winehouse, 27, foi encontrada morta em sua casa em Londres neste sábado. A notícia foi divulgada inicialmente pelo canal de britânico TV Sky News. Segundo o canal, a polícia confirmou a morte, mas ainda a considera "sem explicação".

Assista "Rehab", maior sucesso da carreira da cantora
Veja fotos da vida e da carreira de Amy Winehouse

A polícia foi chamada à casa de Winehouse, no bairro de Camdem Town, por volta das 16h deste sábado, respondendo a um chamado para atender uma mulher desmaiada, segundo nota divulgada.

"Ao chegar, oficiais encontraram o corpo de uma mulher de 27 anos que foi declarada morta no local", diz o comunicado publicado pelo TMZ.

Luke MacGregor-28.jun.2008/Reuters
Amy Winehouse
Amy Winehouse

Sua aparição pública mais recente aconteceu na última quarta-feira. Ela fez uma participação surpresa durante um show de sua protegida, a cantora de 15 anos Dionne Bromfield, em Londres. Segundo a imprensa britânica, ela subiu no palco aparentemente bêbada, dançou e pediu que o público comprasse o disco de Bromfield.

Winehouse tem dois álbuns lançados e estava finalizando seu terceiro trabalho de estúdio.

Ela se tornou mundialmente conhecida com o sucesso do seu segundo CD, "Back to Black", lançado em 2006. Ele trazia canções que falavam sobre drogas, bebidas e relacionamentos conturbados, como "Rehab", "Back to Black" e "You Know I'm No Good".

No início deste mês, Amy bebeu até "apagar" pelo menos três vezes em uma semana, segundo o tabloide "The Sun".

"Amy está constantemente fora de controle por causa da vodka", contou à publicação uma pessoa próxima a ela. "Ela está fazendo muito barulho quando bebe para esquecer de tudo em sua casa no norte de Londres."

Winehouse teve sua turnê cancelada na Europa após uma performance desastrosa em Belgrado, na Sérvia, no dia 18 de junho.

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

CARICATURA – Bolsonaro & Homofobia by Marcelographics | Marcelographics – Cartunista e Animador

"Pai abraça filho, é chamado de gay e tem orelha cortada"

CARICATURA – Bolsonaro & Homofobia by Marcelographics | Marcelographics – Cartunista e Animador

"Pai abraça filho, é chamado de gay e tem orelha cortada"

Pai abraça filho, é chamado de gay e tem orelha cortada

Autônomo de 42 anos e estudante de 18 são espancados em feira agropecuária

Caso ocorreu em São João da Boa Vista, no interior paulista; dois dos seis agressores foram identificados 

LAURA CAPRIGLIONE
ENVIADA A VARGEM GRANDE DO SUL

"Então, eu não posso mais abraçar meu filho em público?", pergunta J.C.G., 42, enquanto exibe a orelha esquerda -ou o que restou dela, agora reduzida a um retalho de um centímetro de largura.
Confundidos com um casal homossexual, o pai e o filho, de 18 anos, que se haviam abraçado no meio da feira agropecuária anual de São João da Boa Vista, cidade a 216 km de São Paulo, foram atacados por seis rapazes na noite de quinta passada.
Um soco na ponta do queixo fez o pai desabar, inconsciente. "Quando acordei, só ouvia os gritos: "O homem está sem orelha. Sem orelha!"."
Uma testemunha, vendedora em uma barraca de alimentos, teve de pular o balcão para puxar um dos agressores que enforcava J.C.G..
R.G., o filho, estudante de educação física em São Bernardo do Campo, lutava para se desvencilhar dos golpes. Saiu levemente ferido.
Ao lado de J.C.G. jazia o pavilhão auricular, carneado por instrumento cortante "de baixo para cima", como explicou o médico de plantão.
A vendedora que tentou apartar a briga providenciou um copo de gelo, onde pôs o pedaço de orelha imaginando um possível reimplante.

