sábado, 12 de março de 2011

Documentário joga luz sobre "o lado B" do baião

"O Homem que Engarrafava Nuvens" é biografia de Humberto Teixeira

Personagem foi parceiro de Luiz Gonzaga em "Baião", "Asa Branca", "Assum Preto" e outros clássicos da MPB 

MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO 

Em tempos em que o samba se mantém entronado como fundamental matéria-prima na produção de música do país, um filme como "O Homem que Engarrafava Nuvens" (2010) pode valer como uma iluminação. 
Dirigido por Lírio Ferreira (de "Árido Movie" e "Baile Perfumado"), o documentário entrega até mais do que promete, a princípio, vender. 
Promete uma biografia do cearense Humberto Teixeira (1915-1979), compositor, advogado, político e criador das leis de direito autoral no Brasil. Mais que isso, parceiro de Luiz Gonzaga em clássicos como "Asa Branca" e "Assum Preto". O Doutor do Baião, como era chamado. 
Entrega um poema visual que, abarrotado de informações, depoimentos e imagens históricas, se expande para além do personagem. E busca recolocar o baião como o gênero fundamental da nossa tradição musical. 
Defende a importância do baião como, em primeiro lugar, espelho e escudo da identidade do nordestino. O escritor Muniz Sodré contrasta a alta autoestima do sertanejo nas canções de Gonzaga/Teixeira com a imagem "anêmica" com que o escritor Monteiro Lobato descrevia as figuras do interior.
Depois, indica o gênero musical como agente agregador entre Nordeste e Sudeste do país. Isso porque, a partir de sua modernização por Gonzagão, na primeira metade do século 20, o baião levou o homem do sertão ao estrelato, no rádio e no cinema. 
Humberto Teixeira acabou por se tornar, aos olhos do público, o lado B dessa história toda, o letrista que nunca aparecia. "Ele era invisível", afirma o americano David Byrne, ex-Talking Heads, em depoimento ao filme. 
O desfile de comentaristas dá ritmo à narrativa. Estão lá, dando a palavra, artistas da música, da literatura, da poesia -todos amarrados pela atriz Denise Dumont, filha de Teixeira, que conduz a história enquanto busca descobrir quem de fato foi seu pai. 
Os números musicais comprovam a relevância do baião no correr das gerações e dos movimentos musicais por que já passamos -da bossa nova, no fim dos 1950 ("Bim Bom", de João Gilberto, diz: "É só isso o meu baião"), ao manguebeat, nos 1990. 
Lírio levou ao estúdio, para interpretações exclusivas, Chico Buarque ("Qui Nem Jiló"), Caetano Veloso ("Baião de Dois"), Gal Costa e Sivuca ("Adeus, Maria Fulô", em dueto de voz e sanfona). 
Outros números foram registrados durante a entrega do Prêmio BR de 2002, quando Teixeira foi homenageado. Dessa sessão, saem as participações de Gilberto Gil, Lenine, Fagner, Elba Ramalho e Lirinha (ex-membro do Cordel do Fogo Encantado). Mais do que Humberto Teixeira, sai da sombra a história de um gênero musical. 

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MULHERES NO PEDAL

Amanhã, às 9h, grupo de ciclistas mulheres percorre ruas do centro e distribui rosas aos motoristas na esquinas da Ipiranga com São João. A partida será na rua Guaianazes. Informações:sampabikers.com.br.

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HISTÓRIA

Um novo serviço da Assembleia Legislativa de São Paulo tornou disponível pela internet, para consulta e para reprodução, mais de 350 mil páginas de documentos desde o Império, que tratam desde urbanização e obras públicas até escravidão, saúde e educação.
É preciso acessar o endereço www.al.sp.gov.br e clicar no link documentação e informação.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Reunião para articulação anti-fascista

Pessoal, escrevo pra confirmar a reunião para discussão sobre ações conjuntas tanto em repúdio a agressão de skinheads no Fevereiro Anti-Fascista quanto contra a violência nazi-fascista como um todo, que vem crescendo a cada dia.

Será neste sábado, dia 12 de março, as 16hs. Segue o endereço:


Casarão Brasil Associação GLS

Rua Frei Caneca, n.1057 – Centro (Ao Lado da Paróquia)


 

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ÚLTIMO DIA DA PROMOÇÃO!

Olá amigos,

Lembramos que hoje é o último dia da promoção da Oficina "O clown
dentro de mim?!".

No mês de Março estamos oferecendo dois descontos especiais somente
aos interessados na TURMA 2 (Sextas-feiras das 10:00 as 13:00)

Desconto 1: Responda esse email e faça sua matrícula entre os dias
01/03 e 11/03 e leve 5% de desconto nas mensalidades.
Desconto 2: Matricule-se até o dia 11/03, traga um amigo para o curso
e ganhe 10% de desconto nas mensalidades.

As duas opções de turmas são:

TURMA 1- Terças-feiras das 19:00 as 22:00h. De 15 de Março a 12 de
Julho de 2011.
Local: Braapa- Av Pompéia 2163, Sumarézinho (Próximo ao metrô Vila Madalena).
Investimento mensal: R$200
Inscrições: (11) 3872 4204 ou faleconosco@cursodeteatro.com.br

TURMA 2- Sextas-feiras das 10:00 as 13:00. De 18 de Março a 8 de Julho de 2011.
Local: Casa Jaya- Rua Capote Valente 305, Jardim Paulista (Próximo ao
metrô Clínicas)
Investimento mensal: R$200
Inscrições: (11) 6185 2848 ou oficinaoclowndentrodemim@gmail.com

As vagas das duas turmas são limitadas.


Atenciosamente,


Produção "O clown dentro de mim?!"

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texto em homenagem a Benedito Nunes

Caros,

Segue link de texto em homenagem a Benedito Nunes - Abraço a todos / nilson oliveira

http://revistapolichinelo.blogspot.com/2011/03/max-martins.html
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Citigroup é menos otimista sobre o Brasil

DE SÃO PAULO 

Os grandes bancos não preveem para o Brasil o mesmo futuro róseo que reservam para a China. Para Willem Buiter, economis- ta-chefe do Citigroup, o Brasil passa de sétima economia do mundo para quinta em 2030, mas cai de novo para a sexta posição, ultrapassado por Nigéria e Indonésia.
"Considerando a baixa taxa de investimento do Brasil, sua atitude ambígua em relação a investimentos estrangeiros e demografia apenas modestamente favorável, a taxa de crescimento real sustentável do PIB per capita do país não deve ficar além de 3,5% entre 2010 e 2050", diz Buiter em seu relatório.
Segundo o Citi, o México, o Brasil, a Turquia e a Tailândia teriam de implementar enormes reformas, elevando suas taxas de poupança doméstica e investimentos, para se juntar às nações de crescimento mais acelerado, que o banco batiza de 3G.
"O Brasil poderia ser um país 3G no futuro se conseguisse aumentar sua taxa de formação de capital, melhorar a qualidade de seus recursos humanos e eliminar seus monopólios domésticos -sem essas mudanças, o Brasil se arrisca a se transformar em um Velho Bric."

ESCOLARIDADE
Para Karen Ward, do HSBC, o Brasil tem problemas que irão brecar seu crescimento. O nível de escolaridade da população ainda é baixo, 7,6 anos em média de estudo -comparado com 10 na China e 12,2 nos EUA. Outras questões são insegurança jurídica e pouca facilidade para fazer investimentos.
"Temos projeções fortes para o Brasil, mas ainda um pouco aquém de outros países, pois alguns fatores atrapalham, como a escolaridade e os gastos do governo", diz Karen, autora do relatório "O Mundo em 2050".
Mas ela faz a ressalva de que seu modelo não capta de forma adequada o impacto dos recursos naturais. "E, se o nível educacional melhorar marcadamente, pode superar nossas projeções."
A taxa de natalidade do Brasil está caindo e a proporção da população em idade produtiva vai ter aumento pouco significativo. Os gastos do governo, como proporção do PIB, são semelhantes aos de países estagnados da Europa Ocidental. E o investimento (17,3% do PIB entre 2006 e 2009) é baixo comparado a países como Índia (35%) e China (45% a 50%).

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David Lynch cria loja de música virtual

O cineasta americano relançou seu site,www.davidlynch.com, como uma loja de música virtual com repertório próprio. O endereço reunirá composições novas e outras ligadas a seus projetos no cinema e na TV nunca lançadas. Já estão disponíveis duas faixas remixadas por vários artistas.

