quinta-feira, 18 de novembro de 2010

São Paulo está se tornando facista!

Ornette Coleman - se apresenta em São Paulo na próxima semana, dentro da Mostra Sesc de Artes 2010

O cara que fez o JAZZ viajar
Criador do "free jazz" e um dos maiores nomes do gênero, o saxofonista
Ornette Coleman ° se apresenta em São Paulo na semana que vem

Peter Van Breukelen - 11.jul.10/Redferns

Ornette Coleman em show em julho, em Roterdã

MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

Ele é o maior desconstrutor de melodias da história da música. Seu
álbum "Free Jazz", de 1960, radicalizou a linguagem do gênero, já
então meio desmontada por Charlie Parker e John Coltrane, levando a
improvisação a alturas jamais vistas.
A contrapartida disso foi que o jazz se tornaria "difícil" para o
grande público -se é que esse gênero teve isso algum dia.
Mas Ornette Coleman- que se apresenta em São Paulo na próxima semana,
dentro da Mostra Sesc de Artes 2010- também deve ser o maior
destruidor de entrevistas da história do jornalismo.
Aos 80 anos, o consagrado sax alto americano não tem lá muita
paciência para nada que não seja sua própria arte, coisa que a
reportagem descobriu amargamente.
O sr. foi criado no Texas nos anos 1930, durante a Grande Depressão.
Foi vítima de racismo?
"Não, não, nunca pensei nisso. Só pensei em três coisas importantes:
escolha, honestidade e amor. Isso é simplesmente humano, coisas com as
quais nós temos que conviver."
Pergunto se é difícil construir uma carreira de jazzista hoje, já que
existem tantos bons músicos dando duro por uns trocados nas ruas e
estações de metrô de Nova York, Londres... Ele retruca em sua voz
baixa e sussurrada: "Não estou entendendo o que quer dizer...".
O repórter fica inseguro ("Será que meu inglês anda ruim assim?") e
lembra ao saxofonista que, em uma entrevista dez anos atrás, afirmou
que "economia e arte nunca foram bons companheiros, sobretudo para
mim".
Mas recebe outra resposta enviesada: "Acho que é de racismo que você
está querendo falar e isso não tem a ver com conhecimento". Já que
toca no assunto, pergunto como vê o governo de Barack Obama, primeiro
presidente negro dos EUA: "Não tenho muita informação a respeito, mas
acho que está num alto nível".

LIBERDADE
Então, de volta ao seu ofício: sr. Coleman, a crítica insere o "free
jazz" na linhagem do bebop... "Nunca pensei em ser influenciado por
coisa nenhuma. Tentei [em minha carreira] não sofrer influência de
ninguém."
Mas como define o "free jazz", termo que criaria vida própria -e
banal- após ter sido apropriado pela cultura de massa. "Significa que
você pode tocar e criar livremente, tocar do jeito que sente, do jeito
que gosta."
De fato. Seu álbum clássico juntou dois quartetos que fazem uma
improvisação coletiva por quase 40 minutos.
A melodia simples e grudenta dos primeiros minutos desmorona
rapidamente nas mãos de mitos como Freddie Hubbard (trompete), Charlie
Haden e Scott LaFaro (contrabaixo), liderados pelo próprio Coleman
-que toca o mesmo instrumento de Charlie Parker.
Para o músico André Mehmari, o álbum mostra como o verdadeiro "free" é
um "paradoxo", pois "ele só pode existir com o suporte de um forte
rigor artístico, de respeito por certos limites".

TANTAS EMOÇÕES
Coleman não costuma tocar os grandes standards do jazz em suas
apresentações. "Toco, sim, mas não os mesmos de sempre."
Traduzindo: prefere tocar composições de sua própria safra que já se
tornaram pequenos clássicos, como 'Ramblin'".
A fama o incomoda? "Não tive família nem ninguém me apoiando,
simplesmente ocorreu de ser quem eu sou e me reconhecerem por isso."
Indago a Coleman se Nova York -onde reside e de onde concedeu esta
entrevista- ainda é a meca do jazz. "Você está me perguntando se o
jazz ainda é importante para alguém aqui? Não estamos falando sobre
raça, mas sobre conhecimento, certo?"
Bem, então onde está a melhor cena de jazz da atualidade? "Não saio
procurando por isso." E devolve, no mesmo tom ingênuo: "Você toca
algum instrumento?".
"Bem, quando criança, tocava o bife no piano para agradar a mama e um
pouco de flauta para irritar os vizinhos. Mas nada hoje em dia."
E Coleman, cristalino: "Não sei se é o dia o responsável por você não
tocar, mas, sim, você mesmo".
Já com o rabo entre as pernas, o repórter faz a clássica pergunta
sobre o que ele espera do público brasileiro.
"Não espero nada -apenas procuro dar alguma coisa." Está bem, o sr.
venceu. E o que então espera dar ao público daqui? "O que as pessoas
chamam de emoção."
"O grande revolucionário do jazz moderno" -como o chamou o crítico
Lorenzo Mammì- parece querer dar as costas para todos os que o
incensam há tanto tempo. "Aquilo de que mais gosto é a humanidade, o
amor... É disso que precisamos para viver", arremata Coleman.

ORNETTE COLEMAN
QUANDO sáb., 27/11, às 21h30; e dom., 28/11, às 18h30
ONDE Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, Pinheiros, tel. 0/xx/ 11/3095-9400)
QUANTO R$ 40
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

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LITERATURA

Ciclo celebra centenário de Miguel Reale
A Academia Paulista de Letras (lgo. do Arouche, 324, 2º andar, tel.
0/xx/11/3331-7222) promove, toda quinta, conferências em homenagem ao
centenário do escritor e jurista Miguel Reale (1910-2006). Hoje, às
18h30, haverá palestras com Cláudio de Cicco e José Pastore. O evento
é de graça.