SUSPEITOS
O delegado Fernando Zucarelli Pinto anunciou ter identificado dois dos agressores. Um deles, um serralheiro de 25 anos, confessou ter participado do ataque. Responderá em liberdade sob suspeita de lesão corporal.
Vivendo em cidades diferentes, o pai no interior e o filho no ABC, o fim de semana prometia. Os dois visitariam, em companhia das respectivas namoradas, a feira, que reúne shows, rodeios, provas de charretes e hipismo, além de exposições de bovinos, equinos, ovinos e caprinos.
Já tinham comprado ingressos para as apresentações da dupla Jorge e Matheus e investiram em um camarote VIP para ver a cantora de axé Claudia Leitte.
Mas o programa acabou na própria quinta, quando descansavam na praça de alimentação. As namoradas tinha ido ao banheiro. Foi quando pai e filho se abraçaram, o pai colocando o braço em volta do pescoço do filho.
Nessa hora, diz o pai, uma turma de jovens se dirigiu a eles com a pergunta: "E aí? Vocês são gays?". "Eu disse que não, que éramos pai e filho. Não queria confusão."
Mas os garotos teriam prosseguido: "Agora que liberou, vocês têm de dar beijinho". O pai afirma que houve um certo empurra-empurra, rapidamente desmobilizado. Os rapazes sumiram.
"Então, de repente, do nada, eles voltaram, querendo briga. Ainda tive tempo de chamar meu filho para ficar perto de mim. Foi quando recebi o soco no queixo."

ORGANIZAÇÃO 
J.C.G. reclama da organização do evento. Segundo ele, nenhum segurança conteve os agressores. "Tive de andar mais de 500 m sangrando. Ninguém nos socorreu."
Os organizadores dizem que a feira tem 200 seguranças. As imagens do circuito de câmeras, que ajudaram na identificação dos agressores, foram colocadas à disposição da polícia, afirmam eles.
O pedaço de orelha apodreceu antes que se pudesse tentar um reimplante. A saída, agora, é tentar a reconstituição com um pedaço de cartilagem tirado da costela.
Vivendo em Vargem Grande do Sul, cidade vizinha, J.C.G. diz estar triste e confuso: "Talvez, se eu tivesse revidado na hora das gozações, eles não tivessem tido coragem de ir tão longe."
Há 17 dias, um jardineiro de 27 anos, homossexual, foi assassinado por um ceramista em Vargem Grande do Sul. A família da vítima diz que ele foi vítima de homofobia.

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Apresentação « GEPAn

Apresentação

Português:

O Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas (GEPAn) é um espaço de confluência entre estudantes, pesquisadores, professores e interessados nos Estudos Anarquistas e temáticas afins. Promove sessões abertas de estudos; organiza atividades regulares tais como seminários temáticos, cursos livres, encontros, mesas e palestras; reúne professores e pesquisadores provenientes de diversos âmbitos para o estabelecimento de cooperação e intercâmbio acadêmico e científico; realiza a formação e a capacitação de equipe de pesquisadores.

O GEPAn é uma iniciativa autogestionária de pessoas interessadas nos saberes e valores do Anarquismo clássico e contemporâneo, engajadas em aplicá-los como éthos de pesquisa: Anarquismo não como simples objeto de conhecimento, mas como maneira de conhecer e modalidade de saber.

Apresentação « GEPAn

Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas (GEPAn)


Gepan-logo2

http://gepanufpb.wordpress.com/apresentacao/

Apresentação

Português:

O Grupo de Estudos e Pesquisas Anarquistas (GEPAn) é um espaço de confluência entre estudantes, pesquisadores, professores e interessados nos Estudos Anarquistas e temáticas afins. Promove sessões abertas de estudos; organiza atividades regulares tais como seminários temáticos, cursos livres, encontros, mesas e palestras; reúne professores e pesquisadores provenientes de diversos âmbitos para o estabelecimento de cooperação e intercâmbio acadêmico e científico; realiza a formação e a capacitação de equipe de pesquisadores.