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Engenho onde viveu Nabuco é restaurado

Reforma feita por fundação demorou dois anos, custou R$ 500 mil e seguiu descrições de livro do abolicionista

Infância passada na fazenda descortinou para ele a realidade do regime escravocrata que ele viria a combater 

MARCELO BORTOLOTI
ENVIADO A CABO DE SANTO AGOSTINHO (PE) 

"A escravidão para mim cabe toda em um quadro inesquecido da infância, em uma primeira impressão, que decidiu, estou certo, do emprego ulterior de minha vida."
As palavras do abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) estão no livro "Minha Formação", de 1900.
Nelas, ele se refere a um episódio que viveu no engenho Massangana, no interior de Pernambuco, onde morou até os oito anos, e cujas casa grande e capela foram recentemente restaurados.
Nabuco estava sentado na entrada do casarão quando um negro desconhecido caiu de joelhos implorando que fosse comprado. Dizia que seu dono o maltratava e que corria risco de vida.
A cena descortinou para Nabuco o regime escravocrata com o qual convivia no engenho sem conhecer sua face mais dolorosa.
Nabuco teve as primeiras impressões do mundo nesta propriedade, onde foi criado pela madrinha, já que seus pais se mudaram para o Rio.
Ali, cresceu entre negros num ambiente em que senhores e escravos conviviam em relação amistosa.
Mais tarde, dedicou a vida a combater esse regime como político, jurista e escritor.
O restauro das edificações, empreendido pela Fundação Joaquim Nabuco, demorou dois anos e custou R$ 500 mil. A obra obedeceu às descrições que o próprio abolicionista fez no livro de 1900.
"Localizamos onde havia janelas na casa e onde foi enterrada a madrinha dele", diz o arquiteto Antônio Montenegro, que coordenou o trabalho de restauro.
Foram colocados móveis da época e uma exposição permanente descreve como era a fazenda e sua rotina. Em fotos e vídeos é possível conhecer um pouco mais da vida e da formação moral de Nabuco.
Mas muita coisa sucumbiu com o tempo. Não existe mais o antigo engenho que moía a cana, a senzala, nem o cemitério onde eram enterrados os escravos. 

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Cinema num clique

Alternativa à pirataria , plataformas internacionais de filmes on-line vão oferecer serviços no Brasil 

Divulgação
Cena de ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ de Kubrick, um dos filmes mais baixados no site Mubi 

ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO 

Foi preciso que a internet atingisse a maioridade para que o Brasil começasse a ser levado a sério. Nesses 18 anos, a indústria fonográfica perdeu toda uma geração para o download ilegal e a pirataria espraiou-se. Mas a indústria cinematográfica começa, enfim, a mover-se.
A pergunta que resta é: encontrará um público disposto a pagar para baixar filmes?
"O Brasil está pronto para pagar pelo serviço de video-on-demand", aposta o argentino Eduardo Costantini, um dos fundadores do site de filmes Mubi, que acaba de fechar nova rodada de negócios, no valor de U$S 2,4 milhões (R$ 3,9 milhões).
Parte desses recursos terá o Brasil como destino. O Mubi, que possui 1.500 títulos negociados com produtores e distribuidores, está criando uma nova plataforma, no Vale do Silício (EUA), e pretende oferecer download de filmes por, no máximo, R$ 5.
"Dizer que 2011 será o ano da virada é exagero. Mas será o ano da entrada do Brasil no negócio dos filmes on-line", diz Fábio Lima, criador do site MovieMobz, que usa a internet para "mobilizar" sessões reais de cinema.
Conforme a Folha adiantou, a americana Netflix também planeja aterrissar no Brasil com serviços de assinatura para filmes e séries.
Nos EUA, a Netflix é apontada como causa da falência da Blockbuster e é vista como ameaça à rede HBO.
Questionado pelo "New York Times" se a Netflix atrapalhava os negócios da Time Warner, Jeff Bewkes, presidente do grupo -ao qual a HBO pertence-, recorreu à ironia. "Você imagina o exército da Albânia assumindo o controle do mundo?"
De acordo com a revista especializada "Screen", porém, a empresa de serviços digitais teve, em 2010, um crescimento maior em Wall Street que a Time Warner.
Uma pesquisa feita pelo JP Morgan diagnosticou, ainda, que 47% dos usuários ativos do Netflix consideram a possibilidade de cancelar seu serviço de TV por assinatura.
Em janeiro, o similar europeu da Netflix, a LoveFilme, foi comprada pela Amazon.

PRATICIDADE
"Está provado que as pessoas não pagam pelo que baixam na web [www], mas que podem pagar por serviços e conveniência", diz Lima.
É esse o eixo de um longo artigo escrito por Chris Anderson, editor-chefe da revista "Wired", que declara a morte da web como negócio.
O futuro, de acordo com ele, está na internet. Traduzindo: perdem força as páginas www e ganham força as plataformas fechadas e os "dispositivos", como os iPads. "Por mais que admiremos os serviços abertos, no fim do dia buscamos é praticidade", analisa Anderson.
Se for preciso pagar pelo conforto de ter um filme à mão com um simples clique, diante de um cardápio vasto e bem organizado, muitos pagarão, defende Anderson.
A aposta dos investidores que colocam o Brasil no radar é que, conforme as conexões em altíssima velocidade, as TVs com internet e os smartphones forem se espalhando pelo mundo, se espalhem também esse serviços.

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Carta de Repúdio | por MPL, Bloco ANEL às Ruas e Coletivo Gestor do espaço Ay Carmela

Le criminel fin-de-siècle: psiquiatrização da anarquia no século XI

A partir da Conferência Internacional pela Defesa Social contra os Anarquistas de 1898, 
este artigo descreve o impasse judiciário do Direito Penal na definição do crime de anarquismo no 
fim do século XIX. Através desse impasse, a psiquiatria e a antropologia criminal irrompem no 
interior do Direito Penal exercendo influência decisiva na configuração da escola de Defesa Social 
responsável por conferir ao problema repressivo um novo ângulo.
Palavras-chaves: anarquismo, violência, crime, defesa social

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Anarquismo e Governamentalidade

Mães D´Água Yeyê Omó Ejá

é por essas e outras!

A PUC-SP virou BANCO!


 


Olá, sou uma das muitas e muitos ex-bolsistas da PUC-SP, agora, parte do cadastro de mal pagadores do SERASA, instituição esta, que a PUC-SP fez convênio para destacar seus devedores para a sociedade. 

Entrei em contato várias vezes por e-mail e por telefone com a instituição - PUC-SP. O que recebi foi "a sua divida é essa, segue o boleto para as devidas providências". 


Tentei por várias vezes estender o prazo da dívida, assim, reduzindo o valor do boleto, pra que eu pudesse de fato honrar com meus débitos mensais. E a resposta sempre foi:"a sua divida é essa, segue o boleto para as devidas providências" 

Enfim... de um modo humilhante, semana passada, na mesma instituição que a puc-sp concentra as Suas dividas, numa entrevista de emprego, o gerente me deu uma notícia "agradabilíssima": "seu nome tem pendências, senhorita" 

E foi assim que soube que meu esforço de pagar a PUC-SP a cada três meses com os bicos que faço não valeram de nada. 

Sem contar o valor de quase R$ 900,00 - referente a 50% do curso de economia, que na época custava por volta de R$ 600,00 (integral).
Realmente é uma mágica! Ou mesmo, os cálculos mirabolantes do Banco PUC-SP.

Enfim, proponho um movimento organizado para os ex-bolsistas e simpatizantes pela causa. 

Não me nego a pagar! Sempre expressei nos meus e-mails e publicamente. 

Só que: como é que eu pago a PUC-SP se não consigo emprego pelo fato do meu CPF estar com pendências? 

Não sou mágica como a Pontifícia!._,___


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REDE SOCIAL - Facebook

Warner Bros anuncia aluguel e venda de filmes pelo Facebook

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - A Warner Bros está oferecendo aluguel e venda de filmes pelo Facebook, abrindo uma nova fonte de receita para a rede social. A iniciativa também sinaliza um novo nicho de competição para as empresas de entretenimento on-line.
De acordo com a Warner, os consumidores podem pagar com créditos do Facebook, que são uma espécie de moeda já usada em jogos no site.
O Facebook, que fatura principalmente com anúncios on-line, tem 30% da receita proveniente de vendas no site feitas por terceiros que utilizam os créditos.
O serviço dos filmes será oferecido, inicialmente, nos Estados Unidos.
Em nota a investidores, o Goldman Sachs disse que o Facebook é uma ameaça a longo prazo ao serviço de locação de filmes on-line do Netflix, cujas ações caíram 5,8%, para US$ 195,45, ontem.

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O Rio ganhou dois presentes da história

ELIO GASPARI 

Um grande livro e o cais de desembarque dos escravos ajudarão a cidade a conhecer seu passado

