Militância trotskista do protagonista guia longa pelo universo da resistência contra a ditadura brasileira
sábado, 16 de julho de 2011
Folha de S.Paulo - Filme de Flavia Castro emociona franceses - 16/07/2011
Militância trotskista do protagonista guia longa pelo universo da resistência contra a ditadura brasileira
"Diário de uma Busca"
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS Lançado em Paris com a presença da autora, o filme franco-brasileiro "Lettres et Révolutions" ("Diário de uma Busca", no Brasil), de Flavia Castro, entusiasmou o público e a crítica franceses.
O filme é um mergulho na história pessoal da diretora, que o realizou para entender as condições obscuras da morte de seu pai.
Celso Castro foi encontrado morto em 1984, em Porto Alegre, na casa de um alemão suspeito de fazer parte de uma rede de ex-nazistas.
"Diário de uma Busca" será exibido no MoMA de Nova York, numa colaboração com o Festival Internacional do Rio, nos dias 17 e 25 de julho, na mostra "Première Brazil", com a presença da diretora. No Brasil, o longa entra em cartaz em 26 de agosto.
O ponto de partida de Flavia Castro é a história de seus pais, militantes trotskistas.
Por meio de cartas de Celso, ela conduz o espectador à realidade da clandestinidade, da militância dos jovens que faziam a luta armada no turbilhão da grande história: o Brasil, a Argentina e o Chile dos anos 60 e 70.
Paris é a última etapa antes da anistia de 1979, da volta ao Brasil e do drama da morte do pai, em circunstâncias que o filme se presta a tentar elucidar.
"A anistia era muito criticada pela esquerda brasileira, representava uma derrota de todo um projeto político", comenta Flavia.
O filme foi aplaudido pela exigente crítica francesa. "Com sensibilidade, sobriedade e muita inteligência, o filme é profundamente emocionante", escreveu o diário "Le Monde".
A descolada revista "Les Inrockuptibles" enfatiza "a capacidade da diretora de misturar com talento relato autobiográfico, rememorações e reencontros de família, arquivos e investigação quase policial".
"Essa busca da verdade é ainda mais emocionante por conduzir a um impasse, a morte de Celso, misteriosa para sempre", afirma a revista "Télérama".
"Cresci ouvindo falar na revolução. Tenho um imenso respeito pelas lutas da geração de meus pais. Sou fruto dela. Vivi metade da minha vida na França, meus filhos nasceram aqui", diz a diretora, que voltou ao Brasil em 1979 com os pais, mas retornou à França, onde morou até o ano 2000. REUNIÕES
Flavia Castro debateu em Paris com um público interessado na história da luta armada. "Cresci no meio de adultos que faziam "reuniões" e é por isso que tenho horror a reuniões. Mas sou sensível às questões sociais, sobretudo no Brasil", diz.
"Infelizmente, o Brasil está atrasado em relação à Argentina, ao Chile e ao Uruguai. Não conseguimos enfrentar nosso passado e fazer o luto dos nossos mortos."
No debate estava o trotskista Alain Krivine, 70, figura mítica da extrema esquerda francesa.
Entusiasmado com o filme, Krivine, que conheceu os pais de Flavia no exílio parisiense, vê nele "uma magnífica homenagem a um combate que continua hoje de outras formas".RECONHECIMENTO
"Diário de uma Busca" foi mostrado em diversos festivais internacionais e já acumula prêmios. No Festival de Gramado, ganhou o Prêmio da Crítica de melhor filme, além do Prêmio do Júri dos Estudantes, também de melhor filme.
No Festival Internacional do Rio, ganhou o prêmio de melhor documentário. No Festival Internacional de Punta del Este, ganhou o prêmio de melhor filme (concorrendo com ficções, entre as quais "Tropa de Elite 2") e, no Festival da América Latina de Biarritz, ganhou o prêmio de melhor documentário.
No festival da Argentina, a diretora conheceu antigos militantes políticos e seus filhos: "Foi emocionante. Pela primeira vez encontrei pessoas da minha geração, de outro país, que tinham vivido o mesmo que eu vivi".