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"A Dócil", de Dostoiévski

CRÍTICA DRAMA

Peça "A Dócil", de Dostoiévski, tem direção inventiva e atuações brilhantes
CHRISTIANE RIERA
CRÍTICA DA FOLHA

Dirigida com inventividade por Pedro Mantovani e interpretada pelos
brilhantes atores Dagoberto Feliz e Patrícia Gifford, "A Dócil" é uma
comovente e vigorosa adaptação da novela homônima do escritor russo
Fiódor Dostoiévski (1821-1881).
Ainda distraído à frente do Galpão do Folias, o público se assusta com
o barulho de uma santa que se espatifa.
A cena simboliza o suicídio de uma jovem de 16 anos, ato misterioso
que conduzirá seu marido a uma investigação da relação entre eles e,
por consequência, ao inferno de si mesmo.
No início, ela queria apenas penhorar objetos para pagar um anúncio de
emprego em jornal.
Ele é um agiota mais velho, que lhe oferece um valor mais alto e se
apresenta "com as mesmas palavras de Mefistófeles".
É impressionante a precisão dos movimentos de Dagoberto Feliz, que
passa do afobamento à falta de fôlego dos culpados em interpretação
memorável.
Patrícia Gifford, atriz de porte frágil, está perfeita como seu objeto
de afeto. Consegue atuar como se fosse a fantasia projetada do marido
e ainda deixa resvalar a angústia que corre por dentro de sua
personagem.
Desse eixo amoroso impregnado de força emotiva ainda saltam complexas
relações sociais, em alguns momentos de grande riqueza cênica, até uma
reveladora cena final quase insuportável de tão aflitiva.

A DÓCIL
QUANDO de sex. a dom., às 18h; até 19/12
ONDE Galpão do Folias (r. Ana Cintra, 213; tel. 0/xx/11/3361-2223)
QUANTO R$ 30
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
AVALIAÇÃO ótimo

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Quinta Balada Literária começa hoje com Lygia Fagundes Telles O escritor Alberto Manguel é outro destaque da programação

MARCO RODRIGO ALMEIDA
DE SÃO PAULO

A Balada Literária, evento que reúne literatura e boemia na Vila
Madalena, chega à sua quinta edição a partir de hoje, com cerca de 60
autores em nove espaços da região.
Até o próximo domingo acontecem bate-papos com Augusto de Campos,
Marcelo Rubens Paiva e o poeta e colunista da Folha Antonio Cicero,
além de shows e lançamentos de livros.
A homenageada deste ano é Lygia Fagundes Telles, 87.
A escritora está na primeira mesa de hoje, às 11h, na Livraria da Vila
(r. Fradique Coutinho, 915; tel. 0/xx/11/ 3814-5811).
O encontro seguinte, também na Livraria da Vila, às 14h30, debaterá a
relação entre literatura e teledramaturgia. Os convidados são os
dramaturgos e autores de novelas de TV Alcides Nogueira ("Ciranda de
Pedra") e Lauro César Muniz ("O Salvador da Pátria").
Logo depois, às 16h30, começa uma conversa com o poeta Frederico Barbosa.
Fechando as mesas do dia, o escritor argentino naturalizado canadense
Alberto Manguel conversa com o público no Sesc Pinheiros, às 19h (rua
Paes Leme, 195; tel. 0/ xx/11/3095-9400).
Manguel acaba de lançar o romance "Todos os Homens São Mentirosos"
(Cia. das Letras, R$ 42, 184 págs.).
No último fim de semana, ele participou da Fliporto, evento literário
em Olinda, onde surpreendeu o público ao chamar Mario Vargas Llosa,
ganhador de Nobel de Literatura deste ano, de "ser humano imundo".
Organizada pelo escritor Marcelino Freire, a Balada Literária não
conta com patrocínios oficiais e é gratuita.
A programação completa do evento pode ser conferida no endereço
www.baladaliteraria.zip.net.

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dezembro no Centro de Cultura Social

Leitura Dramática
"As Criadas" - Jean Genet

Direção de Alberto Centurião

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Policiais são acusados de sequestro e morte em SP Para corregedoria, 4 PMs simularam tiroteio com jovem morto em 2008

Segundo investigação, farsa foi utilizada para acobertar cárcere
privado e assassinato de estudante em 2008

ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Documentos sigilosos da Corregedoria da Polícia Militar de SP acusam
quatro PMs da Força Tática, espécie de tropa especial de cada
batalhão, de armar uma farsa, inclusive com a simulação do roubo de um
carro, para tentar encobrir o sequestro e o assassinato do estudante
Everton Torres Rodrigues, 21.
"O que foi apontado na análise das provas reúne suficientes elementos
de convicção para se afirmar que existem fortes indícios de que os PMs
sequestraram, mantiveram em cárcere privado e executaram o civil
[Everton Rodrigues]", concluiu o major Sérgio Aparecido Pincelli, da
corregedoria.
Os PMs acusados são o tenente Jonas Paro Barreto e os soldados Adriano
Roda dos Santos, Sandro Rodrigues de Souza e Fernando Félix.
Segundo os documentos, em 29 de julho de 2008, Rodrigues foi preso
pelos policiais militares em um ponto de ônibus na Freguesia do Ó
(zona norte de São Paulo).
Na versão dos policiais, Rodrigues não foi preso em um ponto. De
acordo com eles, o rapaz morreu porque roubou um automóvel no dia 30,
foi perseguido e atirou nos quatro PMs.
Para a corregedoria, a versão é falsa. Segundo a investigação, o dono
do carro roubado disse que foi vítima de dois ladrões em uma moto
preta. Ele também não reconheceu Rodrigues.
Na investigação, a corregedoria descobriu que o soldado Adriano Santos
tinha uma moto igual à usada pelos ladrões, que um dos PMs conheceu a
vítima na adolescência, quando foi acusada por tráfico de drogas, e
que a arma supostamente usada por Rodrigues não tinha feito "disparo
recente".
As roupas do rapaz também eram diferentes das dos dois assaltantes.
A corregedoria já encaminhou o caso para a Polícia Civil. Hoje, os
policiais continuam trabalhando na PM. Eles foram presos em 2008, mas
acabaram sendo soltos.
Os policiais eram do 18º Batalhão, na zona norte, à época do crime.
Hoje, apenas o tenente Barreto está na unidade, que é investigada
desde 2008 sob a suspeita de abrigar PMs que integram um grupo que
orquestrou a morte do coronel José Hermínio Rodrigues, então
comandante da PM na região.

