domingo, 9 de maio de 2010

O Feudalismo Acadêmico

"... a ortologia dos saberes foi o que permitiu à Igreja economizar petróleo. Por que ao invés de sustentar indistintamente, a torto e à direito, a ortodoxia, a censura, a proibição de certos conteúdos de saber, e isto pelo fato da ortodoxia exigir frequentemente ações economicamente onerosas e politicamente perigosas (as fogueiras não só tinham um alto custo aos cofres da Igreja, como também seu ritual provocava, algumas vezes, a revolta popular toda vez que o condenado sustentava uma postura corajosa frente os inquisidores, Giordano Bruno por exemplo). Por tanto, a prática da ortodoxia continha muitos inconvenientes e provocava muitos atritos que minavam a própria autoridade da Igreja. Foi por esta razão que, ao longo dos anos, a prática da ortodoxia foi diminuindo paulatinamente até chegar à sua abolição formal na modernidade. Mas isto só foi possível graças a esta outra prática sistemática e constante de ortologização dos saberes que consiste em não mais censurar, portanto, mas estabelecer um controle minucioso sobre os saberes para verificar se eles estão conformes a lógica e ao método justo. Não mais proibir mas, uma vez normalizados e disciplinados, fazer o saber circular livremente, fazê-lo expressar-se, fazê-lo falar através da educação escolar e universitária. Percebam que se na ortodoxia a obediência imposta é exterior ao sujeito do conhecimento, na ortologia a obediência é exercida pelo próprio sujeito do conhecimento: sou eu mesmo que, na medida que penso e que falo, estabeleço eu mesmo minha obediência às regras da lógica e do método; eu sou e eu exerço a polícia de meu próprio conhecimento; em obediência à lógica, eu segrego, eu excluo, eu nego o que pode existir de ilógico e de absurdo em meu próprio pensamento. Com isso, se a ortodoxia foi a disciplinarização dos corpos, a ortologia é a disciplinarização e a normalização dos saberes. E no fundo, não foi o Iluminismo do século XVIII quem jogou a última cartada contra o dogmatismo: sua abolição já estava dada em germe desde o século XII pela ortologia dos saberes."

Posted via email from franciscoripo

Editora Achiamé | Cultura libertária em suas mãos

PRECONCEITO E POLÍTICA NA CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA DO 13 DE MAIO

Maio Tempo TrágicoCENTRO DE CULTURA SOCIAL

Palestra
PRECONCEITO E POLÍTICA NA CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA DO 13 DE MAIO

15/05 - 15:00hs

Profa. Dra. Anna Gicelle Garcia Alaniz - Pesquisadora colaboradora do Centro de Memória Unicamp.
Apresentação.


Em maio de 1988 ocorreram no Brasil diversos congressos e colóquios visando um balanço historiográfico sobre os temas ligados ao estudo da escravidão, da transição para o trabalho livre, do preconceito e da memória sobre a resistência escrava. Era o momento florescente de uma nova matriz historiográfica, derivada dos estudos de Edward P. Thompson, representada pelos historiadores oriundos da Universidade Estadual de Campinas e pelos historiadores da “brecha camponesa”, inspirados nos trabalhos de Ciro Flammarion Cardoso. Estes trabalhos redimensionaram as discussões e ofereceram um panorama totalmente novo para quem quisesse aprofundar-se nos meandros da história da escravidão nas Américas.

Nos anos que se seguiram, historiadores brasileiros, estadunidenses, africanos e caribenhos produziram algumas das mais importantes e instigantes obras sobre escravidão, tráfico, família escrava, abolicionismo, resistência e, também a discussão desses temas no contexto do colonialismo. No caso do Brasil, autores tradicionais como Gilberto Freyre, Caio Prado Jr., Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso e Otávio Ianni sofreram uma profunda revisão crítica e foram confrontados com novas evidências documentais. Ao final da década de 1990 já não se tratava mais de um debate, mas de toda uma renovação da perspectiva historiográfica.

Isto ocorreu porque, com o fim da ditadura militar, houve nas universidades brasileiras um afluxo de pesquisadores retornando da Europa e trazendo em suas bagagens as mais recentes novidades em termos de teoria e historiografia. Autores como Carlo Ginzburg, Michel Foucault, Edward P. Thompson, Eric J. Hobsbawm, Christopher Hill e Robert Darnton, antes conhecidos de uma minoria seleta, passaram a integrar as bibliografias dos cursos de graduação e nortear os debates. A aproximação metodológica entre história e antropologia produziu resultados e um novo olhar sobre a documentação primária.

Entretanto, esse debate vibrante e a nova produção decorrente, no que se refere à escravidão e seus temas correlatos, não conseguiu superar a barreira acadêmica e alcançar a sociedade. Duas décadas de resultados mal são perceptíveis no material didático disponível, que continua reproduzindo e ecoando Gilberto Freyre ou optando por uma atitude pretensamente crítica, mas que divulga uma nova série de preconceitos. Discutir a produção de material didático e paradidático e seu uso político por editoras e governos seria exaustivo e recorrente.

Por outro lado, a memória que a sociedade compartilha sobre escravidão, abolicionismo e o papel do negro em sua própria história, segue duas vertentes que se originam na política e não no conhecimento documental. Por um lado há os defensores da democracia racial que se recusam a ver e discutir os efeitos perniciosos da escravidão em nossa sociedade, ignorando o racismo e deslocando a discussão do seu eixo principal; por outro lado temos os defensores da identidade e da raça negra, que se recusam a ver qualquer outro meio de resistência que não o confronto e menosprezam o papel da população branca nos quadros abolicionistas, provocando uma ruptura social contraproducente e desnecessária.