No debate parisiense, um francês que fora membro do Comité de Solidarité France-Brésil, que ajudava os exilados, agradeceu à cineasta pelo filme que o ajudou "a conhecer melhor o problema político que levou milhares de pessoas a se exilarem na França nos anos 60 e 70".
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Coitado dos índios...e de nós!
O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, causou polêmica ao dizer a uma equipe de TV australiana que seu trabalho não é cuidar do ambiente, e sim minimizar impactos ambientais. Depois, sem saber que estava sendo filmado, sugeriu que o Brasil faria com os índios a mesma coisa que a Austrália fez com os aborígenes, população nativa do país da Oceania.
As declarações foram dadas à repórter Allison Langdon, do programa "60 Minutes", que fazia uma reportagem sobre a licença de instalação da usina de Belo Monte, assinada por Trennepohl.
| Eraldo Peres-1º.jun.2011/Associated Press |
| Curt Trennepohl, presidente do Ibama, fez comentários polêmicos para equipe de televisão da Austrália |
Na entrevista, Langdon confrontou o presidente do Ibama. Disse que seu antecessor, Abelardo Bayma, renunciara devido à pressão pelo licenciamento da usina que, segundo organizações ambientalistas, afetará os índios do Xingu, no Pará.
'TRANQUILO'
A repórter da Nine Network perguntou a Trennepohl se ele estava tranquilo com a decisão de licenciar a obra.
"Sim, a decisão foi minha", respondeu Trennepohl.
"Mas seu trabalho não é cuidar do ambiente?"
"Não, meu trabalho é minimizar os impactos."
Após a entrevista, sem saber que ainda estava com o microfone ligado, Trennepohl tentou argumentar com a jornalista australiana:
"Vocês têm os aborígenes lá e não os respeitam."
"Então vocês vão fazer com os índios a mesma coisa que nós fizemos com os aborígines?", questionou Landgon.
"Sim, sim", respondeu Trennepohl.
Hoje há cerca de 500 mil aborígines na Austrália, compondo menos de 3% da população do país.
Ao longo do século 19, os colonos britânicos que ocuparam a ilha chegaram a conduzir campanhas de extermínio, com recompensas pela morte de aborígines. O caso mais grave foi o da Tasmânia, Estado onde toda a população aborígine não mestiça tinha sumido em 1876.
AGREDIDO
Procurado pela Folha, o presidente do Ibama disse que foi agredido verbalmente pela repórter e que não afirmou "de forma nenhuma" que seu trabalho não era cuidar do ambiente brasileiro.
"Essa moça chegou numa atitude extremamente agressiva, disse que eu estava acabando com os índios."
Segundo Trennepohl, "a função do órgão licenciador é minimizar impactos quando um empreendimento é licenciado. Quando não dá para minimizar, nós indeferimos", afirmou.
Ele disse que não comentaria as declarações sobre os aborígines da Austrália.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
ARTES VISUAIS
Para participar da seleção, é preciso encaminhar o projeto, carta de recomendação e currículo. Além disso, deve-se pagar a taxa de inscrição de R$ 75 (ou US$ 50 para estrangeiros).
A documentação está no site www.faap.br/residenciaartistica. Mais informações pelo tel. 0/xx/11/3101-9492.
gestão Kassab é mal gerenciada
Para TCM, gestão Kassab é mal gerenciada Relatório do tribunal diz que, por falhas de administração, prefeito não prestou serviço de qualidade em áreas essenciaisApesar das críticas, parecer é favorável às contas do prefeito, que cumpriu maioria dos requisitos do Orçamento JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO A gestão Gilberto Kassab (PSD) gastou acima do exigido por lei em saúde e educação, ampliou o orçamento em transportes, fechou 2010 com R$ 1,5 bilhão em caixa, mas, por mau gerenciamento, não prestou serviço de qualidade em áreas essenciais.
Essa é uma das conclusões do relatório do TCM (Tribunal de Contas do Município) sobre as contas do prefeito, elaborado a partir de auditorias em todos os setores.
O relatório é anual, mas é a primeira vez no governo Kassab que o TCM atribui a falhas de gestão os resultados ruins em áreas prioritárias.