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Acusados de agressão na Paulista colecionam "expulsões" de escolas Dois dos adolescentes que participaram de incidente do fim de semana têm histórico de indisciplina

Objetivo diz que os dois não conseguiram acompanhar ritmo de escola;
amigos dizem que eles são briguentos

Luiz Guarnieri-15.nov.2010/Futura Press

Adolescentes suspeitos de participar de agressão na avenida Paulista
deixam a Fundação Casa na tarde de anteontem

TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

Um dos adolescentes acusados de agredir quatro rapazes na avenida
Paulista, no domingo de manhã, tem um histórico de indisciplina nas
escolas por onde passou.
Após estudar por sete anos no Dante Alighieri, o rapaz de 17 anos "foi
convidado" a não se rematricular na escola, em 2009, devido a
problemas disciplinares.
Segundo o colégio, ele levou advertências verbais e por escrito e pelo
menos seis suspensões durante o ano.
Amigos do rapaz afirmam que ele mudou para o colégio Objetivo em 2009,
de onde também foi expulso após atitudes "sem noção, como fazer xixi
na sala de aula", diz um ex-colega de colégio.
Neste ano, ele foi para uma escola estadual na Vila Mariana, onde
também teve problemas de indisciplina. Há cerca de 20, dias ele não
frequenta as aulas do local.
Ainda de acordo com amigos, o adolescente de 16 anos também acusado de
agressão foi expulso do Objetivo após se envolver numa briga.
"Ele pegou um "maluco", jogou em cima da mesa e ficou dando porrada",
descreveu um ex-colega de escola.
O Objetivo diz apenas que os dois foram embora "porque não conseguiram
acompanhar o ritmo do colégio".
A Folha não localizou a família dos jovens ontem.
No Objetivo, na mesma Paulista das agressões, os rapazes eram o
assunto ontem: eles têm fama de briguentos.
Os alunos dizem que eles já haviam batido em um homossexual em uma
festa. Os entrevistados pediram para não ter os nomes divulgados.

HOMOFOBIA
A polícia disse haver indícios de homofobia nas agressões na Paulista.
Vítimas dos rapazes disseram que eles gritavam: "Suas bichas".
Segundo a polícia, quatro pessoas foram agredidas por esses dois
rapazes, outros dois adolescentes e por Jonathan Lauton Domingues, 19,
em três ataques diferentes na manhã do último domingo: um lavador de
carros e mais três estudantes.
As vítimas levaram chutes, socos e golpes com uma lâmpada em formato de bastão.
O advogado de um dos acusados, Orlando Machado, afirma que tudo
aconteceu em uma briga, após um dos agressores ter recebido um
"flerte" de um dos agredidos. O defensor nega a agressão ao lavador de
carros. Os acusados foram presos domingo e soltos anteontem.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Larte, materia A CAPA

 
 Por Marcelo Hailer* 12/11/2010 - 15:34


 

A frase do título desta matéria foi dita por Laerte, 59, e sintetiza o atual momento de um dos principais cartunistas do Brasil, que ficou conhecido por suas tiras publicadas no jornal "Folha de São Paulo".

Mas que novo mundo de possibilidades é esse? Laerte revela que está se montando e frequentando grupos de crossdressers. De acordo com o cartunista, quando ele usava roupas masculinas, era como se estivesse "vestindo" outra pessoa. Já com o aparato feminino, ele diz que portas se abriram "para um monte de desafios, propostas e sugestões".

Nesta entrevista, Laerte conta que tudo faz parte de um processo de "ressignificação" de sua pessoa e revela ainda a experiência de levar uma cantada de outro homem.

Você falou da descoberta de novos rumos e prazeres diferentes. O fato de você estar se montando tem a ver com isso?
Sim. É uma porta que se abre, é um mundo diferente, é uma nova rede de possibilidades de viver, de transformar, de fazer amigos e de influenciar pessoas.

Essa questão de diferentes prazeres envolve a questão de atração e sexualidade?
Envolve. Mas essa é uma área que eu não abro, que mantenho privada. Costumo dizer que sou bissexual e ponho limite a isso. A minha história sexual tem as duas coisas. O gênero e a sexualidade são áreas diferentes. Nesse mundo de crossdressers e travestis, existem heterossexuais também. A vontade de cruzar a fronteira do gênero nem sempre é a vontade de ter também um contato homossexual. Existem homossexuais que não são transgêneros e existem transgêneros que são heterossexuais.

Você declara que esse é um desejo que se anuncia há muito tempo. Você reprimiu?
Eu digo que não tinha consciência disso. O que tenho reparado nas conversas com as pessoas hoje é que todas as experiências de adulto começaram sempre na infância, é quase unânime você escutar: 'aos seis, sete anos eu me vestia com a roupa da irmã, eu pegava o vestido...'

E aconteceu isso com você?
Mais ou menos. Eu gostava de saiotes, me vestia de grego, mas era uma coisa confusa e meio nebulosa. O que sinto é que quando me travesti pela primeira vez foi como se tivesse reencontrado uma sensação de familiaridade, não era uma ideia estranha. Gostava de algumas coisas que pertenciam ao universo feminino, como cozinhar, costurar, sempre quis fazer essas coisas.

Você declarou que em alguns momentos se veste com roupas femininas dos pés à cabeça e vai para a rua. Já mexeram com você?
Já (risos).