O GEPAn é uma iniciativa autogestionária de pessoas interessadas nos saberes e valores do Anarquismo clássico e contemporâneo, engajadas em aplicá-los como éthos de pesquisa: Anarquismo não como simples objeto de conhecimento, mas como maneira de conhecer e modalidade de saber.

Español:

El Grupo de Estudios e Investigación Anarquistas (GEPAn) es un punto de encuentro entre estudiantes, investigadores, profesores y cualquier persona interesada en los Estudios Anarquistas y temas afines. Promueve sesiones abiertas de estudios, organiza actividades regulares, tales como seminarios temáticos, cursos gratuitos, talleres, conferencias y mesas; reúne profesores e investigadores de varias áreas para establecimiento de intercambio académico y científico, promueve la formación y lleva a cabo la capacitación del equipo de investigadores.

El GEPAn es una iniciativa autogestionada de personas interesadas en los valores y conocimientos del Anarquismo clásico y contemporáneo,  comprometidas con el Anarquismo entendido como éthos: el Anarquismo no como un mero objeto de conocimiento, sino como una forma de conocer y una modalidad del saber.

Italiano:

Il Gruppo degli Studi e Ricerchi Anarchiche (GEPAn) è un spazzo de confluenza tra studenti, ricercatori, professori e interessati negli Studi Anarchici e teme affini. Promuove sezioni pubbliche di studio; organizza attività regolari come seminari, corsi liberi, incontri, tavole e conferenze; raggruppa professori e ricercatori provenienti da diversi ambiti per stabilire la cooperazione e l’intercambio academico e scientifico; realizza la formazione e la qualificazione d’équipe di ricercatori.

Il GEPAn è un’iniziativa autogerita di persone interessate nel sapere e valori dell’Anarchismo classico e contemporaneo, ingaggiate a impiegarli come ethos di ricerca: Anarchismo non semplicemente come oggetto di conoscenza, ma come maniera de conoscere e modalità di sapere.

Français:

Le Groupe d’Études e Recherches Anarchistes (GEPAn) c’est un espace de confluence entre étudiants, chercheurs, professeurs et intéressés aux Études Anarchistes et affins. Soutien sessions ouvertes d’études ; organise activités régulières comme séminaires, cours livres, rencontres, tables e conférences ; réunit professeurs e chercheurs provenant de divers champs pour établir la coopération et l’échange académique e scientifique ; réalise la formation e la capacitation de équipe de chercheurs.

Le GEPAn c’est une initiative autogéré de personnes intéressés aux savoirs et valoirs de l’Anarchisme classique et contemporaine, engagés en les appliquer comme ethos de recherche : pas l’Anarchisme comme simples objet de recherche, mais comme manière de connaître et modalité de savoir.

Deutsch:

Die Studien- und Forschungsgruppe Anarchismus (GEPAn) ist ein Treffpunkt für Studenten, Forscher, Professoren und an Anarchismus und ähnlichen Themen interessierte. Sie fördert offene Lernveranstaltungen; Organisiert regelmäßige Aktivitäten, wie thematische Seminare, freie Kurse, Treffen, Diskussionen und Vorträge; Vereint Professoren und Forscher aus verschiedenen Bereichen zur Einrichtung von akademischem und wissenschaftlichem Zusammenarbeiten und Austausch; Realisiert die Schulung und Fortbildung eines Forschungsteams.

Die GEPAn ist eine selbstorganisierte Initiative von Menschen, die sich für das Wissen und die Werte des klassischen und zeitgenössischen Anarchismus interessieren und ihn als Wissenschaftsethos anwenden: Anarchismus nicht nur als Studienobjekt, sondern als Art zu denken und Modalität des Wissens.

English:

The Group for Research and Studies of Anarchism (GEPAn) is a meeting ground between students, researchers, teachers and anyone interested in anarchist studies and related subjects. Promotes open sessions of studies, organizes regular activities such as thematic seminars, free tutorials, workshops, lectures and discussion; brings together professors and researchers from various areas for the establishment of academic and scientific cooperation and exchange; realizing the formation and the training of a staff of researchers.