HÁ MUITO TEMPO o Rio de Janeiro não recebia notícias tão boas de seu passado. É provável que uma equipe de arqueólogos do Museu Nacional tenha encontrado nas escavações da zona portuária as lajes de pedra do cais do Valongo. Entre 1758 e 1851, por aquelas pedras passaram pelo menos 600 mil escravos trazidos d'África. Metade deles tinham entre 10 e 19 anos.
Devolvido à superfície, o cais do Valongo trará ao século 21 o maior porto de chegada de escravos do mundo. Se ele foi soterrado e esquecido, isso se deveu à astuta amnésia que expulsa o negro da história do Brasil. A própria construção do cais teve o propósito de tirar do coração da cidade o mercado de escravos.
A região da Gâmboa tornou-se um mercado de gente, mas as melhores descrições do que lá acontecia saíram todas da pena de viajantes estrangeiros. Os negros ficavam expostos no térreo de sobrados da rua do Valongo (atual Camerino). Em 1817, contaram-se 50 salas onde ficavam 2.000 negros (peças, no idioma da época).
Os milhares de africanos que morreram por conta da viagem ou de padecimentos posteriores, foram jogados numa área que se denominou Cemitério dos Pretos Novos.
Ele foi achado em 1996, durante a reforma de uma casa e, desde então, está sob os cuidados de arqueólogos e historiadores. O cemitério foi soterrado por um lixão, verdadeiro monumento à cultura da amnésia. Devem-se à professora americana Mary Karach 32 páginas magistrais sobre o Valongo. Estão no seu livro "A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro - 1808-1850".
Com o possível achado do cais, o prefeito Eduardo Paes anunciou que transformará a área num museu a céu aberto. (Cesar Maia prometeu algo parecido com o cemitério, mas deu em pouca coisa.) Felizmente, as obras do porto respeitarão as restrições recomendadas pelos arqueólogos, até porque, se o Cais do Valongo não estiver exatamente onde se acredita, estará por perto.
O segundo presente são os dois volumes de "Geografia Histórica do Rio de Janeiro - 1502-1700", do professor Mauricio de Almeida Abreu. É uma daquelas obras que só aparecem de 20 em 20 anos. (O livro de Karasch, que está na mesma categoria, é de 1987.)
Ele leu tudo e, em diversos pontos controversos, desempatou controvérsias indo às fontes primárias. Erudito, bem escrito, bem exposto, é um prazer para o leitor. Além disso, os dois pesados volumes da obra estão criteriosamente ilustrados. Nele aprende-se, por exemplo, que o primeiro plano urbano da cidade, do tempo de Mem de Sá, foi traçado por um degredado, Nuno Garcia. (Fuçando-se, sabe-se que era um homicida.)
A edição de 3.000 exemplares, copatrocinada pela Prefeitura do Rio, é um luxo, mas o preço ficou salgado (R$ 198). Sua aparência de livro de mesa pode jogá-lo numa armadilha: quem o tem raramente o lê e quem quer lê-lo não tem como comprá-lo. A prefeitura poderia socorrer a patuleia, providenciando uma edição mais barata ou, até mesmo, uma versão eletrônica.
Quem quiser saber mais (e muito) sobre o Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos, pode buscar na internet, em PDF:
Valongo: O Mercado de Escravos do Rio de Janeiro, 1758-1831, do professor Cláudio de Paula Honorato.
À flor da terra: O Cemitério dos Pretos Novos do Rio de Janeiro, de Júlio César Medeiros da Silva Pereira.

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Pós-feminismo

FERNANDO DE BARROS E SILVA
SÃO PAULO - "Os mesmos afetos, no homem e na mulher, têm ritmo diferente: por isso o homem e a mulher não cessam de se desentender". Friedrich Nietzsche, autor dessas linhas, não é exatamente um herói do feminismo. Muito do que escreveu a respeito da relação entre os sexos agride a sensibilidade moderna. A imagem de um Nietzsche machista, porém, parece simplista, demasiado simplista, para um pensador tão rico e original.
O filósofo alemão sustenta haver uma diferença intransponível entre homem e mulher. Podemos pensar no orgasmo masculino (fogão elétrico, que acende e apaga num clic) e no feminino (fogão a lenha, que demora a pegar e não apaga mais). "Ritmos diferentes"...
É curioso que o argumento do abismo biológico tenha sido incorporado, sem muita sofisticação, pelo feminismo: "A mulher é soft; o homem é hard. É uma questão biológica. A mulher é obrigada a proteger a vida. O homem é obrigado a buscar comida". São palavras de Rose Marie Muraro, na Folha de ontem. Segundo ela, "o homem pensa primeiro nele e depois nos outros, daí a corrupção. A mulher pensa primeiro nos outros, depois nela". Ah, se fosse simples assim.
Na fase do feminismo encarniçado, quando mulheres queimavam sutiãs para exigir igualdade de condições, a vilã era a "cultura machista", não a "natureza do macho".
Seja como for, também em relação à questão da mulher nossa época trocou a revolução pelo gradualismo. Vivemos hoje uma espécie de pós-feminismo, numa cultura ao mesmo tempo pragmática e resignada, que combina avanços e desilusões. Por um lado, o apelo da emancipação feminina desceu do palanque e se enraíza, aos poucos, em práticas cotidianas, políticas públicas, leis, direitos adquiridos. Por outro, ou apesar disso, há um machismo primordial que resta intacto, como retratam o Carnaval ou os títulos das revistas expostas nas bancas. Natureza ou cultura, de quem será a culpa? -eis a questão.

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ciclismo

Com "bicicletadas", ativistas do ciclismo declaram guerra aos "monstroristas"

RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO 

"Monstroristas", "mautoristas", "frustrados que compraram carro para respirar fumaça", "covardes". É assim que ciclistas engajados na defesa do uso de bicicleta como meio de transporte urbano chamam motoristas de carros, ônibus e afins.
O atropelamento de ciclistas em Porto Alegre na semana passada acirrou os ânimos desse grupo, que reagiu com "bicicletadas" de protesto.
O paulistano Renato Zerbinato, 34, se envolveu com o cicloativismo há dois anos, após se mudar para Brasília, cidade que define como "extremamente hostil" aos ciclistas devido às vias rápidas.
Ele vê uma "guerra velada" entre ciclistas e motoristas, que, reclama, não costumam respeitar a distância de 1,5 m do ciclista e o direito de bicicletas e carros dividirem a pista, previstos no Código Brasileiro de Trânsito.
Outra bandeira dos cicloativistas é que atropelamentos não sejam divulgados como acidentes, mas como incidentes ou até homicídios.
Zerbinato diz que foi atropelado cinco vezes, três por insistir em pedalar na rua e não colado ao meio-fio.
A jornalista Lívia Araújo, 32, integra o grupo Massa Crítica, que sofreu a agressão em Porto Alegre. Ela diz que sentiu maior solidariedade por parte dos motoristas, mas também já ouviu piadas. "Passam pela gente gritando "strike" ou "atropela'", conta.

ANJOS
A estilista Ana Vivian, 24, de Florianópolis, define o "monstrorista" como alguém que "usa a carcaça metálica para causar medo e punir o mais frágil". Ela diz que a figura não é regra no trânsito, mas os agressivos já deixam marcas. "Aquele que te xingou é que estraga teu dia."
O consultor João Paulo Amaral, 24, criou com amigos de São Paulo o Bike Anjo, que dá "aulas" gratuitas de comportamento para ciclistas na cidade grande: o "anjo da guarda" acompanha iniciantes e dá dicas de segurança.
Ele diz que criou o grupo motivado pelo atraso do poder público em preparar a cidade para o ciclista.

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terça-feira, 8 de março de 2011

Emma Goldman (1869-1940)

Emma Goldman nasceu em 27 de junho de 1869, em Kaunas (naquela época chamada de Kvno) na Lituânia, no interior de uma família judia. Em 1885, portanto com apenas 16 anos de idade, emigraria para os Estados Unidos, fugindo dos país que a submetiam a uma vida de opressão e puritanismo. Através da suas atividades políticas e literárias, particularmente da sua luta contra a opressão da mulher, tornar-se-ia uma das mais importantes e influentes mulheres dos Estados Unidos neste século.


Emma Goldman

Segundo seus próprios relatos autobiográficos, Goldman nasceu de um casamento de conveniência, onde seus pais, Abraham e Trauve Goldman, a tratavam com frieza e ressentimento porque era considerada, como mulher, como nada mais que um ônus financeiro. Se pai, um administrador teatral costuma espancá-la pelos motivos mais insignificantes.

Sua vida afetiva e sexual, que Goldman utilizaria como um instrumento de denúncia da condição da mulher, foi marcada pela violência dos pais e por um incidente violento de estupro quando contava apenas com 12 anos de idade.

Ruptura com a família

A família Goldman mudou-se para Königsberg (depois Kaliningrado) e, em seguida, para S. Petersburgo. Nesta última cidade, pela primeira vez, entrou em contato com as idéias revolucionárias através do círculo dos militantes da organização populistaA Vontade do Povo (Narodnaia Volia) uma ramificação da organização original do populismo russo, a Terra e Liberdade (Zemlia e Volia) que ingressou, diante do sufocamento da atividade política, ingressou na via do terrorismo, através da tentativa de assassinato dos chefes do regime, chegando, inclusive a assassinar o próprio Czar. Este contato inicial, no entanto, não deu início à atividade política de Goldman, que somente se desenvolveria nos EUA.

A descoberta, por seu pai, do seu envolvimento com A Vontade do Povo, levou a uma intensificação da violência contra Emma, o que a fez rebelar-se fugir para os EUA em 1885.

Nas origens do movimento operário norte-americano


Emma Goldman

Chegando aos EUA Emma Goldman passou a trabalhar em uma indústria têxtil em Rochester, Nova Iorque, um ramo de produção típico de emprego de mão-de-obra feminina e onde se iniciaram as grandes mobilizações de mulheres que levaram ao estabelecimento do 8 de março. Ali, pela primeira vez, assitiu a reuniões dos socialsitas alemães que buscavam organizar o movimeno operário norte-americano.

Emma Goldman iniciou efetivamente a sua militância política em conexão com as importantes lutas sindicais dirigidas por anarquistas e socialistas. Causoui enorme impressão, o julgamento, condenação à morte e execução dos oito de Chicago como resultado dos acontecimentos do Hay Market, acontecimentos que Goldman acompnahou com enorme interesse em 1886.

A partir daí tornou-se agitadora e jornalista em defesa das lutas operárias e sindicais aproximando-se politicamente do anarquismo.