E como foi?
O cara estava completamente bêbado. Foi divertida a experiência. Foi inédito ser cantado vestindo o aparato feminino. Foi curioso porque existe na abordagem do macho uma peculiaridade que é diferente e de certa forma específica desse tipo de trâmite. É diferente da cantada homossexual e da heterossexual. Tem essa cantada transgênero que é engraçada. É uma experiência nova.

Qual o guarda-roupa que hoje te interessa mais?
O feminino. O guarda-roupa masculino virou uma coisa sem sabor, uma coisa sem muito critério. Quando uso o guarda-roupa masculino visto qualquer coisa, qualquer calça. Então, a roupa masculina para mim era como se estivesse vestindo outra pessoa. E vestir roupa feminina é abrir as portas para um monte de desafios, propostas e sugestões.

Você ainda frequenta o grupo de crossdressers?
Frequento. A gente tem tentado manter esse grupo unido, temos tentado manter uma certa rotina de encontros. Mas não é muito fácil, pois é um grupo bem volátil, tem pessoas que aparecem e se entusiasmam, mas depois deixam o grupo por medo ou por excesso de situação. Os comportamentos são muitos erráticos, então tem gente que se encontra naquilo e fica à vontade. Tem outros que vêm e ficam nervosos e atônitos com as possibilidades. Entram em pânico.  Por isso, o grupo varia muito.

* Matéria originalmente publicada na edição nº 38 da revista A Capa.

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escritor João Silvério Trevisan

É a ideologia de que "veado" é para matar, diz escritor
ELIANE TRINDADE
DE SÃO PAULO

Militante dos diretos dos homossexuais, o escritor João Silvério
Trevisan, 66, credita os recorrentes episódios de homofobia a uma
ideologia de que "veado é para matar".


Folha - Como se explicam episódios recorrentes de homofobia em meio a
avanços de direitos dos homossexuais?
João Silvério Trevisan - Há um descompasso entre o que é prometido por
leis ou por políticas públicas e o que, de fato, acontece.

Qual é a consequência?
Não por acaso, temos a maior parada gay do planeta, em São Paulo, e
convivemos com esse tipo de atitude de pessoas que se julgam impunes e
pensam: "veado" é para matar. É o subtexto.
Os homossexuais reagem?
Há uma profunda despolitização da sociedade homossexual quanto aos
seus direitos. A comunidade gay tem dificuldade para reagir. É
assustadora a maneira como as pessoas fogem, como se aceitassem que
merecem ser punidas por serem homossexuais. É um outro lado muito
triste dessas agressões. A reação está à altura daquilo que os
atacantes esperam: ou seja, que "veado" é "cagão".

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Acusados de agressão na Paulista são soltos

VIOLÊNCIA
Pouco depois das 6h30 de anteontem, três jovens foram espancados pelos
cinco rapazes em plena avenida Paulista. Uma das agressões, contra o
estudante de jornalismo Luís, 23, foi vista pelo radialista Wladimir,
37, que saía do trabalho. Os dois pediram para não ter os sobrenomes
revelados.
"Vi o grupo espancando um rapaz e chamei a polícia, que chegou rápido,
pois já tinha sido avisada de outra agressão", disse Wladimir. Segundo
a polícia, o mesmo grupo de jovens havia agredido minutos antes os
amigos Otávio Dib Partezani, 19, e Rodrigo Souza Ramos, 20.
A família de Luís diz que processará os agressores.
Outra agressão, ocorrida às 3h, contra o lavador de carros Gilberto
Andrade, 18, também é atribuída a eles. Os jovens, segundo o advogado,
negam essa agressão.
Um dos amigos do estudante de jornalismo Luís, que presenciou as
agressões, diz que os rapazes pareciam estar alcoolizados. O advogado
Machado nega e diz que a polícia não pediu nenhum teste toxicológico a
eles.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Brown Card to CNN - Colombia - A right-fascist system with severe ochlarchy...

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domingo, 14 de novembro de 2010

Jovens de classe média agridem 4 na av. Paulista

DE SÃO PAULO
Um grupo de cinco jovens de classe média, colegas de um colégio
particular da capital, foi preso ontem acusado de promover uma série
de ataques, sem motivo aparente, a quatro pessoas que estavam pela
região da Paulista.
Em dois desses ataques a polícia diz haver indícios de motivação
homofóbica. As agressões eram feitas com chutes, socos e até com
bastões de luz branca. Duas das vítimas foram socorridas em hospitais
da região. Os agressores foram reconhecidos.
Advogados e parentes dos cinco jovens, quatro deles adolescentes de 16
e 17 anos, dizem haver um exagero por parte da polícia e o que houve
foi apenas "uma confusão que acabou em agressão". "Eles podem não ser
vítimas, mas não são algozes assim", disse o advogado Orlando Machado
Júnior, defensor de um adolescentes de 16 anos.
Dois dos ataques ocorreram por volta das 6h30 próximo à estação
Brigadeiro do Metrô, na av. Paulista. Os jovens, segundo a família e
advogados, voltavam de ônibus de uma festa em Moema.
De acordo com as vítimas Otávio Dib Partezani, 19, e Rodrigo Souza
Ramos, 20, eles estavam próximos a um ponto de táxi quando viram o
grupo caminhar na direção de ambos, mas sem demonstrar qualquer
agressividade.
Mas quando o grupo chegou próximo aos dois iniciou os ataques. O grupo
dizia, segundo as vítimas, "Suas bichas", "Vocês são namorados!".
Rodrigo fugiu para o Metrô, quando Otávio foi agredido por três
rapazes.
Logo após essa agressão, o quinteto atacou outro jovem, Luís, 23, que
estava com dois colegas. Ele foi ferido no rosto e na cabeça com
lâmpadas de bastão. Os colegas não foram agredidos, segundo a polícia.
O sobrenome dele foi preservado a pedido dele.
Testemunhas que viram as agressões chamaram a PM e os jovens foram
levados para o 5º DP (na Aclimação).
Por volta das 13h, quando a ocorrência estava sendo registrada como
formação de quadrilha e lesão corporal gravíssima, apareceu o lavador
de carros Gilberto Felipe Andrade, 18, dizendo ter sido vítima de uma
agressão. Ele reconheceu os jovens.
Segundo Andrade, ele foi agredido por volta das 3h na av. Brigadeiro
Luís Antônio.
Ele disse à Folha que o grupo seguia atrás dele quando um dos
adolescentes lhe acertou com um soco na nuca. Os outros rapazes o
agrediram em seguida.
Os adolescentes apreendidos seriam transferidos para a Fundação Casa,
enquanto o mais velho, Jonathan Lauton Domingues, seria encaminhado
para o Centro de Detenção Provisória.

