É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O CONVITE À VIAGEM
Charles Baudelaire
Minha doce irmã,
Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. Os móveis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente, Tetos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. Vê sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender
Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo.
— Os sangüíneos poentes
Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Minha doce irmã,
Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. Os móveis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente, Tetos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor. Vê sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender
Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo.
— Os sangüíneos poentes
Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE
Charles Baudelaire Teu ar, teu gesto, tua fronte Sucumbe à tua mocidade, À tua flama, à claridade Dos teus ombros e dos teus braços.As fulgurantes, vivas cores De tua vestes indiscretas Lançam no espírito dos poetas A imagem de um balé de flores. Tais vestes loucas são o emblema De teu espírito travesso; Ó louca por quem enlouqueço, Te odeio e te amo, eis meu dilema!Certa vez, num belo jardim, Ao arrastar minha atonia, Senti, como cruel ironia, O sol erguer-se contra mim;E humilhado pela beleza Da primavera ébria de cor, Ali castiguei numa flor A insolência da Natureza.Assim eu quisera uma noite, Quando a hora da volúpia soa, Às frondes de tua pessoa Subir, tendo à mão um açoite,Punir-te a carne embevecida, Magoar o teu peito perdoado E abrir em teu flanco assustado Uma larga e funda ferida,E, como êxtase supremo, Por entre esses lábios frementes, Mais deslumbrantes, mais ridentes, Infundir-te, irmã, meu veneno! |
Confia em mim...
Eduardo Knapp/Folhapress
DO ALTO DO CÉU: Em campanha em Minas, José Serra (PSDB) beija uma imagem de N.S. da Abadia
O papa Bento 16 afirmou a religiosos que o visitaram no
Vaticano que é dever dos bispos intervir na campanha política
para condenar o aborto -cuja descriminalização, segundo ele, é traição a ideais democráticos. Segundo Bento 16, a igreja tem o "dever de emitir juízo moral, mesmo em matérias políticas", e não deve temer a impopularidade.
Brasil
Cazuza
Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel
Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...
Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
Confia em mim
Brasil!!
Assinar:
Postagens (Atom)