Em 1889 casou-se com o anarquista russo Alexander Berkman, o qual foi, em 1892, copndenado a 22 anos de prisão pela tentativa de assassinato do empresário Henry Clay Frick durante uma greve na cidade de Nova Iorque.

Em 1893, a própria Emma Goldman é condenada a um ano de prisão acusada de incitação em uma manifestação também na cidade de Nova Iorque.

Emma Goldman e a Revolução Russa

Em 1906, Berkman é libertado. Emma Goldman publica a famosa revista Mother Earth ( Mãe Terra ) até 1917, quando ambos são presos novamente, desta vez sob a acusão de opor-se ao recrutamento militar para a I Guerra Mundial. Após dois anos de prisão, são deportados para a Rússia, naquele momento, em 1919, mergulhada na guerra civil promovida pelo imperialismo contra o governo de Lênin e Trotski saído da Revolução de 1917.

Tendo se colocado inicialmente a favor da Revolução Bolchevique, Emma Goldman, baseada nos preconceitos democrtizantes do anarquismo vai se colocar em uma posição de condenação da revolução, expressa no seu livro, de 1923, My Dissillusionment in Russia ( Minha desilusão na Rússia ).


Emma Goldman

Em 1921 Emma Goldman deixa definitivamente a Rússia. Em 1936 vai à Espanha durante a revolução e guerra civil, terminando por radicar-se no Canadá, onde vai morrer em 14 de maio de 1940 em Toronto, Ontário.

Obra e idéias

Emma Goldaman foi autora de um grande número de livros e panfletos, bem como inúmeros artigos em jornais e revistas. Entre eles destacam-se: Patriotismo, uma ameaça para a liberdade , 1908; Um belo ideal , 1908; Em que acredito , 1908; Anarquismo e outros ensaios, 1910; Anarquismo, o que realmente defende , 1911; O significado social do drama moderno , 1914; Amor e casamento , 1914; Minha desilusão na Rússia , 1923; Vivendo a minha vida , 1931; Voltairine De Cleyre , 1932 etc.

Emma Goldman foi uma das fundadoras do moderno movimento de luta das mulheres, o qual está ubilicalmente ligado à luta do movimento operário e pelo socialismo. Emma Goldaman foi agitadora e propagandista em defesa da liberdade sexual da mulher, de denúncia contra o caráter ditatorial do casamento, do ateísmo, da liberdade e da educação sexual das crianças, do direito da mulher ao controle de natalidade e dos direitos civis da mulheres.

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Mulheres

ENTRE A HISTÓRIA E A LIBERDADE
LUCE FABBRI E O ANARQUISMO CONTEMPORÂNEO

Entre a história e a liberdade: Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo é um livro sutil e contundente. Luce Fabbri por Margareth Rago é uma história de autoras libertárias transitando pelo século XX, afirmando o anarquismo. Há um bom tempo se espera por uma história do anarquismo latino-americano alheia a linearidades e exegeses. Nada melhor que inaugurá-la com estas duas grandes mulheres intelectuais, comuns e especiais escritoras, fundadoras de grupos de debates e atuação, agitadas e serenas. Margareth não constrói uma biografia, mas nos leva a acompanhar e atuar no interior da obra de arte que foi a vida de Luce entre a América Latina e a Europa, apanhadas em suas radicalidades de propostas, tensões sociais e resistências. É difícil não apresentar este livro sem a emoção que o atravessa, num tempo em que tanta objetividade festejada nada mais faz do que contribuir para reformar a ordem. As vidas de Luce e Margareth investem na potencialização de liberdades com realização de igualdades. Não pedem licença, autorização, tampouco esperam elogios. Apenas saúdam a vida. Este delicado livro libertário para jovens e adultos, historiadores e libertários em geral evita consagrar o passado de uma delas pela plenipotência acadêmica da outra. Elas se conheceram e foram amigas. Luce se foi depois de viver quase o século XX inteiro debatendo propostas e agitações ao lado dos mais importantes anarquistas. Margareth permanece trazendo mais um pouco de histórias de mulheres anarquistas, inventado autorias, o atual e encontrando ecos. As duas criam uma autoria libertária criteriosa, detalhada e incendiária. Mais do que saber duas ou três coisas sobre o anarquismo contemporâneo, o leitor viverá a intensidade da presença dos anarquistas.

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Feminista libertária...

          MARIA LACERDA DE MOURA (1887-1945)

Margareth Rago

         

   Feminista  libertária, escritora polêmica e oradora prestigiada, Maria Lacerda de Moura se destaca por uma vibrante atuação nos meios políticos, culturais e literários brasileiros, desde as primeiras décadas do século 20, destacando-se pela rebeldia que caracteriza sua experiência pessoal e os inúmeros artigos e livros que publicou. Nascida em Minas Gerais, a 16 de maio de 1887,  forma-se pela  Escola Normal de Barbacena, em 1904 e logo se interessa pelas idéias anticlericais e pedagógicas dos anarquistas, especialmente de Francisco Ferrer y Guardía, fuzilado pelo governo espanhol, em 1909.

Maria Lacerda escreve sobre inúmeros artigos e livros de crítica contundente à moral sexual burguesa, alinhando-se como os anarquistas e radicalizando a denúncia da opressão sexista sobre as mulheres pobres e ricas. Temas dificilmente discutidos por mulheres em sua época,  como  educação sexual dos jovens,  virgindade,  amor livre,  direito ao prazer sexual,  divórcio,  maternidade consciente e prostituição  figuram entre os mais importantes na extensa produção intelectual da militante mineira. Esta produção  abrange tanto artigos publicados em vários jornais e especialmente na imprensa anarquista brasileira, argentina e espanhola, quanto a revista que lança em 1923, intitulada Renascença, especialmente voltada para a questão da formação intelectual e moral das mulheres e numerosos ensaios publicados em livros. Destes destacam-se: Emtorno da educação (1918); A mulher moderna e o seu papel na sociedade atual (1923); Religião do Amor e da Beleza (1926);Han Ryner e o amor plural (1928); Amai e não vos multipliqueis (1932); A mulher é uma degenerada? (1932);e Fascismo:filho dileto da Igreja e do Capital(s/d). 
           

Maria Lacerda de Moura é considerada uma das pioneiras do feminismo no Brasil, tendo fundado, em 1921, aFederação Internacional Feminina. Anarco-feminista, é uma das poucas ativistas que se envolve diretamente com o movimento operário e sindical de sua época. Entre 1928 e 1937, a ativista libertária vive numa comunidade em Guararema (SP), no período mais intenso da sua atividade intelectual, tendo descrito esse período como uma época em que esteve "livre de escolas, livre de igrejas, livre de dogmas, livre de academias, livre de muletas, livre de prejuízos governamentais,religiosos esociais".

A militante anarquista morre no Rio de Janeiro,em 1945.


Nota: O principal livro sobre Maria Lacerda é de Miriam Moreira Leite: Outra face do feminismo: Maria Lacerda de Moura. São Paulo: Ática, 1986, que acaba de realizar um vídeo sobre essa importante ativista política; veja, ainda, Margareth Rago – DoCabaré ao lar. A utopia da cidade disciplinar (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991, 3ªed.),  cap. II, ppgs.95-110.

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Simplesmente um Luxo!

Conheça Maria Bonita, a cangaceira que faria 100 anos nesta terça-feira

MOACIR ASSUNÇÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Nesta terça-feira (8), uma mulher muito importante para a História do Brasil faria 100 anos de idade. Seu apelido era Maria Bonita, mas ela se chamava Maria Gomes de Oliveira. Ela ficou conhecida por ser a companheira de Lampião, o rei do cangaço. Os dois eram cangaceiros, uma espécie de bandido mais ou menos como o Robin Hood, que lutava contra pessoas muito ricas que exploravam os pobres.

Benjamin Abraão/Divulgação
Maria Bonita Benjamin Abraão/Divulgacão
Maria Bonita e Lampião

Maria Bonita nasceu em 1911, na cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Ela foi uma criança típica do lugar onde nasceu e tinha brincadeiras um pouco diferentes das que você conhece hoje: brincava nas lagoas, fazia bonecas de sabugos de milho --os cabelos do sabugo viravam os cabelos das bonecas--, andava a cavalo com o pai José Gomes de Oliveira e até ajudava a plantar milho e feijão.

Seus maiores companheiros nas brincadeiras eram seus irmãos. E ela tinha 11! Mas, como a casa onde moravam era grande, com muitos quartos, tinha espaço para todo mundo. E tinha também um pomar, onde dava para brincar de casinha, de esconde-esconde e de cabra-cega.

No entanto, naquela época, as crianças não aproveitavam muito a infância e se casavam cedo. Maria Bonita, por exemplo, casou quando tinha 16 anos com seu primo José Miguel da Silva, que era sapateiro. Mas, como não se dava bem com o marido, ela se separou logo depois e, aos 18 anos, conheceu Lampião e se apaixonou por ele.

O amor de Maria Bonita e Lampião era como esses que a gente vê no cinema. Ela gostava tanto dele que virou cangaceira como ele.

Vida de herói-bandido

Apesar de ter sido o cangaceiro mais famoso, Lampião não inventou o cangaço. Já existia esse tipo de bandido alguns séculos antes de ele nascer. Mas Lampião, que se chamava, na verdade,Virgulino Ferreira, decidiu ser cangaceiro nos anos 20, depois que seu pai foi morto por um policial e sua mãe morreu de tristeza.