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sábado, 13 de novembro de 2010

Anarquismos & etc e tal... 2

 eu me revolto,logo existo 

          visite-nos:            

http://ohomemrevoltado.blogspot.com/

Enviadas: Sábado, 13 de Novembro de 2010 23:42:17
Assunto: Anarquismos & etc e tal... 2

Olá,

Estamos publicando a segunda edição do boletim Anarquismos & etc e tal .

Segue em anexo a edição em PDF.

Espero que gostem.

sds acratas,

                                       Carlos Baqueiro


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Acesse o Blog A Era do Panóptico

http://aeradopanoptico.blogspot.com/

Participe desta Experiência de Trabalho de Pesquisa Colaborativo sobre 

Vigilância & Controle Social

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abaixo-assinado.

Meus Amigos, 


Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online:

«Contra o retorno da CPMF - Movimento Endireita Brasil »

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2010N3715

Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que também concordaras.

Assina o abaixo-assinado aqui http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2010N3715 e divulga-o por teus contatos.

Obrigado.
Pucci

Esta mensagem foi enviada por Pucci (f.pucci@terra.com.br), através do serviço http://www.peticaopublica.com.br em relação ao abaixo-assinado http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2010N3715


 

Dada a importância do assunto, encaminho a vocês, depois de assiná-lo.

Obrigada!

ROSA MARIA

 

 

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

penso logo...

Moradores de rua protestam por políticas públicas em Vitória

Moradores de rua protestam por políticas públicas em Vitória

"Durante anos nós ficamos invisíveis, e nós queremos visibilidade", um ex-morador de rua que participou de uma manifestação nesta terça-feira na Capital capixaba

Letícia Gonçalves - gazeta online

foto: Letícia Gonçalves
Os moradores de rua Antônio Ermírio, Luan Martins, Dione Carolino e Luis Fernando Oliveira, dizem que não têm oportunidades no mercado de trabalho
Os moradores de rua Antônio Ermírio, Luan Martins, Dione Carolino e Luis Fernando Oliveira, que vivem em Vitória, dizem que não têm oportunidades no mercado de trabalho

Há treze anos o jovem Antônio Ermírio Chaves, 23, vive nas ruas de Vitória. Ele conta que a família morreu quando ele ainda era criança e que, desde então, dorme em praças e calçadas. Antônio vive em um círculo do qual não consegue se desvencilhar. Por não ter moradia fixa, ele não consegue trabalho. Por não ter fonte de renda, não pode sair das ruas.

"Eu tenho um curso de mecânico, porém ninguém oferece emprego pra gente por sermos moradores de rua. A gente fica o dia inteiro andando, pede comida na casa dos outros. Já fui ameaçado várias vezes, já apanhei na porta de algumas pessoas, já apanhei de policia", conta.

O rapaz foi uma das cerca de 200 pessoas que participaram de uma manifestação nesta terça-feira (08) em Vitória, que contou com moradores e ex-moradores de rua. O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Anderson Lopes Miranda, 34 anos, diz que o objetivo é divulgar o movimento e chamar a atenção para a necessidade de políticas públicas para quem vive em situação de rua.

"Esse movimento é em busca de políticas públicas. Durante anos nós ficamos invisíveis e nós queremos visibilidade. Dizer que nós somos cidadãos e merecemos políticas públicas voltadas para nós", afirma. Entre essas políticas ele cita as que fazem parte de setores como habitação, trabalho, saúde, esporte e direitos humanos, além da área da assistência social, a única que, de acordo com ele, promove ações para os moradores de rua atualmente no país.

Leia mais notícias do Minuto a Minuto

Hoje ex-morador de rua, o coordenador, que é de São Paulo, já passou um período no Espírito Santo. "Eu morei 16 anos na rua. Hoje eu tenho emprego, tenho casa, tenho família. É tudo uma questão de oportunidade e de olhar para a gente", avalia.

foto: Letícia Gonçalves
Manifestação de moradores de rua no Centro de Vitória
Manifestação de moradores e ex-moradores de rua no Centro de Vitória

Entre os manifestantes havia até crianças. Um menino de 15 anos - que não será identificado - conta que saiu da casa em que vivia com a mãe, o padrasto e sete irmãos e há pouco mais de um mês passa as noites sob marquises em São Torquato, Vila Velha.

"Meu padrasto me 'esculacha' e ele tem um revólver em casa, por isso eu vivo na rua. Eu durmo, uso thinner (um tipo de solvente químico) e cigarro. Minha mãe está em casa, não sei o que ela está fazendo, ela não me procura".

Ex-moradora de rua, Aldineia Souza Rocha, 31 anos, diz que as relações familiares influenciam no destino de jovens como esse. "Isso começa na família, que rejeita, que maltrada o jovem. Aí ele vai para a rua e na rua é acolhido por quem se diz amigo dele, então ele vai ficando".