Recuperar a discussão acadêmica e torná-la inteligível ao cidadão comum deveria ser a prioridade do historiador, uma vez que o conhecimento só faz sentido se for partilhado. Abrir os arquivos e os resultados das pesquisas ao debate público pode ajudar a matizar as posições mais extremistas e permitir uma visão mais coerente do contexto histórico. Assim, os problemas sociais decorrentes do período poderão ser abordados de maneira mais inteligente, sensata e livre de controvérsias vazias.

Centro de Cultura Social

Rua Gal. Jardim nº 253 – sala 22 – Vila Buarque (metrô República)

Posted via email from franciscoripo

MAIO TEMPO TRÁGICO

Oficina Libertária 2010

12/05, quarta-feira as 19h

Proudhon e Foucault, por uma “filosofia relacional”


(des)encontros anárquicos de literatura
Leia o livro e traga uma bebida

15/05, sábado as 20h

“Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar


Palestra
Preconceito e Política na Construção da Memória do 13 de Maio

15/05 - 15:00
Profa. Dra. Anna Gicelle Garcia Alaniz

Centro de Cultura Social
Rua Gal. Jardim nº 253 – sala 22 – Vila Buarque (metrô República)
www.ccssp.org

Posted via email from franciscoripo

terça-feira, 4 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Lançamento em Junho

 Editora Achiamé

Michel Foucault (tradução de Nildo Avelino)

Do governo dos vivos. Curso no Collège de France, 1979-1980 (aulas de 09 e 30 de janeiro de 1980)

"Nenhum poder existe por si! Nenhum poder, qualquer que seja, é evidente ou inevitável! Qualquer poder, consequentemente, não merece ser aceito no jogo! Não existe legitimidade intrínseca do poder! E a partir dessa posição, a démarche consiste em perguntar-se o que é feito do sujeito e das relações de conhecimento no momento em que nenhum poder é fundado no direito nem na necessidade; no momento em que qualquer poder jamais repousa a não ser sobre a contingência e a fragilidade de uma história; no momento em que o contrato social é um blefe e a sociedade civil um conto para crianças; no momento em que não existe nenhum direito universal, imediato e evidente que possa, em todo lugar e sempre, sustentar uma relação de poder qualquer que ela seja. Vocês vêem, portanto, que entre isso que se chama, grosso modo, a anarquia, o anarquismo e o método que eu emprego é certo que existe qualquer coisa como uma relação."

Posted via email from franciscoripo

Achiamé

sábado, 1 de maio de 2010

programação de maio no ccs

Caso não consiga visualizar essa mensagem, clique aqui.

 

CENTRO DE CULTURA SOCIAL

convida

.

Oficina

Libertária 2010:
12/05/10

quarta-feira

19:00
Proudhon e Foucault, por uma “filosofia relacional”

Palestra:

15/05/10

sábado

15:00

Preconceito e Política na Construção da Memória do 13 de Maio
Profa. Dra. Anna Gicelle Garcia Alaniz

 

(des)encontros anárquicos de literatura
Leia o livro...

traga uma bebida...


15/05/10

sábado

as 20h
“Lavoura Arcaica”

de Raduan Nassar

cinema & anarquia


16/05/10

domingo

as 19h
“Lavoura Arcaica”

 direção de Luiz

Fernando Carvalho (Brasil, 2001).

Realização:

Centro de Cultura Social de São Paulo

Rua Gal. Jardim n.º 253 – sala 22 (metrô república)

 

www.ccssp.org

ccssp@ccssp.org


Posted via email from franciscoripo

Giuseppe Galzerano

Domenica 2 maggio il Tg2 delle 20.30 si occuperà della rivolta del Cilento del 1828. La giornalista Adele Ammendola intervista Giuseppe Galzerano sul ruolo e sulla partecipazione delle donne cilentane alla rivolta


Posted via email from franciscoripo

Fotos de Damiano Muzio - Carrara 1° MAGGIO 2010

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[1]

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[2]

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[3]

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[4]

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[5]

Nildo Avelino: O cuidado de si na revolução libertária[6]

sexta-feira, 30 de abril de 2010

X SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA NIETZSCHE / DELEUZE: NATUREZA / CULTURA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ / AUDITÓRIO SETORIAL BÁSICO II
De 25 a 27 de maio / 2010 - Belém

NIETZSCH / DELEUZE: NATUREZA / CULTURA

Posted via email from franciscoripo

METRÓPOLIS

MAIO TEMPO TRÁGICO

Oficina Libertária 2010

12/05, quarta-feira as 19h

Proudhon e Foucault, por uma “filosofia relacional”


(des)encontros anárquicos de literatura
Leia o livro e traga uma bebida

15/05, sábado as 20h

“Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar

cinema & anarquia

16/05, domingo as 19h:

“Lavoura Arcaica” dir. de Luiz Fernando Carvalho (Brasil, 2001).

Palestra
Preconceito e Política na Construção da Memória do 13 de Maio

15/05 - 15:00
Profa. Dra. Anna Gicelle Garcia Alaniz

Centro de Cultura Social
Rua Gal. Jardim nº 253 – sala 22 – Vila Buarque (metrô República)

Posted via email from franciscoripo

AMIGOS...