Em 2009, citou a crise econômica como influência negativa na arrecadação, que teria levado à "piora de atendimento em áreas de essencial interesse público".
Desta vez, além de apontar crescimento recorde de receitas, incluiu recomendação inédita: a criação de órgão de controle interno, vinculado ao prefeito, com "autonomia e independência para verificar os resultados alcançados pela administração".
No relatório, o conselheiro Antonio Carlos Caruso lembra, por exemplo, que, desde 2007, o gasto médio anual por aluno passou de R$ 4.200 para R$ 6.300, mas "esse investimento não se refletiu qualitativamente". Cita indicadores baixos em avaliações como Ideb e Prova Brasil.
"A totalidade de programas e ações analisados apresentou deficiências relacionadas a planejamento, acompanhamento, fiscalização e apuração de indicadores."
A combinação "investimento alto/resultado baixo" também pode ser verificada na saúde, diz o órgão. A gestão investiu no setor 19,2% das receitas, bem acima dos 15% previstos na lei.
Isso não resolveu problemas típicos de planejamento e gestão, diz o relator, como falta de médicos especialistas, precariedade no controle de agendamentos (o que aumenta a espera e reduz a ocupação dos hospitais) e dificuldade para marcar exames.
Na questão dos transportes, as críticas são ainda mais contundentes. O relatório cita a "degradação" do sistema de semáforos e atrasos em vários projetos da CET, mas lembra que o orçamento do setor subiu ao longo do ano, chegando a R$ 2,4 bilhões.
Boa parte dos recursos -R$ 952 milhões- foi para subsidiar as empresas de ônibus, medida que, diz o TCM, não impediu que a tarifa subisse acima da inflação.
Entre os problemas, citou o fato de 60% das linhas descumprirem horários de partida e as deficiências na manutenção dos corredores.
Apesar das ressalvas, o parecer é favorável às contas, explicando que Kassab cumpriu a grande maioria dos requisitos formais na execução do Orçamento, como gastar o mínimo exigido em certos setores, fazer as devidas prestações de contas e obedecer às exigências legais.
O parecer é base para a Câmara aprovar ou não as contas. Todas as de Kassab, até agora, foram aprovadas.
São Paulo, quinta-feira, 14 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Acabaram com o ensino básico e agora chegou a vez...
DE BRASÍLIA
SABINE RIGHETTI
ENVIADA ESPECIAL A GOIÂNIA Um projeto em tramitação no Senado tem provocado polêmica ao permitir que quem tem diploma de graduação possa ser admitido como professor em universidades públicas e privadas, sem a necessidade de título de mestrado ou doutorado.
O projeto, que altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), é de autoria da Comissão de Serviços de Infraestrutura.
Na justificativa do texto, os senadores argumentam que há uma "preocupante" falta de professores pós-graduados, especialmente com mestrado e doutorado, o que pode comprometer o desenvolvimento econômico no país.
Alegam ainda que há diversos profissionais de notório saber que não são absorvidos nas universidades em razão da exigência de títulos.
A proposta foi alvo de críticas na 63ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), o maior encontro científico do país, que acontece desde domingo em Goiânia.
Para a presidente da instituição, Helena Nader, se o projeto virar lei, todo o sistema de ensino brasileiro será completamente fragilizado.
"Tal disparate legal, tal crime de lesa pátria, já passou pela Comissão de Educação do Senado", criticou. "Não podemos admitir a possibilidade de esse projeto vir a se tornar lei", disse.
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), relator da proposta na Comissão de Educação, a falta de docentes compromete o próprio funcionamento da educação superior.
"É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra", afirmou Dias, em seu parecer favorável ao projeto.
Ele apontou ainda que a "progressão salarial" nas universidades públicas e privadas pode ser feita de acordo com títulos acadêmicos.
De acordo com Nader, porém, o Brasil tem hoje um "projeto sólido" de formação de doutores e não pode "andar para trás".
O país forma, em média, 11 mil doutores por ano, cerca de quatro vezes mais do que formava há dez anos.TRAMITAÇÃO
O projeto ainda deverá passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Caso seja aprovado em plenário, ainda será avaliado pela Câmara dos Deputados.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
"Não sei como vamos sair disso. A minha esperança é o povo desorganizado, como ocorreu no Oriente", acrescentou Gullar.