Ela destaca que a situação dos moradores de rua no Estado é sofrível. "A situação da população de rua no Espírito Santo é precária. Eles não são socorridos pelo Samu, não têm direito à saúde, nem à dignidade. Quando as pessoas veem um morador de rua dizem 'olha, lá vem um ladrão', isso não é verdade. A gente quer mostrar que somos seres humanos".

Situação de rua

foto: Fabio Machado/ AG
Morador de rua
Foto de 2008 retrata a situação de moradores de rua na Grande Vitória

A assessora técnica da Gerência de População de Rua de Vitória, Gilderlandia Silva Kunz, explica que nem sempre quem está em logradouros públicos é morador de rua.

"Nem todo mundo que está na rua é de rua. Muitas pessoas vêm para as ruas para buscar uma forma de sobrevivência, entre elas há trabalhadores, como malabaristas, catadores de material reciclável e flanelinhas. Eles estão em situação de rua, mas voltam para suas casas à noite. Os moradores de rua são os que pernoitam".

De acordo com a assessora técnica, em Vitória há 160 pessoas em situação de rua e 50 moradores de rua propriamente ditos. Ela diz que um levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, feito em 2008, apontava a existência de 700 pessoas em situação de rua na região metropolitana de Vitória.

Ainda, segundo o ministério, o Brasil tem 39 mil moradores de rua, mas a estimativa do movimento nacional é de esse número seja de 50 mil pessoas.

Manifestação

A manifestação desta terça partiu da Prefeitura de Vitória, em Bento Ferreira, e seguiu até o Palácio Anchieta, no Centro. Durante o protesto eles lembraram o assassinato de uma moradora de rua que ocorreu em agosto deste ano. Identificada apenas como Marina, ela foi morta a pedradas próximo à escadaria Maria Ortiz, que dá acesso à sede do governo estadual, e.

m agosto deste ano. De acordo com o delegado Orly Fraga Filho, da Divisão de Crimes Contra a Vida de Vitória, 16 moradores de rua foram assassinados na cidade somente em 2010

     

 

     

 

Anderson Lopes MirandaCoordenador Nacional.
Movimento Nacional da População de Rua
011 7603-8719, 7551-3218

011 2111-1864 com.

 


 

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Últimos exemplares!

Michel Foucault
Nenhum poder existe por si! Nenhum poder, qualquer que seja, é evidente ou inevitável! Qualquer poder, consequentemente, não merece ser aceito no jogo! Não existe legitimidade intrínseca do poder! E a partir dessa posição, a démarche consiste em perguntar-se o que, a partir disso, é feito do sujeito e das relações de conhecimento no momento em que nenhum poder é fundado no direito nem na necessidade; no momento em que qualquer poder jamais repousa a não ser sobre a contingência e a fragilidade de uma história; no momento em que o contrato social é um blefe e a sociedade civil um conto para crianças; no momento em que não existe nenhum direito universal. §§§ Brochura com 130 páginas, no formato 14x21cm.

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Ad students protest in London. Anarchist point of view! Brown Cards to student ochlarchists, i.e. ultra-authoritarian extremist marxists, rioters and provocateurs falsely using the anarchist @-sign & flags, and CNN, Associated Press and more...

Ad students protest in London, Conservative HQ attacked. Brown Cards
to student ochlarchists, i.e.
ultra-authoritarian extremist marxists, rioters and  provocateurs
falsely using the anarchist @-sign & flags, and CNN, Associated Press
and more - Anarchist point of view!

A group of demonstrators broke into the headquarters of Britain's
governing capitalist Conservative Party in London Wednesday,
spray-painting anarchy symbols and setting off flares before being
forced out of the building. They went on to set fires outside the
building. The violence came during a largely peaceful protest by
students against government plans to allow universities to increase
tuition fees. Students and university staff are protesting against
government plans to allow universities to charge up to 9,000 pounds
(about $14,500) per year in tuition fees -- a substantial rise from
the current cap of 3,000 pounds (about $4,800).The National Union of
Students said 40,000 demonstrators were on the streets. The Anarchist
Federation and anarchists in general support the protest against this
hike in tuition fees, but not the ochlarchy, i.e. mob rule broadly
defined, and riots.

The Interntional Anarchist Tribunal, IAT-APT, hands out  Brown Cards
the student ochlarchists, i.e. ultra-authoritarian extremist marxists,
rioters and  provocateurs falsely using the anarchist @-sign, trying
to put the blame for the ochlarchy on anarchists. The Brown Cards mean
expulsion from the anarchist movement for these provocateurs. The
rioting students were anti-capitalists, i.e. socialists, and
significant ochlarchical, i.e. ultra-authoritarian and extremists. All
authoritarian socialists are marxists, not anarchists, and thus the
rioters were marxists, extremists, and not anarchists. CNN also gets a
Brown Card for spreading the disinformation and lie, that anarchists
were behind the ochlarchy and riots. NB! The rioters were marxist
extremists, not anarchists!

Associated Press reported "Office workers were evacuated as several
dozen demonstrators managed to get into the lobby, scattering
furniture, smashing CCTV cameras, spraying graffiti and chanting
"Tories Out," while outside police faced off against a crowd that
occasionally hurled food, soda cans and placards. Anarchist symbols
and the words "Tory scum" were spray-painted around the building, and
black and red flags flew from atop an office block beside the 29-story
Millbank Tower," and also gets a Brown Card, and Brown Cards are also
handed out to all newsmedia quoting AP in this matter. In fact no
anarchists participated in the ochlarchy, only marxist provocateurs
falsely using anarchist flags and symbols, making an ochlarchical
mockery of direct action and trying to put the blame of the vandalism
on anarchists. Nobody takes ochlarchists seriously, it is just a
police matter, criminality, which anarchists are against. Ochlarchy
does not work in libertarian direction, only for the authoritarian and
more of it. Demonstrate with dignity - not ochlarchy, use real matter
of fact arguments and add weight behind via direct actions, mass
actions, and via elections. 10.11.2010.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CAMPANHA CONTRA A TORTURA

CAMPANHA CONTRA A TORTURA
 
Envie ao Governador Jacques Wagner sua posição pela fim da tortura na Bahia
e pela punição dos PMs que torturaram Bernadete Souza Ferreira
 
ENCAMINHE E DIVULGUE ESTE EMAIL CONTRA A BARBÁRIE
Campanha Publicada no Vi  o Mundo de Luis Carlos Azenha e enviada ao Governador Jacques Wagner.
 