The GEPAn is a self-managed initiative of people interested in the knowledge and the values ​​of classic and contemporary anarchism, engaged in applying them as research ethos:  Anarchism not as a mere object of knowledge, but as a manner of research and thinking.

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Ministra confirma o tombamento do Oficina

DE SÃO PAULO - Foi publicada ontem, no "Diário Oficial da União", a homologação do tombamento do Teatro Oficina. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, ratificou a decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de junho de 2010.
O Oficina abriga em seu prédio no Bexiga, no centro de São Paulo, o grupo teatral dirigido por José Celso Martinez Corrêa desde 1958.

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A ODISSEIA DO CAPITAL

Diretor alemão Alexander Kluge mistura obra de Marx com "Ulisses", de James Joyce

Regina Schmeken/Divulgação
O diretor alemão Alexander Kluge 

ELEONORA DE LUCENA 
DE SÃO PAULO 

São nove horas e meia de filme. O desafio é trazer para a tela "O Capital", de Karl Marx, misturando com "Ulisses", de James Joyce.
A ideia original foi de Sergei Eisenstein quando, em 1927, começava a cortar as 29 horas de "Outubro". O cineasta russo pensou em usar no seu novo projeto o método do escritor dublinense. Restaram anotações esparsas.
A partir dessa matéria-prima, Alexander Kluge criou o seu amazônico "Notícias da Antiguidade Ideológica, Marx, Eisenstein, O Capital".
Kluge, que aprendeu a filmar com Fritz Lang quando ele fazia "O Tigre de Bengala" (1959), conviveu com Adorno e se engajou no movimento do novo cinema alemão. Faz produções independentes e atua na TV alemã.
Seu "O Capital" é todo fragmentado. Usa múltiplas linguagens: imagens antigas, fatias de ópera, entrevistas com intelectuais, ensaios de música, trechos de filmes, letreiros de cartazes, reportagens, encenações caricatas com atores, declamações de poesia, documentários e leituras de clássicos.
Para quem vive fissurado em tuítes, notícias-relâmpago e mensagens em haicais, a duração do filme é um choque e vai na contramão dos sucessos do cinema. Ao mesmo tempo, a multiplicidade de recursos lhe confere uma faceta de eletricidade que conversa com o mundo veloz. É experimental e caótico.
O diretor parece não ter preocupação com o tempo e com a edição. Filósofos debatem com o cineasta o fetiche da mercadoria, a destruição criadora do capital, as revoluções, o trabalho alienado, a mais-valia, a crise do capitalismo. O ritmo às vezes é muito lento e cansativo. Noutras, é frenético e pede reflexão. Surpresas deságuam de quando em quando.
Em entrevista à Folha, Kluge, 79, diz que esse jeito de filmar tem paralelo com a "Odisseia", de Homero. Explica que não trabalha com os métodos lineares de narrativa. Prefere usar a metáfora de uma bola, em que, a partir do núcleo, saem as histórias.
"Se você fica no centro da bola, pode atingir todos os seus pontos e sempre voltar ao núcleo. Pode trabalhar em fragmentos, com pequenos filmes abreviados. Isso mantém o interesse do público."
E quem é o público de Kluge? O filme é para poucos, para intelectuais, para ser debatido em grupos de estudo?, pergunto. "Não tem nada de acadêmico. O filme é para pessoas normais -jovens, por exemplo. As pessoas são mais inteligentes do que a mídia pensa."
Kluge ("A Patriota") reconhece que não é fácil explicar temas como economia, Marx, Eisenstein. No decorrer do filme, fica perguntando como fazer isso a seus entrevistados. O resultado em geral não é didático.
Mas, no início do segundo DVD, o filme "O Homem na Coisa", de Tom Tykwer, abre uma inusitada janela de luz sobre o intrincado conceito de mercadoria. Numa cena banal de rua de Berlim, a câmera mergulha nos detalhes, buscando a história de uma bolsa, um chiclete, uma pedra de calçamento, uma placa -de onde vem tudo isso, qual foi o trabalho envolvido.
É um dos pontos mais interessantes do conjunto. Na sequência, uma citação de "O Capital": [A análise da mercadoria] "mostra que é uma coisa muito complexa, cheia de sutilezas metafísicas e de argúcias teológicas".
À Folha Kluge afirma que Marx, assim como Adam Smith, é essencial para entender a crise atual. Acentua que é contra dogmatismos.
"Marx não foi dogmático; foi também um poeta", diz. Para o cineasta, a compreensão da realidade exige "o uso de vários mapas", até o dos economistas de Chicago.
Conta que fez um filme sobre a crise grega, fazendo ligações com a Alemanha. Outro, de sete horas, sobre a história do Japão e o desastre de Fukushima. Mais um, de 12 horas, trata da Primeira Guerra. Sua mais recente obra revisita o mito do Minotauro para discutir o amor.
Fala com entusiasmo da rebelião no Egito e refuta a ideia de que o mundo esteja mais conservador. "Os governos podem ser conservadores, mas as coisas, mesmo assim, estão mudando. A realidade é fragmentada."
Como em seus filmes. E Hollywood? Ele suspira. "Não tenho nada contra. Poderiam fazer mais." Elogia "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino. "O cinema é como o mito de Fênix", diz, avaliando que hoje há muitos novos e bons cineastas. Como exemplo, cita o alemão Romuald Karmakar.
Mas sua predileção é mesmo por Eisenstein e Jean-Luc Godard, que dá uma curiosa entrevista no terceiro DVD. E como se define Kluge?
"Não sou político; gosto de observar as coisas", diz.