A vida de Lampião, Maria Bonita e um grupo de homens era andar pelo sertão do Nordeste roubando os bens dos fazendeiros e coronéis. Por isso, algumas pessoas achavam que os cangaceiros eram maus, enquanto outras os viam como heróis, que combatiam os ricos.

Para homenagear Maria Bonita, a cidade onde ela nasceu vai organizar exposição de fotos, palestras e outras atividades. Os dois bandidos-heróis também apareceram em muitos filmes, músicas e livros, e são lembrados até hoje em todo o Brasil.

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Movimento “Eu não pago”. Uma iniciativa grega para "não pagar a crise dos outros”

Movimento “Eu não pago”. Uma iniciativa grega para "não pagar a crise dos
outros”

O que começou como uma iniciativa popular está se tornando um movimento de
desobediência civil em todo Estado, que já preocupa o Governo. Os gregos
que optam por não pagar o transporte público e os pedágios rodoviários são
cada vez mais, e os cofres estatais começam a ressentir-se.

Sob o lema "Den Pliróno" (eu não pago) estão agrupados cidadãos de todos
os tipos, com um objetivo comum: "Não pagamos a crise dos outros". Este
movimento decidiu não arranhar o bolso pelo transporte público ou pelos
pedágios nas rodovias. Os ativistas do movimento viajam sem bilhete,
sabotam as máquinas de venda automática ou levantam barreiras nos
pedágios. Publicam fotos em seu site e incentivam a seguir o exemplo.

E o certo é que estão conseguindo. Uma pesquisa realizada pelo MRB e
publicada neste domingo pela imprensa local disse que mais de 56% dos
gregos aprova essa forma de protesto, contra 39% que não apóia.

Iniciativa contagiosa

O número de passageiros que opta por viajar de graça aumentou para quase
40% em ônibus e em até 15% no resto dos meios de transporte, de acordo com
estimativas oficiais recolhidas pela midía. E as empresas concessionárias
estimam que entre 15% e 18% dos motoristas não pagam pedágio, em
comparação aos 6% que assim faziam há menos de um ano atrás. "Falamos
acerca de 8.000 usuários por dia”, afirma Nea Odos, uma empresa que opera
uma das rodovias no país.

O encarecimento das tarifas dos transportes urbanos, que variam entre 28%
e 80% e também nos pedágios, aumentou o tom das ações, que culminaram em 1
de março em uma manifestação que atingiu as portas do Parlamento. "O
pagamento de 1,40 € por um bilhete? Um aumento de 40%, quando tudo mais
reduziu: salários, pensões, subsídios", disse à midía Maro Fassea, um
consultor de TI de 48 anos de idade.

Desde que a Grécia lançou medidas de austeridade para reduzir o déficit e
atender às exigências de Bruxelas e do FMI, funcionários públicos e
aposentados tiveram seus salários e pensões reduzidos. Além disso,
impostos como o IVA subiram ao mesmo tempo, sofrendo com o aumento da
inflação. O resultado é, segundo alguns economistas, uma perda de até 25%
do seu poder aquisitivo.

O resultado é que já são milhares de pessoas que pedem que seja "a
plutocracia" que pague a conta da crise, e exigem que se lute contra a
sonegação de impostos para tapar os buracos no orçamento do Estado.

Os riscos

Isto é assim apesar dos esforços do governo helênico para conter os atos
de revolta pública, endurecendo as multas e criticando duramente seus
instigadores. "Não é um movimento, são uns aproveitadores", declarou
recentemente o porta-voz do governo, Yorgos PetalotÍs.

Por sua parte, o primeiro-ministro grego, Yorgos Papandreu, alertou para o
risco crescente de que este movimento afete não apenas o orçamento do
Estado, mas também futuros investimentos comprometidos pelas empresas. "Se
os contratos falham, o que é uma possibilidade, a credibilidade do país
será prejudicada", disse ele ao Congresso.

Em novembro passado, Papandreu anunciou que tinha sido adiada, até 2021, a
devolução da ajuda da UE, totalizando cerca de 110 mil milhões de euros.

O movimento “Não pago” da Grécia é mais uma das muitas iniciativas dos
cidadãos, que estão surgindo nos países mais afetados pela crise. Na
Espanha, por exemplo, a Rede serve como base à Juventude em Ação,
Anonymous ou Nolesvotes.com, para organizar e divulgar seus protestos
contra a gestão do governo ou aos bancos, por exemplo.

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http://imslp.org/ - Site oferece acesso grátis a acervo com 85 mil partituras

Alimentado por internautas, banco de composições inclui de Mozart a Nazareth

ÁLVARO FAGUNDES
DE NOVA YORK

Villa-Lobos? Ele está lá, assim como Mozart, Gershwin e Ernesto Nazareth. Integram um repertório que está hoje na internet e pode ser acessado, gratuitamente, por qualquer interessado.
Essa é a ideia do International Music Score Library Project (imslp.org), um site que reúne partituras de artistas de diferentes épocas e países e que é alimentado pelos próprios internautas.
Segundo estimativas do site, hoje há mais de 85 mil partituras -número que cresce aos milhares todos os meses, à medida que mais pessoas vão colaborando.
Essa colaboração pode ser feita tanto colocando no site obras que já estão disponíveis na internet quanto escaneando material que, de outra forma, seria muito mais difícil de encontrar.
O International Music Score Library Project usa a plataforma wiki (ou seja, é muito parecido visualmente com a Wikipedia) e adota a mesma cultura: cabe aos usuários o controle de qualidade, seja na indicação de alguma página que esteja faltando, seja na certificação de que ela respeita direitos autorais.
Apesar dessa política de colaboração, o site não escapou de polêmicas e chegou a encerrar suas operações.
Fundado há cinco anos por Edward Guo, então um estudante de conservatório de 19 anos, o International Music Score Library Project deixou de operar em 2007 (e só voltou no ano seguinte), depois que a Universal Edition, uma editora europeia de música, entrou na Justiça acusando-o de violar direitos autorais.
Para as editoras, o projeto é considerado uma ameaça, já que parte dos ganhos delas vem do aluguel e da venda de partituras.
Essa é uma das dificuldades do site: adaptar-se a diferentes legislações. No Canadá, por exemplo, onde seus servidores estão localizados, a proteção vale por 50 anos após a morte do autor. Nos EUA, geralmente ela vale por 70 anos.
Por isso, alguns compositores mortos mais recentemente estão ausentes do site ou têm apenas parte do seu trabalho publicada.

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"Sou um catavento. Não vou contra o vento, não. O vento é a história. Estou aberta para o andar da história. Se ela involuir eu morro."

ROSE MARIE MURARO

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Mas isso não é muito mais uma questão cultural do que de gênero?

"Não. É uma questão biológica. A mulher é obrigada a proteger a vida. O homem é obrigado a buscar comida. Daí as guerras, a corrupção."
(Rose Marie Muraro)

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8 de Março - ENTREVISTA ROSE MARIE MURARO

Quero "empoderar" as mulheres de baixa renda

PIONEIRA DO FEMINISMO NO BRASIL DIZ QUE FALTA CONQUISTAR IGUALDADE DE SALÁRIO ENTRE HOMENS E MULHERES; PARA ELA, MOVIMENTO HOJE É MAIS SILENCIOSO, MAS MAIS PROFUNDO 

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO 

Rose Marie Muraro não para. Aos 80 anos, quase cega e numa cadeira de rodas, ela diz que está muito bem. "Tenho feito de tudo. Escrevo enlouquecidamente."
Seu 36º livro vai se chamar "Um Mundo ao Alcance de Todos". Patrona do feminismo brasileiro, cinco filhos, 12 netos, ela estudou física e economia, mas se notabilizou por levantar a questão feminina e ser uma voz impertinente contra a ditadura. Na sua autodefinição, ela é "porra-louca e pré-arcaica".
Defende hoje o microcrédito e as feiras de trocas.
Nesta entrevista, concedida ontem por telefone a propósito do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, ela fala de seus projetos atuais e dos rumos do movimento feminista, que hoje acredita ser mais profundo.
Mas que ainda precisa conseguir "o mais importante": igualdade de salários entre homens e mulheres. 

 

Folha - Qual o significado do 8 de Março nos dias de hoje? 
Rose Marie Muraro -
 Agora temos uma mulher presidente da República. Houve um grande avanço na participação da mulher nas estruturas.
Haverá muitas mudanças porque há muitas diferenças entre o homem e a mulher. As Nações Unidas fizeram uma pesquisa em 121 países e descobriram que com mulheres no poder cai o nível de corrupção. O homem pensa primeiro nele e depois nos outros, daí sai a corrupção. A mulher pensa primeiro nos outros depois nela.

Como a sra. define o feminismo hoje? O movimento, que teve importância nos anos 1960, 1970, hoje parece mais enfraquecido.
Ao contrário. Ele está na Presidência da República. Isto me irrita: achar que o feminino é mais fraco porque é menos barulhento.
Ao contrário, está muitíssimo mais forte. Saiu a Lei Maria da Penha, que diminuiu a violência doméstica, que é a primeira violência que a criança vê. É a raiz de todas as outras violências, das guerras etc.