Hoje na Bahia o governador Jacques Wagner estará reunido com representantes da comunidade negra e os movimentos sociais se manifestam por justiça. Terá de enfrentar o olhar de mais uma torturada pela PM da Bahia. A impunidade continua sendo a regra. Assim que soube dos fatos no dia 23/10 encaminhei veemente protesto à ouvidoria do governo bahiano em nome do Grupo Tortura Nunca Mais-SP, recebendo somente um comunicado padrão de ciência por parte da Secretaria de Segurança Pública.
 
Tortura não se resolve com burocracia. A tortura é combatida com atitude, ou seja, apuração e responsabilização, sem isso a indignação dos governantes é um teatro estéril.
 
A tortura é cultural e corriqueira, alegou o torturador Maurício Lopes Lima, em recente entrevista a um jornal, para justificar as barbáries sofridas pela agora presidenta Dilma Rousseff e milhares de pessoas que sofreram o mesmo suplício ao passarem pelo DOI-CODI na ditadura militar.
 
É cultural sim e vem de uma cultura da segregação do negro e do pobre, do controle social pelo medo e fundamentalmente da impunidade. Pertence ao Brasil do privilégio, do dinheiro fácil e corrupto. É fruto da falta de vergonha de governantes omissos e secretários de segurança coniventes. É fruto da criminalização do pobre e da pobreza. É a cultura do capitão do mato que persiste por aqui.
 
A impunidade dos torturadores da ditadura militar, chancelada vergonhosamente pelo STF ao julgar a ADPF 153, faz outra vítima. Até quando? Até quando a justiça será omissa frente ao passado e o presente? Até quando a sociedade ficará de costas a tema tão caro que afronta a cidadania e a pessoa humana?
 
A tortura em nosso país agora está turbinada pela liberação das armas não-letais e sobre isso nada se fala, casos absurdos têm sido relatados de várias partes do país, onde agentes públicos passam a usar tais instrumentos para gerar dor e terror. A justiça de transição pressupõe a mudança de mentalidade e pratica dos órgão de segurança do país e tal mudança deve permear o processo de formação e ação dos agentes públicos ligados à área de segurança pública e o estado brasileiro em suas várias esferas de gestão desconhece o tema.
 
A herança hedionda das ditaduras brasileiras se impõe mediante o silêncio criminoso de muitos que poderiam atuar e não atuam. 
 
É necessário um Brasil sem tortura para haver democracia. É necessário um debate franco e aberto sobre o tema nos veículos de comunicação responsáveis. É necessário tirarmos este assuto tão doloroso e humilhante de baixo do tapete. É necessário vontade política para realizar um enfrentamento consequente desta chaga social. De nada adianta discutirmos a impunidade de ontem se fechamos os olhos para o sofrimento e a barbárie cometidas por agentes do estado em nosso presente, pois são faces de uma mesma e contínua violência.
 
Com a eleição de Dilma Rousseff o Brasil votou também contra o ódio, o preconceito, a intimidação e práticas que queremos ver relegadas à história passada, trazidas ao centro da política nacional pelo candidato José Serra assanham e rearticulam aqueles que não entendem que o país é de todos seus cidadãos e cidadãs.
 
Esperamos sim um avanço nesta área, esperamos uma reformulação nas academias de ensino das forças de segurança e militares do país, para que formem servidores da segurança pública imunes a esta pratica. Esperamos atitudes e não discursos, pois a tortura se combate dia a dia, caso a caso, repito, com apuração e responsabilização.
 
Tortura é barbárie! Tortura é crime hediondo, inafiançável e não prescreve.
 
Pelo afastamento dos agentes públicos envolvidos na tortura de Bernadete Souza Ferreira e abertura  imediata de processo por CRIME DE TORTURA.
 
Atenciosamente;
 
Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória
(11) 3052-2141
(11) 9206-9284
www.armazemmemoria.com.br
mzelic@uol.com.br 

BA: Líder religiosa é torturada pela PM e exige atitude do Estado

Na Bahia, Polícia Militar é acusada de torturar líder religiosa e do movimento negro Bernardete Souza Ferreira, que coordena o Assentamento Dom Hélder Câmara, em área sob jurisdição do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra). O assentamento continua ameaçado pelos policiais, entidades exigem resposta do governador Jacques Wagner e farão ato no próximo sábado (13) em Ilhéus (BA). O governador receberá uma comissão nesta quarta-feira (10).

Reprodução
 

Bernadete de Souza Ferreira, violentada por policiais no Assentamento Dom Helder Câmara

 
A líder religiosa do Candomblé, Bernardete Souza Ferreira, 42 anos, foi algemada, arrastada pelos cabelos e jogada por soldados da Polícia Militar da Bahia num formigueiro no dia 23 de outubro, por ter pedido explicações para a invasão dos policiais da área do Incra, onde vive em Ilhéus. Bernadete denunciou na quarta-feira passada (3) que os mesmos policiais que praticaram a violência contra ela continuam soltos e passaram a intimidar testemunhas.

Casada, com o também militante do Movimento Negro Unificado, Moacir Pinho de Jesus, mãe de duas filhas e avó de uma neta de 4 anos - Omidaré -, Bernadete disse que a comunidade de Banco do Pedro, onde vive juntamente com mais 26 famílias de Sem-Terra, num total de 90 pessoas, continua apreensiva e amedrontada.