"O Brasil foi apropriado por uma casta", diz Ferreira Gullar
Ferreira Gullar, sempre campeão de público em todas as edições da Flip a que compareceu, repetiu o feito: a Casa Folha ficou lotada na manhã desta sexta (8), quando o poeta, 81, tratou das conexões entre poesia e política.
Gullar fez graça logo no começo de seu depoimento ao dizer que não entendia nada do tema, somente dava palpites. "Política é uma coisa muito difícil. Não recomendo a vocês."
Como exemplo, lembrou que a presidente Dilma Roussef está numa "saia justa", após a queda do ministro dos Transportes, porque não pode desagradar aos "40 deputados do partido que o apoiam".
Uma hora e meia depois, após contar vários episódios e ler poemas, o tom de piada foi substituído por outro, mais sério e preocupado: "O Brasil foi apropriado por uma casta, do Congresso ao Senado", disse. Se alguma coisa está acontecendo, argumentou o poeta, é "graças à imprensa, que denuncia".
"Não sei como vamos sair disso. A minha esperança é o povo desorganizado, como ocorreu no Oriente", acrescentou Gullar.
TRAJETÓRIA
O poeta relembrou sua trajetória na poesia e na política: das primeiras experiências de vanguarda até a militância, que o fez passar por prisão, interrogatório e exílio. No início, fez parte do concretismo e, depois, do neoconcretismo. Uma de suas radicalizações artísticas na época foi, segundo ele, o "Poema Enterrado", que fez com Helio Oiticica, na virada da década de 1950 para a de 1960.
| Letícia Moreira/Folhapress | ||
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| O poeta Ferreira Gullar durante conversa na Casa Folha, nesta sexta (8), terceiro dia da Flip, em Paraty |
Como muitos artistas e intelectuais de sua geração, Gullar entrou mais tarde para o Partido Comunista, num tempo em que uma das principais causas era a reforma agrária. Foi quando passou a fazer poemas que hoje considera "extremamente políticos", até começar a se incomodar com o excessivo tom panfletário.
Contou que, na época em que fazia parte do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, intrigou-se certo dia ao se dar conta de que, nas favelas, os adultos saíam e só as crianças assistiam às peças; nos sindicatos, os diretores ficavam, mas os funcionários não queriam assistir a elas.
"Eu disse para o Vianinha [Oduvaldo Vianna Filho]: 'Estamos pregando comunismo para quem já é comunista? Fazemos mau teatro e má poesia para nada?'."
Pouco depois, ocorreu o golpe de 1964, o CPC fechou, e em seu lugar surgiu o Teatro Opinião, "engajado, mas sem ser panfletário", na definição de Gullar. "Sem abrir mão de nossas ideias, passamos a fazer algo com qualidade e ate audácia artística."
Gullar narrou vários episódios engraçados, outros bastante tensos em sua vida como exilado no Chile e, depois, na Argentina.
No final, falou sobre o célebre "Poema Sujo", espécie de testamento que escreveu em 1976, em Buenos Aires, quando pensou que seria preso a qualquer momento. O poema foi trazido ao Brasil por Vinicius de Morais numa fita gravada por Gullar. Só depois o editor Ênio Silveira, da Civilização Brasileira, o publicou. A repercussão do "Poema Sujo" ajudou Gullar a retornar ao Brasil.
VIOLÊNCIA
O caso ocorreu às 8h20 do dia 19 de abril. O vagão do metrô da linha verde estava cheio e seguia em direção à Vila Madalena, zona oeste.
Um homem colocou uma das mãos embaixo da saia de uma supervisora de compras e vendas, de 26 anos. Depois, ele rasgou a calcinha dela e tocou em suas partes genitais.
