Cultura, 20h50, livre. O "Jornal da Cultura" lembra hoje os 35 anos da morte do ex-diretor de jornalismo da emissora, ocorrida nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, durante a ditadura militar brasileira.
A carreira de Vlado -como era conhecido- e o impacto da repercussão de sua morte no processo de redemocratização do país são abordados em depoimentos.
Entre os entrevistados estão o cineasta João Batista de Andrade, diretor do documentário "Vlado - 30 anos Depois", e o desembargador Márcio José de Moraes.
Amanhã, às 23h30, o canal ainda exibe o documentário "Vlado - 30 Anos Depois".
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
ditadura militar brasileira
Ciclistas comemoram um ano da ciclofaixa de lazer
| Mastrangelo Reino/Folhapress |
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA Uma pedalada na manhã de domingo -nublado, diga-se de passagem- marcou ontem um ano de funcionamento da Ciclofaixa de Lazer de São Paulo, que liga os parques do Povo, do Ibirapuera e das Bicicletas.
Sob uma garoa fina, cerca de mil ciclistas participaram da largada comemorativa, de acordo com organizadores do evento.
Quem desafiou o mau tempo ganhou camiseta, viu apresentações artísticas e desfrutou o passeio com outros amantes do esporte. O público foi bem variado.
Havia muitas crianças, como Marília, 4, que ainda não tirou as rodinhas auxiliares da bicicleta. "Para ela, pedalar só significa diversão", disse o pai, o bancário Roberto Alencar, 46. Adultos como ele estavam em busca de uma vida saudável. "Pedalo há dois anos e vi minha vida se transformar", disse.
A iniciativa da prefeitura já atraiu mais de 730 mil pessoas ao longo de seus 53 domingos, segundo o governo.
No percurso de 10 km e que fica aberto das 7h às 14h, 40 agentes da CET, além de monitores, trabalham no controle e na orientação de ciclistas e motoristas. Todos os domingos são usados 2.500 cones; 250 cavaletes; 80 banners e 50 rolos de fita para sinalizar a ciclofaixa.
O empresário Fernando, 44, e a médica Mônica, 37, viram no projeto uma forma de unir a família. "Há três meses compramos bicicletas para nós e para as crianças e começamos a vir quase todos os domingos", conta Fernando.
Ontem, eles levaram, além dos filhos Fernando, 9, e Eduardo, 5, a sobrinha Vitória, 10. "Com muita gente é bem difícil pedalar nos parques, que são muito lotados. A gente tentou e quase foi atropelado", disse Fernando
Filme leva 10 mil ao Ibirapuera
Garoa, frio e grama úmida não espantaram paulistanos ontem
ANA PAULA SOUSADE SÃO PAULO Com os edifícios de sua própria metrópole a servir de moldura para as imagens de Fritz Lang, os paulistanos acompanharam, na noite de ontem, a exibição de "Metrópolis" (1927), no Ibirapuera.
Nem a garoa que, antes do início do filme, deixou úmido o gramado, espantou as cerca de 10 mil pessoas que se reuniram para conhecer a cópia restaurada desse clássico do cinema mudo, que chegou ao Brasil acompanhada de orquestra ao vivo.
Dentro da programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema, a parede externa do Auditório Ibirapuera foi transformada em tela.
Sob as imagens do mundo que começava a ficar veloz, tomado por máquinas e homens presos a relógios, a Orquestra Jazz Sinfônica, conduzida por João Mauricio Galindo, executou a música original de Gottfried Huppertz.
A vastidão do público não apenas não atrapalhou o desejado silêncio como parece ter devolvido, ao cinema, seu sentido de arte coletiva.
A experiência partilhada fez com que, a despeito da temperatura que caía sem parar, praticamente ninguém arredasse pé da sessão após o primeiro intervalo.
São Paulo foi a primeira cidade da América Latina a exibir essa cópia de "Metrópolis", com 25 minutos inéditos. A primeira exibição foi no Portão de Brandemburgo, em Berlim, em fevereiro.