A denúncia a jornais locais foi levada pela advogada Adalyce Gonçalves que, já agindo como advogada da líder religiosa, em conjunto com o advogado, Dojival Vieira, fez a mediação entre Bernadete e a redação de veículos noticiosos, que passaram a repercutir o caso.

Absolutamente indignado

A Secretária Luiza Barros, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppromi), diz que governador Jacques Wagner, do PT, ao tomar conhecimento do caso teria ficado "absolutamente indignado". 

O movimento negro da Bahia e outras organizações têm realizado pressão para que o governador Jacques Wagner tome uma posição diante da atrocidade. Além da audiência, as entidades querem o afastamento do secretário de Segurança, César Nunes, do comandante da Polícia Militar e de todos os envolvidos diretamente na tortura.

O governador receberá, nesta quarta-feira (10), Bernadete e uma comissão de entidades, da qual participa a União de Negros pela Igualdade (Unegro), por meio do sua representante Ubiraci Matilde de Jesus.

Liderança do movimento negro na Bahia, Olívia Santana explica que a Unegro se soma à grita geral por um basta à violência e à intolerância religiosa: "agora você imagina uma violência absurda dessas ter sido feita por agentes do Estado, por policiais em serviço!", indigna-se Olívia.

Segurança Pública na pauta

Ubiraci explica que a pauta principal a ser debatida com o governador é Segurança Pública. "Queremos nacionalizar os atos, o debate, mas de forma institucional, porque a segurança pública tem que ser preparada para conviver com a diversidade", argumenta.

Para a liderança da Unegro, a verbalização dos policiais confirma o crime de intolerância religiosa, além de ter ocorrido violência contra a mulher. Ela diz ainda que as torturas realizadas lembram os anos de chumbo do país: "a ausência de aplicação das políticas públicas à população obviamente tem interface com a intolerância religiosa... o que ocorreu parece com o que acontecia na década de 60, durante a Ditadura Militar, quando os terreiros não tinham liberdade para exercer sua prática religiosa".

Ubiraci informa que o movimento negro da Bahia já se reuniu com o Comando da PM, com o Ministério Público estadual e com o Chefe da Secretaria de Segurança Pública - pois, segundo ela, havia também policiais civis envolvidos na tortura a Bernadete. Na quarta-feira ocorre a reunião com o governador Jacques Wagner, e o movimento já está em contato também com  a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e com o Ministério da Justiça, por meio do conselho de segurança pública local.

Hamilton Borges Walê, líder da campanha "Reaja ou Será morto", que denuncia o assassinato contínuo de jovens negros na periferia de Salvador, disse que os protestos continuarão com o ato marcado para o dia 13 de novembro, em Ilhéus. “Queremos que esse ato tenha dimensão nacional”, afirmou. 

Invasão ilegal

A sessão de violência e tortura sofrida pela líder religiosa – que é filha de Oxóssi, uma entidade do Candomblé – começou na tarde do dia 23 de outubro, um sábado, quando um destacamento da PM baiana invadiu o Assentamento D. Hélder Câmara, à procura de um homem que supostamente teria escondido drogas no local.

Na reportagem a jornal local, Bernadete contou que o Assentamento, localizado no distrito de Banco do Pedro, vivia um dia tranquilo quando, por volta das 14h30, ela e o marido, o agricultor e professor de filosofia Moacir Pinho de Jesus, assistiam televisão quando perceberam a presença de oito policiais, que chegaram fortemente armados, com um jovem algemado.

“Eles disseram que estavam numa investigação e que não poderiam dar explicações. A gente colocou para eles que o assentamento estava sob jurisdição do Incra e que, para entrar ali, tinha que ter ordem judicial”, acrescentou.

Os policiais continuaram sua incursão, invadiram a sede da Associação de Moradores, vasculhando tudo o que encontravam pela frente. Foi então que a líder religiosa foi mais incisiva. “É melhor vocês se retirarem. Isso aqui é uma área privada, um assentamento. Vocês podem entrar nas casas de quem não conhece as leis. Mas aqui nós não somos abestalhados”, afirmou.

Tortura

Foto: Reprodução
As consequências da tortura ainda estão nas pernas de Bernadete, que foi jogada em um formigueiro pelos policiais
Foi o bastante para que o PM que comandava a patrulha, identificado como Adjailson, lhe desse voz de prisão por desacato e começasse a sessão de torturas que – após o lançamento no formigueiro – terminou com ela jogada num camburão e depois numa cela masculina, de onde só saiu horas depois, por intervenção de lideranças do movimento negro.

Guedes, o soldado identificado por Jesus e outro aspirante de oficial, Adjailson – a arrastaram pelos cabelos até um formigueiro próximo para, segundo ironizavam "tirar o demônio do corpo". “Os PMs riam e diziam que estavam tirando o demônio “em nome de Jesus. Essas pessoas não têm nenhuma condição de lidarem com seres humanos e vestem a farda do Estado”, acrescentou Bernadete.

A mãe de santo não lembra quanto tempo ficou na cela masculina no 7º COORPIN, de Ilhéus, para onde foi levada, porém, recorda um detalhe: “Teve um momento que o preso que estava na cela tentou se aproximar de mim e aí alguém [que ela diz não saber quem] não deixou. Imagino que fiquei de três a quatro horas presa na cela”, acrescentou.

Diversidade de intolerâncias

Os policiais zombaram de Bernadete por ela ser praticante do Candomblé, o que configura a intolerância religiosa da ação. Como a vítima era uma mulher negra, a ação foi recheada também de racismo e violência contra a mulher.

Segundo Bernadete, o conforto pela violência, cujas seqüelas ainda estão presentes no seu corpo pela picada das formigas, tem sido a mobilização desencadeada pelos movimentos de terreiros de Candomblé, entidades do movimento social e do movimento negro, indignadas com o caso.

Da redação, Luana Bonone, com informações da Afropress



TORTURA É CRIME INAFIANÇÁVEL!

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