Um grupo de passageiros tentou deter o homem, mas ele conseguiu fugir. Policiais investigam o caso. Desde 2009, os crimes de atentado violento ao pudor passaram a ser considerados como estupro.
cinema
DE SÃO PAULO "Daquele Instante em Diante" é uma oportunidade e tanto para entrar em contato com a música e o jeito de ser de Itamar Assumpção (1949-2003), artista inquieto e multifacetado, cuja obra nunca teve um reconhecimento à altura.
O filme percorre a trajetória desde os anos da vanguarda paulista, na década de 80, até sua morte, aos 53. Compositor, poeta, intérprete performático, Itamar gravou discos considerados históricos, como "Beleléu" e "Sampa Midnight", e foi parceiro dos artistas Paulo Leminski (1944-1989), Alice Ruiz e Arrigo Barnabé.
Construiu um estilo musical único. Em Itamar, há ecos de Frank Zappa (1940-1993), James Brown (1933-2006), Bob Marley (1945-1981), Miles Davis (1926-1991), rap, suingue, música atonal.
O diretor Rogério Velloso se debruçou sobre mais de 160 horas de filmagens e gravações, garimpadas em acervos e arquivos particulares. E conversou com quem conviveu e trabalhou com Itamar.
Os entrevistados são unânimes ao lembrar da força das performances ao vivo.
"Cada show era uma guerra", lembra o músico Luiz Tatit. "Ele nunca deixava a peteca cair", completa o guitarrista Luiz Chagas. Com uma indumentária singular que lembra abadás africanos e óculos escuros com as armações mais extravagantes, Itamar fazia de tudo um pouco -música, teatro, dança. A questão trazida pelo filme, que sempre permeou a vida de Itamar, é o pouco reconhecimento recebido pelo enorme talento que tinha.
Ele viveu duro e nunca soube conduzir sua carreira comercialmente. Os amigos falam em uma personalidade "agridoce", avessa a concessões. "O sucesso batia à sua porta mas ele não abria", lembra o parceiro Paulo Le Petit. "É o ônus da independência", dizia o próprio.
Alice Ruiz vai mais longe: "Era difícil ser Itamar Assumpção". Mas era uma delícia assisti-lo. E "Daquele Instante em Diante" vale quase um show de Itamar. DAQUELE INSTANTE EM DIANTE DIREÇÃO Rogério Velloso
PRODUÇÃO Brasil, 2011
ONDE exibição gratuita nos cines Espaço Unibanco Augusta, Pompeia e Frei Caneca Unibanco Arteplex
CLASSIFICAÇÃO 12 anos
AVALIAÇÃO ótimo
quinta-feira, 7 de julho de 2011
"Senta aqui, Bolsonaro!"
O cartunista Laerte, 60, participou nesta quinta-feira de um debate sobre cross-dressing e homofobia na Casa Folha, espaço do jornal Folha de S.Paulo na Flip, em Paraty (RJ).
A plateia lotada e as pessoas que se aglomeravam do lado de fora da Casa, na rua da Matriz, ouviram por mais de uma hora o depoimento de um dos maiores quadrinistas da atualidade sobre o impulso de se vestir de mulher, a reação da família e de amigos, orientação sexual, humor e preconceito.
"Eu mesmo, quando jovem, pratiquei bullying contra gays. Costumava hostilizar um primo meu que dizia 'Ave!' no lugar de 'porra!'", revelou, explicando como reprimia sua bissexualidade.
Para combater a homofobia, Laerte defendeu que os crimes contra homossexuais sejam classificados da mesma maneira que o crime de racismo e que o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) lute contra a guetificação. "Você tem que sair das trincheiras e lamber o pescoço. Tipo: 'Senta aqui, Bolsonaro!'", brincou, arrancando gargalhadas do público.
| Leticia Moreira/Folhapress | ||
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| Laerte participa da conversa sobre cross-dressing e homofobia na Casa Folha, em Paraty |
FOFURA
"O medo das pessoas de perder o emprego, de perder o amor da família e o respeito dos amigos as torna muito conservadoras e tímidas em relação a sua sexualidade. Eu não vou apenas a lugares GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes). Eu vou a qualquer lugar, a qualquer bar e a qualquer restaurante e sou sempre bem recebido."