NOTÍCIAS DA ANTIGUIDADE IDEOLÓGICA: MARX, EISENSTEIN, O CAPITAL
DIREÇÃO Alexander Kluge DISTRIBUIÇÃO Versátil QUANTO R$ 68, em média CLASSIFICAÇÃO 14 anos

EXIBIÇÃO DO FILME EM DVD 
QUANDO hoje, 10h às 13h10 (parte 1), 14h às 16h (parte 2) e 16h30 às 19h35 (parte 3), no Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, tel. 0/xx/11/3095-9400) 
QUANTO grátis

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Folha de S.Paulo - Calçadas e estações serão liberadas para artistas de rua - 17/07/2011

Folha de S.Paulo - Calçadas e estações serão liberadas para artistas de rua - 17/07/2011
"após o músico Rafael Pio ser preso numa apresentação na avenida Paulista..."

"após o músico Rafael Pio ser preso numa apresentação na avenida Paulista..."


Calçadas e estações serão liberadas para artistas de rua

Nova regra da prefeitura autorizará atores e músicos a trabalharem nas vias, onde será permitido pedir dinheiro

Metrô também vai liberar apresentações, mas será proibido "passar o chapéu" nos acessos aos trens 

EVANDRO SPINELLI
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO 

A Prefeitura de São Paulo decidiu "liberar" as calçadas da cidade para os artistas de rua trabalharem. Passar o chapéu vai ser permitido.
Até o Metrô, que hoje limita a atuação de artistas em suas estações, também deve entrar no projeto. As apresentações serão liberadas, mas apenas para artistas selecionados, que não poderão pedir dinheiro aos usuários.
O projeto é parte de uma série de ações que envolvem os artistas de rua e o incentivo ao turismo em São Paulo.
No centro, por exemplo, serão mapeados os melhores lugares para os artistas se apresentarem. Também será instalada sinalização turística para pedestres.
As ações que envolvem os artistas de rua estão sendo negociadas com a classe.
O texto final da portaria que vai regulamentar a atividade deve ser apresentado amnhã, em uma reunião do prefeito Gilberto Kassab (PSD) com líderes do grupo.
Não haverá restrição para a atuação dos artistas, mas foram estabelecidas regras que precisarão ser cumpridas por todos. Por exemplo, eles poderão ocupar no máximo um terço das calçadas, deixando no mínimo 1,20 metro de largura para o tráfego de pedestres. Nas praças, vale a mesma regra.