Quais seriam as bandeiras do feminismo hoje?
Mais importante de tudo -que acho que não vai ser conseguido nem nos Estados Unidos por enquanto- é: trabalho igual, salário igual. O resto foi conseguido. Nos EUA, a mulher ganha 80% do que ganha o homem; no Brasil, 70%.
Espero que o feminismo amadureça dentro da sociedade e que haja uma sociedade do homem e da mulher.

Quais são os movimentos de luta da mulher mais importantes no Brasil?
Sou muito adepta da Secretaria de Política para as Mulheres. Hoje em dia, em todas as comunidades populares as mulheres tendem a fazer microcrédito, feiras de troca e diminuírem a pobreza extrema.
É um movimento geral, mas silencioso -97% dos movimentos de transformação da pobreza estão na mão da mulher: o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida. Hoje é cem vezes melhor [em relação aos anos 1960, 1970].
Não faça uma identidade entre grandeza do movimento e barulho. Há muitos movimentos silenciosos, como esses da economia solidária, por exemplo, que são levados por mulheres. É um movimento mais silencioso, mas mais profundo.
Está dando "empoderamento" às mulheres e fortíssimo, até nas áreas rurais.

Qual o seu projeto agora?
Meu projeto é "empoderar" as mulheres de baixa renda, que vão mudar a estrutura da corrupção no Brasil, o que vai fazer os fluxos de dinheiro se voltarem para onde devem. Como na Escandinávia, onde se voltam ao povo, para pão, escola, trabalho.
A corrupção é muito mais séria do que você pensa. Porque o dinheiro em vez de ir para quem precisa, para quem tem fome, vai para quem tem mais dinheiro, para as Ilhas Cayman.
Exemplo: o Lula deu um dinheirinho pequeno, uma esmolinha para os pobres, e fez do Brasil a sétima economia do mundo. E deu um dinheirão para os bancos.

O que as mulheres devem fazer para atingir esse objetivo, o de "empoderamento"?
Microcrédito, feiras de troca e bancos comunitários. Elas se apossarão do dinheiro. Porque nos espaços do Brasil onde já existem essas coisas a mulher é quem faz, negocia. Os homens brigam. Há muita diferença entre homens e mulheres. A mulher é soft; o homem é hard.

Mas isso não é muito mais uma questão cultural do que de gênero?
Não. É uma questão biológica. A mulher é obrigada a proteger a vida. O homem é obrigado a buscar comida. Daí as guerras, a corrupção.
Eu acho que tem a ver com os neurônios masculinos. No cérebro, a maior diferença entre o masculino e o feminino é a área da agressividade.
A gente pode mudar o cérebro com o correr das gerações. Está mudando muito. Só o fato de a população se organizar. Olha a organização dos pobres nos países islâmicos. Isso era impossível há cinco anos. Graças ao Facebook, os pobres estão se reunindo, tendo uma voz, contra os corruptos.
Há grande desigualdade porque há grande desigualdade de dinheiro. A gente está criando um outro tipo de dinheiro, o dinheiro solidário, que não gera juro. O dinheiro que não gera juro gera igualdade.
É um projeto de reformulação das estruturas da sociedade. Já existem 400 bancos comunitários. Vamos apresentar um projeto à Dilma que é um passo além do Bolsa Família.
Estou muito animada. Quando eu comecei me chamavam de prostituta, mal-amada, machona, solteirona. Hoje, os tapetes vermelhos estão abertos para mim. Já não sou vista como uma bruxa contra os homens.

Hoje quem é a vanguarda desse movimento?
Não existe uma vanguarda intelectual. Isso é uma maneira machista e centralista de pensar. Existem movimentos no mundo inteiro, já entrou na sociedade.
Vanguardas? Não sei. Pode ser que as presidentes das repúblicas sejam. Eu não acredito no sistema de liderança como é no sistema masculino, mas num sistema de comunidades, feminino.

E a questão do aborto no Brasil? A presidente disse que não vai mexer nisso.
São 15 países que não têm o avanço. Nos outros todos o aborto é legalizado. Mexer com a Igreja aqui no Brasil é uma barbaridade.
Ruth Cardoso levou [a questão] e a Igreja ficou danada. Jandira Feghali perdeu a eleição no Rio porque era a favor da legalização do aborto. A Igreja tem muito poder no Brasil. As mulheres pobres é que sofrem. Será uma surpresa uma modificação disso no curto prazo.

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segunda-feira, 7 de março de 2011

"País não está pronto para erradicar miséria", diz especialista

Renato Dagnino diz que Brasil não tem conhecimento tecnológico e científico adequado e critica falta de integração com políticas sociais

Marcio Lima/Folhapress
Renato Dagnino, professor da Unicamp, em sua casa 

UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO 

O Brasil não está pronto para erradicar a miséria nem para absorver a chamada nova classe média, avalia Renato Dagnino, professor titular no Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp.
De acordo com ele, falta ao país o conhecimento tecnológico e científico adequado para a inclusão social ocorrer de forma sustentável social e ambientalmente. Por outro lado, Dagnino vê na erradicação da miséria uma "oportunidade de ouro" para repensar o tipo de conhecimento produzido no país.
A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha. 

 

Folha - As políticas sociais do governo se articulam com as de ciência e tecnologia? 
Renato Dagnino -
 No mundo inteiro, a pesquisa feita na universidade é direcionada para o interesse das empresas. Muito pouco atende aos interesses do Estado.
Se olharmos para as demandas que têm a ver com o projeto de erradicação da miséria, veremos uma carência enorme de conhecimento técnico-científico.
Entre outras razões, porque as necessidades básicas das populações nos países desenvolvidos foram atendidas há muito tempo.
Hoje, a expansão da fronteira do conhecimento está conectada ao interesse das pessoas de mais alta renda.
Esse conhecimento de que necessitamos não existe, temos que produzir, com soluções tecnicamente perfeitas, ou as melhores possíveis, além de social e ambientalmente adequadas.

Como seria possível fazer a integração entre as políticas? 
É possível utilizar o poder de compra do Estado de uma forma mais coerente com a ideia de inclusão social.
A latinha de alumínio é um exemplo. Por que não podemos transformar a latinha em esquadria de alumínio com uma tecnologia social, completando a cadeia da janela de alumínio com a economia solidária?
O Minha Casa, Minha Vida poderia ser usado de outra forma. Quase todos os recursos vão para empreiteiras, quando uma parte grande poderia ir para mutirões.

Há alguma diferença entre os governos FHC, Lula e Dilma no que diz respeito às políticas de ciência e tecnologia? 
Não. Na verdade, o que os dados disponíveis mostram é que vem diminuindo o gasto percentual das empresas em pesquisa e desenvolvimento.
Isso é totalmente esperado. É uma questão estrutural. Existem três bons negócios com tecnologia: roubar, copiar ou comprar. Desenvolver, só em último caso.

E qual é a solução? 
No caso brasileiro, não tem solução. Costuma-se dizer que o empresário brasileiro é "atrasado". Ora, se tem empresário competente no mundo, é o brasileiro. Basta ver o dinheiro que ganha.
Agora, o processo de erradicação da miséria é uma oportunidade de ouro. Esse processo desvela enorme demanda reprimida por conhecimento. E não só conhecimento desincorporado, mas incorporado em bens, serviços, capacidade produtiva.
Para fazer um país onde caiba todo o povo brasileiro, é preciso construir outro país do tamanho do que já existe.
Não dá para fazer sem planejar. Está na hora de pensar esse processo de construção do Brasil que a gente quer, e isso não está sendo feito.

Quanto dessa situação se deve ao atual momento social e econômico do país? 
Essa situação existe há muito tempo, mas, na medida em que há um dado novo, e esse dado exige expansão da capacidade produtiva, é hora de inovar com qualidade, e não fazer simples aumento quantitativo. Quando se dobra a capacidade produtiva, o impacto indesejável pode até quintuplicar.

O país está pronto para erradicar a miséria? 
Do ponto de vista cognitivo, do ponto de vista de conhecimento científico-tecnológico, o país não está pronto de jeito nenhum.

E para absorver a chamada nova classe média?
Também não. Esse processo terá consequências ambientais e sociais. Acaba desfazendo de um lado o que faz do outro. Os programas compensatórios, como o Bolsa Família, são um caso típico.
Sem gerar oportunidade de trabalho e renda para essas pessoas, não se está fazendo muita coisa.