Laerte admitiu, no entanto, que sua experiência como bissexual assumido e cross-dresser (prática em que homens se vestem de mulheres e vice-versa independentemente de sua orientação sexual) é muito "fofa".
"Tudo aconteceu de forma muito fofa comigo em relação ao fato de eu me vestir de mulher. Mas sei que existem crimes de ódio ocorrendo contra homossexuais no Brasil todo."
FAMÍLIA
O cartunista relatou a reação de seus filhos e pais à revelação de suas "montagens" femininas, com direito a brincos, maquiagem, unhas vermelhas e salto alto. "Meus filhos já haviam se chocado quando disse que era bissexual, e reagiram bem quando disse que estava me vestindo de mulher. Meus pais se acostumara porque são pessoas do caralho", disse.
"Minha mãe nunca foi muito de usar maquiagem e acessórios. Gosta de futebol, é torcedora fervorosa. Minha irmã é campeã brasileira de supino [levantamento de peso] e usou o esporte como forma de superar sua condição bipolar. Minha namorada me apoia. Então, a dondoca de casa sou eu!", riu, referindo-se a si próprio ora no masculino ora no feminino.
ESPELHO
Laerte falou também sobre sua passagem pelo Partido Comunista ("Homossexualidade não era uma questão ali. Estávamos mais preocupados com o proletariado") e sobre a HQ "Muchacha" (Companhia das Letras), que tem como personagem principal um ator que se traveste de cantora cubana: "Não ter que fazer piadas trouxe meu trabalho para uma relação mais íntima comigo mesmo, como se fosse um espelho. O humor muitas vezes funciona como escape e escamoteamento de questões mais profundas".
PIADA EM DEBATE
Questionado sobre o atual debate sobre os limites do humor e do politicamente correto, o cartunista disse que o humor deve ser livre, mas que nem por isso deve estar acima da crítica. "Quando o Rafinha Bastos tuíta que mulher feia tem de agradecer se for estuprada, não tem como ele não ser criticado. Ele falou merda sob qualquer ponto de vista", criticou.
"Dizer uma coisa dessas num país que ainda trata mal suas mulheres, muitas vezes com violência, especialmente aquelas que não estão no padrão das capas de revista, é de uma crueldade sem tamanho. O humor trabalha com o preconceito, mas ele extrapolou todos os limites com isso e é natural que haja reação."
Frei Betto
Frei Betto lamentou a atitude do escritor italiano Antonio Tabucchi de cancelar a vinda à Flip e rebateu as críticas do autor ao governo. "Lamento que a Itália acuse o Battisti tendo por testemunha um único companheiro dele que aceitou o programa de delação premiada. Por que a Itália não pediu a extradição quando Battisti estava na França? Por que a Itália não pede a extradição dos vários terroristas de direita que estão por aí?"
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O CONSUMIDOR GANHA OU PERDE COM A OPERAÇÃO? Pode perder com a diminuição da concorrência, que reduz as opções, e os preços podem subir
Não há impedimento. O BNDES fez apenas um pedido para que nenhum dos sócios tenha voto superior a 15% na companhia. O presidente, no entanto, pode ser estrangeiroHAVERÁ DINHEIRO PÚBLICO NA OPERAÇÃO?
Sim, o BNDES não empresta dinheiro, mas entra como sócio da nova empresa, comprando uma participação acionária pela BNDESPar. Por outro lado, críticos dizem que essa participação deveria ser em empresas com mais dificuldade para conseguir sócios POR QUE O BNDES VAI FINANCIAR UM GRUPO COM MAIS DE 60% DO CAPITAL NO EXTERIOR?
O banco diz que a empresa teria uma posição estratégica na Europa, facilitando a entrada de produtos brasileiros ABILIO DINIZ É PRÓXIMO DO GOVERNO DILMA?
Sim, é um dos participantes do conselho de competitividade empresarial do governoPOR QUE O CASINO, SÓCIO DO PÃO DE AÇÚCAR, RESISTE À FUSÃO COM O CARREFOUR?
Porque o Casino diz que não acredita nos hipermercados e no mercado europeu, pontos altos da fusão O CONSUMIDOR GANHA OU PERDE COM A OPERAÇÃO?