PROTESTOS
Em dezembro, após o músico Rafael Pio ser preso numa apresentação na avenida Paulista, artistas iniciaram manifestações contra fiscais, guardas municipais e PMs.
Os protestos motivaram uma série de reuniões com a prefeitura, o que resultou na portaria. Os artistas defendiam que não deveria haver regulamentação, pois a liberdade de expressão é garantida pela Constituição.
Já a prefeitura defendia a regulamentação para não prejudicar os pedestres.
Os artistas não precisarão de cadastro e poderão se apresentar e "passar o chapéu" pedindo dinheiro aos espectadores, mas não poderão vender produtos -CDs, livros, DVDs etc. Isso é motivo para uma nova etapa da mobilização, segundo Celso Reeks, líder dos artistas.
A SPTuris (empresa municipal de turismo) vai mapear os melhores locais para apresentações. Os artistas deverão criar uma programação fixa, que será incluída nos materiais de divulgação de roteiros turísticos da cidade.
Entre os locais estão as estações de metrô, muito usadas por turistas.
O Metrô confirmou que estuda participar do projeto de incentivo, mas não autorizará a coleta de contribuições.
Em nota enviada à reportagem, o órgão afirmou que busca uma forma de viabilizar a remuneração dos artistas selecionados.

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Só restou o medo

Envergonhadas, índias relatam terem sofrido abuso sexual praticado há cerca de seis anos por turistas americanos que realizavam excursões de pesca em rios da Amazônia 

Alberto César Araújo/Folhapress
Índias que dizem ter sido vítimas de abuso sexual 

KÁTIA BRASIL
ENVIADA ESPECIAL A AUTAZES (AM) 

O sentimento é de medo, vergonha e discriminação. É o que relatam à Folha quatro jovens índias da etnia mura, que dizem ter sido vítimas de abuso sexual praticado por turistas norte-americanos em excursões de pesca esportiva em rios da Amazônia.
Segundo elas, os estupros aconteceram há, no mínimo, seis anos. As vítimas afirmam que nunca conseguiram esquecer. Os turistas eram brancos, tinham mais de 40 anos, bebiam e tiravam fotos pornográficas.
Envergonhadas e com medo de serem discriminadas, as quatro deixaram a aldeia, na zona rural de Autazes, cidade ribeirinha a 118 km de Manaus. No local, o tema abuso sexual é tabu.
O caso veio à tona após a publicação de uma reportagem do jornal "The New York Times", no último dia 9. Segundo o jornal, a empresa de turismo norte-americana Wet-A-Line Tours é investigada pela Justiça do Estado da Geórgia (EUA) sob suspeita de explorar o turismo sexual no Brasil (leia abaixo).
As jovens aceitaram falar sob a condição de manterem o anonimato. "Minha família não sabe que aconteceu isso comigo. Por isso saí da aldeia e vim morar aqui na cidade. Eles não sabem de uma coisa dessa, não permitem", disse E. Na época, ela tinha 16 anos. Hoje, está com 22.
Elas vivem em extrema pobreza, em palafitas na periferia da cidade. Sobrevivem graças a programas sociais.
"As pessoas da cidade nos olham incomodadas com a situação. Até para conseguir trabalho é difícil. Não saio de casa por isso", disse U., hoje com 28 anos.
O principal investigado nos EUA é o norte-americano Richard Schair, dono da agência Wet-A-Line Tours.
No Brasil, ele e mais cinco brasileiros são processados na Justiça Federal no Amazonas sob a acusação de dez crimes, entre eles, estupro, favorecimento a prostituição infantil e formação de quadrilha. Em depoimento à polícia, eles negaram.
Segundo a Polícia Federal, mais de 15 meninas de aldeias de Autazes foram aliciadas com a promessa de trabalho e salário em dólar. A maioria delas tinha menos de 18 anos na época.
Segundo relatos das vítimas, os abusos ocorreram entre 2000 e 2009.
Hoje com 19 anos, a jovem I. conta que tinha 15 anos quando foi chamada para ser ajudante de cozinha em um dos barcos da Santana Turismo Ecológico, do brasileiro José Lauro Rocha da Silva, parceiro de Schair.
"Estava na cozinha quando eles me chamaram para o quarto. Fiquei nervosa, com medo. Voltei quatro vezes para o quarto, cada vez com um homem diferente. Era contra a minha vontade. Meu sentimento foi de nojo."
Uma das jovens afirmou que foi procurada em junho por um homem que disse trabalhar nos barcos de Lauro e Richard. Ele teria oferecido dinheiro caso elas retirassem o depoimento.