Os paulistanos, para fazer jus ao biscoito fino, trouxeram até taças de vinho para o gramado do parque.
domingo, 24 de outubro de 2010
XIV Conferenza internazionale della FICEDL (Dal 4 al 6 settembre 2009)
“Foucault e a potência da retórica”
Centro de Cultura Social - Novembro/Dezembro 2010
“Foucault e a potência da retórica”, com Nildo Avelino (Doutor em Ciência Política e integrante do CCS).27/11 Sábado - 16h
Lançamento: Malatesta. Biografia ilustrada de um símbolo do anarquismo italiano. Desenhos de Fabio Santin, texto de Elis Fraccaro, posfácio de Nildo Avelino. Tradução de Maria Ling e Nildo Avelino. Editora Robson Achiamé [21x28cm - 106p]. 04/12 Sábado - 16h
Leitura Dramática, “As Criadas” de Jean Genet. Direção de Alberto Centurião (Dramaturgo, ator e diretor de teatro, integrante do CCS).Centro de Cultura Social
Rua General Jardim, 253 Sala 22 (próximo ao metrô República)
São Paulo
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Por sugestão do PT, Ceará decide controlar a mídia
Assembleia do Estado aprova criação de órgão que terá como atribuição fiscalizar e monitorar a imprensa local
Folha apurou que o governo federal irá estimular Estados a implementar propostas debatidas na Confecom
DE BRASÍLIA
Por sugestão do PT, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, por unanimidade, a criação de um Conselho Estadual de Comunicação Social que terá como atribuição "orientar", "fiscalizar", "monitorar" e "produzir relatórios" sobre a atividade da imprensa local "nas suas diversas modalidades".
O conselho segue várias das propostas restritivas à liberdade de imprensa aprovadas pela Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), realizada pelo governo federal no ano passado.
A Folha apurou que, com dificuldades para implementar nacionalmente medidas que visam o controle da mídia, o governo federal irá estimular que os Estados o façam. Assim, com a discussão instalada, haveria ambiente mais favorável à proposição de lei federal.
O diretor da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Luiz Roberto Antonik, considerou que o conselho visa censurar o trabalho da imprensa e informou que a entidade estuda as medidas judiciais cabíveis.
Abert e ANJ (Associação Nacional de Jornais), além de outras entidades, não participaram da Confecom por considerar que o evento tinha como propósito justamente discutir medidas de controle da imprensa.
O Conselho de Comunicação no Ceará será vinculado à Casa Civil e terá entre suas funções observar e produzir, semestralmente, relatórios sobre a produção e programação das emissoras de rádio e televisão locais; orientar e fiscalizar as atividades dos órgãos de radiodifusão sonora ou de imagem; implementar políticas de capacitação dos cidadãos para leitura crítica dos meios de comunicação, entre outras.
Como a criação do conselho é uma iniciativa que cabe ao Executivo estadual, o projeto dá aval para que o governador reeleito do Estado, Cid Gomes (PSB), o implemente.
O líder do governo na Assembleia, deputado Nelson Martins (PT), foi um dos defensores da ideia. "Temos uma cultura de denuncismo. Isso não é culpa do profissional, mas dos donos das empresas de comunicação."
"Carmen", de Bizet
DE SÃO PAULO - Quem passar hoje, às 11h, pela estação Paraíso do metrô vai encontrar um espaço bem diferente do habitual, montado para receber a ópera "Carmen", de Bizet. A apresentação faz parte do lançamento do Projeto Encontros, da Secretaria dos Transportes Metropolitanos.
Além de "Carmen", apresentações de companhias de teatro e de dança, e das bandas Cantilena Paulistana e Big Jazz Band Heartbreakers completam a programação cultural de hoje na estação.
A estrutura que abrigará o evento foi montada em uma área ampla que dá acesso à Linha 1 - azul e poderá receber também sessões de cinema.
O projeto funciona desde abril do ano passado, de forma experimental, na estação Santa Cecília, da linha 3 -vermelha. Agora será ampliado para mais 15 estações, em todas as linhas do sistema.
O objetivo é levar aos passageiros que circulam pelas estaçõs de metrô da capital paulista, programas culturais nem sempre acessíveis a todos.
"Carmen" será apresentada hoje com a mezzo soprano Luciana Bueno, acompanhada do pianista João Moreira Reis e do bailarino flamenco Ulisses Ruedas. O espetáculo tem a direção de Vera Barbosa.
A programação completa das apresentações do Projeto Encontros deve ser divulgada hoje pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
23/10/10, sábado 16h
“O paradigma indiciário na construção do conhecimento” [II], com Anna Gicelle Alaniz (Doutora em História pela USP e integrante do CCS). |
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Que criatividade !
Você mora de aluguel? Se sente infeliz? O pior inquilino é o espermatozóide. Mora com milhões de irmãos na casa do cacete. |
Cecilia Meireles
Clarice Lispector
Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
MUDANÇA
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
Clarice Lispector