Pode perder com a diminuição da concorrência, que reduz as opções, e os preços podem subir
terça-feira, 5 de julho de 2011
"Seja leal ao nosso ideal 88."
Preso, acusado de agressão liderava grupo de neonazistas GIBA BERGAMIM JR.
DE SÃO PAULO "Eu tou montando a banca até aqui na cadeia." "Seja leal ao nosso ideal 88."
As frases são fragmentos de uma carta que Guilherme Witiuk Ferreira de Carvalho, 21, o Chuck, escreveu a um amigo quando estava preso por formação de quadrilha em 2009, mesmo ano em que foi acusado de explosão durante a Parada Gay de SP.
Neonazista, ele é um dos cinco presos suspeitos de agredir quatro pessoas no domingo passado em São Paulo.
Segundo a sentença que o condenou a dois anos e quatro meses de prisão, em 17 de setembro de 2010, Carvalho é líder da Impacto Hooligan, grupo que abomina homossexuais e nordestinos e venera o nazismo, de Adolf Hitler.
A repetição do número 8 significa a saudação nazista "Heil, Hitler" -o H é a oitava letra do alfabeto.
Na carta, ele cobra fidelidade dos colegas de facção e dá ordens ao grupo.
O jovem se identifica como Chuck 98 -o numeral significa Impacto Hooligan na sequência alfabética.
Carvalho cursa engenharia numa faculdade particular da capital. Em abril, participou de ato em favor de Jair Bolsonaro (PP-RJ), deputado acusado de preconceito contra gays e negros.
Antes da condenação, o jovem foi detido várias vezes, acusado de crimes raciais.
Folha de S.Paulo - Skinheads queriam matar, dizem vítimas - 05/07/2011
Skinheads queriam matar, dizem vítimas
Quatro moradores de rua se preparavam para dormir no domingo quando foram agredidos por grupo extremista
"Surgiram do nada", relata uma das vítimas; cinco agressores estão presos sob suspeita de tentativa de homicídio
| Marlene Bergamo/Folhapress |
ELIANE TRINDADE
DE SÃO PAULO
O ataque foi inesperado. "Os caras surgiram do nada, xingando a gente de preto, pobre e nordestino e dando socos e pontapés", diz Samuel de Oliveira, 34, branco, nascido em Passos (MG).
Um dos quatro moradores de rua atacados por skin- heads na madrugada do domingo em São Paulo, ele afirma que, além dos cinco jovens presos, outros quatro participaram das agressões.
"Duas mulheres eram da gangue. Tinha uma menor e a namorada de um dos caras", diz Aline de Souza, 21.
Ela escapou da pancadaria abraçada ao marido, Júlio César Souza, 20. Ele, negro, levou golpes nas costas, mas conseguiu proteger a mulher, grávida de três meses.
As quatro vítimas se preparavam para dormir na fria madrugada de domingo sobre leitos de papelão na praça do Paraíso, em frente à igreja Ortodoxa, na zona sul.
"Eles vieram para matar", diz Carlos Eduardo Carvalho, 31. Ele conta ter tentado parar as agressões na conversa.
Não adiantou. "Deus mandou pra cá naquela hora policiais treinados para combater esse terrorismo burro", diz Carvalho, ex-pastor e negro. Até chegar reforço, os skinheads foram para o confronto com dois policiais que fizeram o flagrante. Dois tiros para o alto os contiveram.
Mesmo rendido, um deles continuou com xingamentos racistas, afirmam as vítimas.
"No chão, o folgado gritava que odiava negro. Um dos policiais também era preto", diz Samuel, que, sob a ameaça de um facão, chamou a atenção do carro de polícia que passava pelo local.
A polícia apreendeu um arsenal de armas brancas: três machados, quatro facas, um punhal e um facão.
Segundo as vítimas, os agressores pareciam muito alterados e levavam com eles duas garrafas de vodca.
Os quatro sem-teto vivem numa autodenominada "comunidade democrática de rua", que tem hoje 17 integrantes. Eles tiram o sustento da venda de material para reciclagem. Carlos faz bicos como entregador de água mineral para uma distribuidora vizinha à praça do Paraíso.