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sábado, 16 de julho de 2011

Folha de S.Paulo - Filme de Flavia Castro emociona franceses - 16/07/2011

Folha de S.Paulo - Filme de Flavia Castro emociona franceses - 16/07/2011
"Diário de uma Busca" documenta tentativa da diretora de elucidar morte do pai, Celso, assassinado em 1984

Militância trotskista do protagonista guia longa pelo universo da resistência contra a ditadura brasileira

"Diário de uma Busca"

Filme de Flavia Castro emociona franceses

"Diário de uma Busca" documenta tentativa da diretora de elucidar morte do pai, Celso, assassinado em 1984

Militância trotskista do protagonista guia longa pelo universo da resistência contra a ditadura brasileira

LENEIDE DUARTE-PLON
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS 

Lançado em Paris com a presença da autora, o filme franco-brasileiro "Lettres et Révolutions" ("Diário de uma Busca", no Brasil), de Flavia Castro, entusiasmou o público e a crítica franceses.
O filme é um mergulho na história pessoal da diretora, que o realizou para entender as condições obscuras da morte de seu pai.
Celso Castro foi encontrado morto em 1984, em Porto Alegre, na casa de um alemão suspeito de fazer parte de uma rede de ex-nazistas.
"Diário de uma Busca" será exibido no MoMA de Nova York, numa colaboração com o Festival Internacional do Rio, nos dias 17 e 25 de julho, na mostra "Première Brazil", com a presença da diretora. No Brasil, o longa entra em cartaz em 26 de agosto.
O ponto de partida de Flavia Castro é a história de seus pais, militantes trotskistas.
Por meio de cartas de Celso, ela conduz o espectador à realidade da clandestinidade, da militância dos jovens que faziam a luta armada no turbilhão da grande história: o Brasil, a Argentina e o Chile dos anos 60 e 70.
Paris é a última etapa antes da anistia de 1979, da volta ao Brasil e do drama da morte do pai, em circunstâncias que o filme se presta a tentar elucidar.
"A anistia era muito criticada pela esquerda brasileira, representava uma derrota de todo um projeto político", comenta Flavia.
O filme foi aplaudido pela exigente crítica francesa. "Com sensibilidade, sobriedade e muita inteligência, o filme é profundamente emocionante", escreveu o diário "Le Monde".
A descolada revista "Les Inrockuptibles" enfatiza "a capacidade da diretora de misturar com talento relato autobiográfico, rememorações e reencontros de família, arquivos e investigação quase policial".
"Essa busca da verdade é ainda mais emocionante por conduzir a um impasse, a morte de Celso, misteriosa para sempre", afirma a revista "Télérama".
"Cresci ouvindo falar na revolução. Tenho um imenso respeito pelas lutas da geração de meus pais. Sou fruto dela. Vivi metade da minha vida na França, meus filhos nasceram aqui", diz a diretora, que voltou ao Brasil em 1979 com os pais, mas retornou à França, onde morou até o ano 2000.

REUNIÕES
Flavia Castro debateu em Paris com um público interessado na história da luta armada. "Cresci no meio de adultos que faziam "reuniões" e é por isso que tenho horror a reuniões. Mas sou sensível às questões sociais, sobretudo no Brasil", diz.
"Infelizmente, o Brasil está atrasado em relação à Argentina, ao Chile e ao Uruguai. Não conseguimos enfrentar nosso passado e fazer o luto dos nossos mortos."
No debate estava o trotskista Alain Krivine, 70, figura mítica da extrema esquerda francesa.
Entusiasmado com o filme, Krivine, que conheceu os pais de Flavia no exílio parisiense, vê nele "uma magnífica homenagem a um combate que continua hoje de outras formas".