FOLHA.com
Leia mais trechos em
folha.com.br/po884966

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Acervo de Gilberto Freyre é digitalizado

Milhares de imagens captadas durante as pesquisas do antropólogo estarão disponíveis na rede a partir de maio

Projeto financiado pelo MinC e coordenado pela Fundação Gilberto Freyre tem registros de viagens à África e à Ásia

MARCELO BORTOLOTI
ENVIADO ESPECIAL A RECIFE 

O escritor e antropólogo Gilberto Freyre (1900-1987) era um homem de pouco traquejo com a tecnologia. Só escrevia textos à mão, nunca aprendeu a datilografar e nem sequer manejava um telefone. Pelo que se tem registro, jamais usou uma câmera fotográfica.
Isso não o impediu de produzir uma obra extensa, datilografada por terceiros, e de reunir uma farta coleção de fotografias, composta por mais de 17 mil imagens.
São registros de viagens ao exterior, de momentos com amigos, familiares e, sobretudo, de situações sociais usadas como base em suas pesquisas e textos.
Elas foram feitas por pessoas ligadas ao escritor, como o irmão, Ulysses, e o filho, Fernando, doadas a Freyre ao longo dos anos.
A partir de maio, essas imagens estarão disponíveis na internet, no site da Fundação Gilberto Freyre (www. fgf.org.br). O projeto de catalogação e digitalização começou em 2009. Custou R$ 250 mil, bancado pelo Ministério da Cultura.
No escritório onde Freyre trabalhava, até hoje preservado no museu da fundação, em Recife, pilhas de papéis com manuscritos, fotografias e recortes de jornal ficavam espalhados pelo chão.
Cada montanha dizia respeito a um projeto ao qual o escritor se dedicou. "Ele não seguia regras; não costumava usar as mesmas fontes dos acadêmicos. Eram critérios muito pessoais", diz Sônia Freyre Pimentel, filha do antropólogo.
Além das imagens utilizadas na pesquisa do livro "Casa Grande & Senzala", o acervo tem registros da expedição que Freyre fez, na década de 1950, às colônias portuguesas da África e Ásia. As fotos, tiradas sob sua orientação, seriam usadas posteriormente no livro "Aventura e Rotina", de 1953.
A maioria das imagens é inédita; algumas não foram identificadas por falta de referência. A ideia, segundo Jamille Barbosa, coordenadora do projeto, é que o trabalho seja colaborativo: "Vamos disponibilizar tudo, para que os pesquisadores ajudem no processo de descrição".

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Maestro interrompe concerto e faz denúncia de censura no Municipal

DE SÃO PAULO - "Dentro do Teatro Municipal existe uma ditadura", declarou o maestro Marcelo Ghelfi durante discurso de quase oito minutos que interrompeu o concerto que realizava com a Sinfônica Municipal, no Sesc Pinheiros, na noite de quinta-feira (3).
Ghelfi disse que os músicos da orquestra estão proibidos de falar com a imprensa: "Eles estão com contratos renovados a cada três meses e são ameaçados: se abrir a boca, não renova o contrato".
O discurso foi recebido por aplausos do público.
"Não estou contando isso para defender o maestro Alex Klein", disse, citando o ex-diretor artístico da orquestra. Klein chamou Ghelfi em outubro para a série de concertos Municipops, que incluiu o evento de quinta-feira.
"Hoje termino minha relação com o Teatro Municipal. Agora ela se dá em outras esferas por intermédio do meu advogado, que, aliás, está aqui", finalizou Ghelfi.
Em fevereiro, Klein deixou o cargo alegando não ter sido consultado sobre alterações na programação da sala. Foi substituído por Abel Rocha.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura não foi encontrada ontem para comentar o caso.

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domingo, 6 de março de 2011

Francisco Ripo tem um perfil tão porreiro!

Francisco Ripo tem um perfil tão porreiro!

Revista Brasileira de Ciências Sociais - Governamentalidade e Anarqueologia em Michel Foucault

Revista Brasileira de Ciências Sociais - Governamentalidade e Anarqueologia em Michel Foucault

PERNAMBUCO - "Pagamos até passagem aérea para candidato a vaga"

DO ENVIADO ESPECIAL DE SUAPE (PE)

Preencher vagas anda mais e mais difícil para as empresas instaladas no Complexo Industrial-Portuário de Suape. Uma guerra entre as empresas corre solta na região. A busca por profissionais é tamanha que há empresa oferecendo até passagem aérea só para trazer um candidato a vaga.
"Não há mais cordialidade entre os departamentos de recursos humanos. Estamos vivendo uma guerra por profissionais. Pagamos até passagem aérea para trazer um candidato a vaga para uma entrevista", diz Clóvis Gomes, 44, gerente de RH da Impsa.
A empresa busca 178 funcionários para a fábrica de turbinas hidrelétricas, uma nova unidade que será construída em Suape para montar as turbinas da usina Belo Monte, no rio Xingu (PA).
A Impsa não é a única empresa com problemas. O EAS (Estaleiro Atlântico Sul) precisa contratar 1.200 pessoas até junho.
Essa oferta abundante de vagas reduziu o desemprego na RMR (Região Metropolitana do Recife) nos últimos anos.
O nível de desemprego medido pelo IBGE caiu de 14,3% em dezembro de 2006 para 8,1% em dezembro do ano passado.
O ritmo da geração de novas vagas acelerou-se em 2010, ano em que só a construção civil cresceu 25%.

CARTEIRA ASSINADA
Apenas em 2010, o Estado de Pernambuco criou 113 mil empregos com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Entre esses empregos está o de Camila Ribeiro, 31. Formada em filosofia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ela é uma das três mulheres que ingressaram na área operacional do Terminal de Contêineres em Suape. Ela pilota um equipamento de US$ 1,6 milhão. (AB)

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PERNAMBUCO - O EAS, associação entre a Queiroz Galvão, a Camargo Corrêa, a PJMR e a sul-coreana Samsung, conseguiu uma carteira que vale hoje US$ 8,1 bilhões.


Setor privado forma polos industriais 

Depois dos projetos estruturantes, companhias começam a negociar a vinda dos fornecedores para Suape

Empresas que atendem estaleiro avaliam se vão investir e companhia de aerogeradores pode atrair quatro empresas

DO ENVIADO ESPECIAL A SUAPE (PE)

A expansão industrial de Pernambuco deve entrar agora na segunda fase: a atração de fornecedores dos projetos-âncoras.
Um dos maiores empreendimentos no Estado, o EAS (Estaleiro Atlântico Sul) negocia a instalação, em Suape, de fornecedores de equipamentos para a montagem de navios-plataforma e navios-sonda usados na perfuração de campos de petróleo.
"Alguns grandes fornecedores internacionais já vieram aqui para observar se o polo naval oferece escala de produção. Acho que, em breve, vamos ver alguns desses fornecedores chegando", diz José Roberto de Moraes, diretor de operações da empresa.
O EAS, associação entre a Queiroz Galvão, a Camargo Corrêa, a PJMR e a sul-coreana Samsung, conseguiu uma carteira que vale hoje US$ 8,1 bilhões.
São 22 navios-petroleiros, sete navios-sonda e o casco da P-55 (plataforma que irá operar no campo de Roncador, na bacia de Campos, no Rio), um pacote todo atrelado aos pedidos de uma só empresa, a Petrobras.
Para o EAS, atrair fornecedores para ampliar o polo naval de Suape pode ajudar o próprio estaleiro a melhorar a performance de construção das embarcações. O plano do estaleiro é reduzir o tempo em que um casco de navio permanece no dique seco.
Hoje, eles demoram até seis meses na instalação. O plano é reduzir o tempo para dois meses. Para isso, o estaleiro terá de montar navios a partir de megablocos. O primeiro petroleiro, o João Cândido (em fase de acabamento), foi montado a partir da junção de 240 blocos.
O Zumbi dos Palmares, atualmente em montagem, será construído a partir de 150 blocos. O terceiro, ainda não batizado, será feito com 30 blocos gigantes, cada um montado fora do dique.
A meta do estaleiro é montar um petroleiro unindo apenas 22 partes.

DE VENTO EM POPA
Se as perspectivas para atração de fornecedores do estaleiro são boas, as chances de a Impsa (Indústrias Metalúrgicas Pescarmona) criar o primeiro grande cluster em Suape são maiores ainda. A companhia argentina entrou no negócio de energia eólica há cinco anos. A atividade já responde por 60% das receitas.
O sucesso nos leilões de energia eólica no Brasil garantiu à companhia uma carteira de pedidos de R$ 3 bilhões em aerogeradores.
"A empresa está instalada em Suape há dois anos e já negocia a vinda de pelo menos dois produtores de torres para os aerogeradores e duas empresas de pás (as hélices do gerador)", diz o gerente comercial da empresa, Paulo Ferreira.
Distante cerca de três quilômetros da Impsa, a Petrobras monta uma mega refinaria que terá capacidade de processar 250 mil barris de petróleo por dia. Ao lado da refinaria também é construída uma petroquímica.
A estatal não quis falar sobre o projeto, mas a expectativa em Pernambuco é que a produção de matérias-primas petroquímicas viabilize um polo têxtil na região, com indústrias para fabricação da fibra, do tecido e, quem sabe, confecções.
Outra promessa é a formação de um novo polo automotivo no Nordeste, com a instalação da Fiat até 2014, segundo previsão da própria montadora.
A unidade terá capacidade para 200 mil veículos e a previsão é a de que, por isso, constitua um novo parque de autopeças.(Agnaldo Brito)

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PERNAMBUCO (NORDESTE) - Investimento público cresce 2,5 vezes em 4 anos

DO ENVIADO ESPECIAL A SUAPE

Os investimentos públicos do Estado de Pernambuco cresceram 2,5 vezes nos últimos quatro anos.
A expansão do gasto público, com forte apoio do governo federal, é parte da explicação do impressionante crescimento pernambucano.
No quadriênio de 2003 a 2006, o governo local investiu em média R$ 680 milhões em obras de infraestrutura. No período de 2007 a 2010, o governo estadual conseguiu elevar esses aportes à média de R$ 1,7 bilhão de investimentos ao ano.
Só no ano passado, o Estado autorizou gastos de R$ 2,7 bilhões.
Pernambuco tem recorrido a financiamentos para sustentar essa expansão, mas afirma que isso não tem elevado o nível de endividamento. A explicação está na elevação das receitas correntes.
"A redução de custeio e o aumento da arrecadação de ICMS fizeram o endividamento do Estado cair de 82% para 63% da receita corrente líquida", diz Geraldo Júlio, secretário de Desenvolvimento de Pernambuco.
Hoje, a receita total de Pernambuco é de R$ 14 bilhões, impulsionada pela arrecadação de ICMS que cresceu 18,2% em 2010.