"Eles trabalham e vivem bem na rua. Comem, bebem e dormem sem pagar imposto", diz o comerciante Tiago Fernandes, que usa os serviços de dois sem-teto.
"A gente não é de luxo, mas gosta do que é bom", afirma Carlos, que tira R$ 20 por dia com as entregas.
No sábado, para encarar o frio, optaram por vinho tinto e seco. Um malbec embalou a confraternização à base de feijoada, que começou às 18h e foi até as 23h.
Ainda assim, o grupo não cogita procurar abrigos para se proteger da violência.
"No albergue, o cara é prisioneiro da própria situação. Tem que ficar quatro horas na fila para pegar senha para dormir e outras tantas para comer. Quando é que a pessoa trabalha?", indaga Carlos. "Gastam muito dinheiro, mas sem efetividade."
Skinheads queriam matar, dizem vítimas
| Marlene Bergamo/Folhapress |
DE SÃO PAULO O ataque foi inesperado. "Os caras surgiram do nada, xingando a gente de preto, pobre e nordestino e dando socos e pontapés", diz Samuel de Oliveira, 34, branco, nascido em Passos (MG).
Um dos quatro moradores de rua atacados por skin- heads na madrugada do domingo em São Paulo, ele afirma que, além dos cinco jovens presos, outros quatro participaram das agressões.
"Duas mulheres eram da gangue. Tinha uma menor e a namorada de um dos caras", diz Aline de Souza, 21.
Ela escapou da pancadaria abraçada ao marido, Júlio César Souza, 20. Ele, negro, levou golpes nas costas, mas conseguiu proteger a mulher, grávida de três meses.
As quatro vítimas se preparavam para dormir na fria madrugada de domingo sobre leitos de papelão na praça do Paraíso, em frente à igreja Ortodoxa, na zona sul.
"Eles vieram para matar", diz Carlos Eduardo Carvalho, 31. Ele conta ter tentado parar as agressões na conversa.
Não adiantou. "Deus mandou pra cá naquela hora policiais treinados para combater esse terrorismo burro", diz Carvalho, ex-pastor e negro. Até chegar reforço, os skinheads foram para o confronto com dois policiais que fizeram o flagrante. Dois tiros para o alto os contiveram.
Mesmo rendido, um deles continuou com xingamentos racistas, afirmam as vítimas.
"No chão, o folgado gritava que odiava negro. Um dos policiais também era preto", diz Samuel, que, sob a ameaça de um facão, chamou a atenção do carro de polícia que passava pelo local.
A polícia apreendeu um arsenal de armas brancas: três machados, quatro facas, um punhal e um facão.
Segundo as vítimas, os agressores pareciam muito alterados e levavam com eles duas garrafas de vodca.
Os quatro sem-teto vivem numa autodenominada "comunidade democrática de rua", que tem hoje 17 integrantes. Eles tiram o sustento da venda de material para reciclagem. Carlos faz bicos como entregador de água mineral para uma distribuidora vizinha à praça do Paraíso.
"Eles trabalham e vivem bem na rua. Comem, bebem e dormem sem pagar imposto", diz o comerciante Tiago Fernandes, que usa os serviços de dois sem-teto.
"A gente não é de luxo, mas gosta do que é bom", afirma Carlos, que tira R$ 20 por dia com as entregas.
No sábado, para encarar o frio, optaram por vinho tinto e seco. Um malbec embalou a confraternização à base de feijoada, que começou às 18h e foi até as 23h.
Ainda assim, o grupo não cogita procurar abrigos para se proteger da violência.
"No albergue, o cara é prisioneiro da própria situação. Tem que ficar quatro horas na fila para pegar senha para dormir e outras tantas para comer. Quando é que a pessoa trabalha?", indaga Carlos. "Gastam muito dinheiro, mas sem efetividade."
Aumento de salário de Kassab também passa na Casa
| DE SÃO PAULO A Câmara aprovou, também em segunda votação, o projeto da Mesa Diretora que reajusta os salários do prefeito Gilberto Kassab (PSD), da vice-prefeita Alda Marco Antônio e dos 25 secretários. |