RECONHECIMENTO
"Diário de uma Busca" foi mostrado em diversos festivais internacionais e já acumula prêmios. No Festival de Gramado, ganhou o Prêmio da Crítica de melhor filme, além do Prêmio do Júri dos Estudantes, também de melhor filme.
No Festival Internacional do Rio, ganhou o prêmio de melhor documentário. No Festival Internacional de Punta del Este, ganhou o prêmio de melhor filme (concorrendo com ficções, entre as quais "Tropa de Elite 2") e, no Festival da América Latina de Biarritz, ganhou o prêmio de melhor documentário.
No festival da Argentina, a diretora conheceu antigos militantes políticos e seus filhos: "Foi emocionante. Pela primeira vez encontrei pessoas da minha geração, de outro país, que tinham vivido o mesmo que eu vivi".
No debate parisiense, um francês que fora membro do Comité de Solidarité France-Brésil, que ajudava os exilados, agradeceu à cineasta pelo filme que o ajudou "a conhecer melhor o problema político que levou milhares de pessoas a se exilarem na França nos anos 60 e 70".

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Coitado dos índios...e de nós!

 O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, causou polêmica ao dizer a uma equipe de TV australiana que seu trabalho não é cuidar do ambiente, e sim minimizar impactos ambientais. Depois, sem saber que estava sendo filmado, sugeriu que o Brasil faria com os índios a mesma coisa que a Austrália fez com os aborígenes, população nativa do país da Oceania.

As declarações foram dadas à repórter Allison Langdon, do programa "60 Minutes", que fazia uma reportagem sobre a licença de instalação da usina de Belo Monte, assinada por Trennepohl.

Eraldo Peres-1º.jun.2011/Associated Press
Curt Trennepohl, presidente do Ibama, fez comentários polêmicos para equipe de televisão da Austrália
Curt Trennepohl, presidente do Ibama, fez comentários polêmicos para equipe de televisão da Austrália

Na entrevista, Langdon confrontou o presidente do Ibama. Disse que seu antecessor, Abelardo Bayma, renunciara devido à pressão pelo licenciamento da usina que, segundo organizações ambientalistas, afetará os índios do Xingu, no Pará.

'TRANQUILO'

A repórter da Nine Network perguntou a Trennepohl se ele estava tranquilo com a decisão de licenciar a obra.

"Sim, a decisão foi minha", respondeu Trennepohl.

"Mas seu trabalho não é cuidar do ambiente?"

"Não, meu trabalho é minimizar os impactos."

Após a entrevista, sem saber que ainda estava com o microfone ligado, Trennepohl tentou argumentar com a jornalista australiana:

"Vocês têm os aborígenes lá e não os respeitam."

"Então vocês vão fazer com os índios a mesma coisa que nós fizemos com os aborígines?", questionou Landgon.

"Sim, sim", respondeu Trennepohl.

Hoje há cerca de 500 mil aborígines na Austrália, compondo menos de 3% da população do país.
Ao longo do século 19, os colonos britânicos que ocuparam a ilha chegaram a conduzir campanhas de extermínio, com recompensas pela morte de aborígines. O caso mais grave foi o da Tasmânia, Estado onde toda a população aborígine não mestiça tinha sumido em 1876.

AGREDIDO

Procurado pela Folha, o presidente do Ibama disse que foi agredido verbalmente pela repórter e que não afirmou "de forma nenhuma" que seu trabalho não era cuidar do ambiente brasileiro.

"Essa moça chegou numa atitude extremamente agressiva, disse que eu estava acabando com os índios."
Segundo Trennepohl, "a função do órgão licenciador é minimizar impactos quando um empreendimento é licenciado. Quando não dá para minimizar, nós indeferimos", afirmou.

Ele disse que não comentaria as declarações sobre os aborígines da Austrália.

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AMIGOS...