EFEITO POLÍTICO
Essa gestão tem dado resultado eleitorais. A força do governador Eduardo Campos (PSB) pôde ser medida na eleição do ano passado. Campos foi reeleito em primeiro turno com uma votação inédita no país: 82,8% dos votos válidos, um recorde. (AB)

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PERNAMBUCO - O complexo industrial-portuário, um modelo inédito no Brasil, está fazendo surgir um novo Estado industrial no país.

Pernambuco vive sua revolução industrial 

Com um pacote de R$ 46 bi em investimentos, Estado vira locomotiva do Nordeste; PIB cresceu 16% em 2010

Estaleiros, refinarias, petroquímicas e ferrovia começam a mudar a economia que viveu séculos do açúcar

Daniel Marenco/Folhapress
Vista do canal de acesso de navios ao porto de Suape 

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A SUAPE (PE)

O helicóptero decola do heliponto do Centro Administrativo de Suape. A 200 metros do chão, é possível ter a dimensão da revolução econômica que a injeção de R$ 46 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até 2014 está promovendo em Pernambuco, a nova locomotiva do Nordeste.
Não é o único canto do Estado que avança ligeiro e que tem mudado não só a vida dos 8,7 milhões de pernambucanos, mas sobretudo permitido a volta dos retirantes que um dia caíram no mundo atrás de uma vida melhor.
No interior, duas obras gigantes (a transposição do rio São Francisco e a construção da Ferrovia Transnordestina) ajudam a desenhar uma nova paisagem na vida do morador do agreste e do sertão.

LITORAL
No litoral, onde pode-se observar a síntese da nova dinâmica econômica, o complexo industrial-portuário de Suape, erguido a 40 quilômetros ao sul do Recife, brota a velocidade impressionante.
"Cento e vinte empresas já estão instaladas, outras 30 estão em construção e mais 20 irão surgir até 2014", enumera Frederico Amâncio, vice-presidente de Suape. Do alto é possível avistar obras em todos os cantos dos 13,5 mil hectares do complexo.
Justo ali, onde há 380 anos invasores holandeses -que acharam de tomar uma fatia do Brasil colônia- indicaram como ponto mais propício à criação de um porto.
E foi nessa região, após romperem pequena porção da parede dos arrecifes que protege o litoral do Atlântico, que os holandeses criaram uma passagem para que os barcos de açúcar alcançassem os navios em alto-mar.
A visão dos invasores ganhou forma quase quatro séculos depois. Investimentos de mais de US$ 3 bilhões nos últimos dez anos criaram a infraestrutura básica para o atual ciclo de expansão do porto de Suape, e converteram a região no principal polo de atração de negócios do Nordeste brasileiro.

A APOSTA PRIVADA
Agora, o PIB pernambucano demonstra vigor e o combustível é Suape. Em 2010, o PIB estadual foi de R$ 87 bilhões -expansão de 15,78% num só ano. Os velhos engenhos de cana e as usinas de açúcar e álcool pouco a pouco deixam de ser predominantes na matriz econômica de Pernambuco.
A aposta do poder público em Suape ao longo de 40 anos -desde o plano original de 1960- começou a seduzir o capital privado. O complexo industrial-portuário, um modelo inédito no Brasil, está fazendo surgir um novo Estado industrial no país.
"Não tínhamos indústria de petróleo e gás, nem indústria naval ou automobilística. Agora há uma nova perspectiva para o Estado", diz Geraldo Júlio, presidente de Suape e secretário de Desenvolvimento Econômico.

ACIMA DO NORDESTE
A forte expansão econômica elevou a renda per capita do Estado a quase R$ 10 mil, acima da média do Nordeste, de R$ 7.488, mas ainda inferior à renda nacional, de R$ 15.990.
A criminalidade caiu 25% em quatro anos, mas ainda é de 40 homicídios por 100 mil habitantes, quatro vezes mais que no Estado de São Paulo, e superior à média nacional, de 24,5 por 100 mil.

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PERNAMBUCO - O complexo industrial-portuário, um modelo inédito no Brasil, está fazendo surgir um novo Estado industrial no país.

Pernambuco vive sua revolução industrial 

Com um pacote de R$ 46 bi em investimentos, Estado vira locomotiva do Nordeste; PIB cresceu 16% em 2010

Estaleiros, refinarias, petroquímicas e ferrovia começam a mudar a economia que viveu séculos do açúcar

Daniel Marenco/Folhapress
Vista do canal de acesso de navios ao porto de Suape 

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A SUAPE (PE)

O helicóptero decola do heliponto do Centro Administrativo de Suape. A 200 metros do chão, é possível ter a dimensão da revolução econômica que a injeção de R$ 46 bilhões em investimentos públicos e privados previstos até 2014 está promovendo em Pernambuco, a nova locomotiva do Nordeste.
Não é o único canto do Estado que avança ligeiro e que tem mudado não só a vida dos 8,7 milhões de pernambucanos, mas sobretudo permitido a volta dos retirantes que um dia caíram no mundo atrás de uma vida melhor.
No interior, duas obras gigantes (a transposição do rio São Francisco e a construção da Ferrovia Transnordestina) ajudam a desenhar uma nova paisagem na vida do morador do agreste e do sertão.

LITORAL
No litoral, onde pode-se observar a síntese da nova dinâmica econômica, o complexo industrial-portuário de Suape, erguido a 40 quilômetros ao sul do Recife, brota a velocidade impressionante.
"Cento e vinte empresas já estão instaladas, outras 30 estão em construção e mais 20 irão surgir até 2014", enumera Frederico Amâncio, vice-presidente de Suape. Do alto é possível avistar obras em todos os cantos dos 13,5 mil hectares do complexo.
Justo ali, onde há 380 anos invasores holandeses -que acharam de tomar uma fatia do Brasil colônia- indicaram como ponto mais propício à criação de um porto.
E foi nessa região, após romperem pequena porção da parede dos arrecifes que protege o litoral do Atlântico, que os holandeses criaram uma passagem para que os barcos de açúcar alcançassem os navios em alto-mar.
A visão dos invasores ganhou forma quase quatro séculos depois. Investimentos de mais de US$ 3 bilhões nos últimos dez anos criaram a infraestrutura básica para o atual ciclo de expansão do porto de Suape, e converteram a região no principal polo de atração de negócios do Nordeste brasileiro.

A APOSTA PRIVADA
Agora, o PIB pernambucano demonstra vigor e o combustível é Suape. Em 2010, o PIB estadual foi de R$ 87 bilhões -expansão de 15,78% num só ano. Os velhos engenhos de cana e as usinas de açúcar e álcool pouco a pouco deixam de ser predominantes na matriz econômica de Pernambuco.
A aposta do poder público em Suape ao longo de 40 anos -desde o plano original de 1960- começou a seduzir o capital privado. O complexo industrial-portuário, um modelo inédito no Brasil, está fazendo surgir um novo Estado industrial no país.
"Não tínhamos indústria de petróleo e gás, nem indústria naval ou automobilística. Agora há uma nova perspectiva para o Estado", diz Geraldo Júlio, presidente de Suape e secretário de Desenvolvimento Econômico.

ACIMA DO NORDESTE
A forte expansão econômica elevou a renda per capita do Estado a quase R$ 10 mil, acima da média do Nordeste, de R$ 7.488, mas ainda inferior à renda nacional, de R$ 15.990.
A criminalidade caiu 25% em quatro anos, mas ainda é de 40 homicídios por 100 mil habitantes, quatro vezes mais que no Estado de São Paulo, e superior à média nacional, de 24,5 por 100 mil.

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Sociólogo é investigado por violação de dados sigilosos

Túlio Kahn foi demitido da Segurança Pública de SP

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO 

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar se o sociólogo Túlio Kahn violou o sigilo de dados criminais mantidos pela Secretaria de Segurança de São Paulo.
Kahn chefiou a CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento), centro de estatísticas criminais da secretaria, até a última terça-feira, quando foi demitido pelo governador Geraldo Alckmin.
Alckmin disse que a atividade empresarial dele era incompatível com a função que exercia no governo.
A demissão foi anunciada após a Folha revelar que Kahn tem uma empresa, a Angra Consultoria, que inclui em seus serviços dados sigilosos sobre violência. Funcionários da Secretaria da Segurança Pública também prestavam serviços para a Angra.
Documentos obtidos pela Folha revelaram que o funcionário da Secretaria da Segurança Pública usava dados que o governo paulista se recusa a divulgar, como os locais com concentração de furto e roubo de carros, para clientes privados.
Kahn disse à Folha na última segunda-feira que jamais violou o sigilo de dados criminais. Segundo ele, as empresas não eram seus clientes, mas patrocinadores de pesquisas sobre violência.

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AMIGOS...